“Agradar a si
mesmo é orgulho; aos demais, vaidade” (Paul Valéry)
Um
Cervo estava à procura de uma fonte
para matar a sede. Logo encontrou um regato de águas frescas e cristalinas. Sem
pressa, tranquilamente se abaixou para sorver o líquido procurado.
Após
matar a sede, despertou-lhe a atenção alguma coisa que antes nunca tinha
observado. Ele viu, espelhado nas águas límpidas do regato, as suas pernas
compridas, tortas, com pés horrorosos, que formavam um triste contraste com os seus
formosos chifres em galhos. E desgostoso exclamou:
—
É bastante verdade o que dizem as pessoas a meu respeito. Eu supero a todos da
minha espécie em graça e nobreza! Quanta elegância majestosa se verifica,
quando levanto graciosamente a minha galhada! Entretanto, há uma incontestável verdade
ao lado disso: em contraste com essa exuberância tenho os meus pés tão horrorosos!...
Ao
mesmo tempo, que escarnecia e ironizava a feiura dos seus pés nas pernas tortas
e desengonçadas, ele vê sair da floresta, vindo em sua direção, um esfomeado
leão.
Em
dois saltos firmes e velozes, colocou-se fora do alcance do inimigo.
Mas,
na sua precipitada fuga, o Cervo
resolveu passar por uma trilha apertada da floresta. Não havia avançado muito,
quando teve a sua galhada presa num espinhal, cujos ramos mais finos se
emaranharam, formando um verdadeiro alçapão.
Desesperado,
o Cervo lutou para sair dali. No
entanto, todo o seu esforço foi em vão. Enquanto isso, o leão o alcançou,
devorando-o sem compaixão.
Assim,
os pés e as pernas que o Cervo tanto depreciava o teriam salvado se a galhada
de que tanto se orgulhava não o fizesse perecer.
MORAL
DA HISTÓRIA:
O
orgulho precede a queda. Pois, quem se sente grande demais ignora o infinito ao
seu redor.
O Cervo orgulhoso demonstrava um exagero doentio de amor- próprio e ignorava
tudo o mais que o envolvia.
Por
isso, o orgulho, que é a raiz de
todos os vícios é considerado a maior “Chaga da Humanidade”.
Uma
boa parcela da humanidade é assim! Há pessoas que se julgam tão superiores a
ponto de negar que somos todos iguais; com os mesmos direitos e deveres. Pois
rejeitam os desígnios do Criador.
E
todas as suas atitudes refletem a imperfeição moral que possuem. E isso se
torna o principal obstáculo à sua evolução espiritual, à caridade, assim como
ao autoconhecimento.
Conforme
o Evangelho Segundo o Espiritismo, o orgulho
é a origem da maioria das dores e conflitos individuais quanto coletivos. Pois
gera a soberba, a vaidade e a dificuldade de perdoar.
O orgulho é a negação da Caridade, pois impede
o amor ao próximo, como Jesus recomenda
nos Evangelhos. O orgulhoso não vê o outro como irmão em igualdade de
condições.
O orgulho é uma das principais
manifestações do Ego.
Enquanto
o Ego é a nossa identidade mental
(que busca validação, superioridade e proteção), o orgulho é a couraça que ele utiliza para esconder inseguranças,
impedir o perdão e evitar admitir erros.
O orgulho tem duas vertentes:
a) Orgulho Autêntico: nasce de
conquistas genuínas. Embora venha do Ego
ele pode promover a autoestima e a motivação.
b) Orgulho Hubrístico (excessivo): Ego negativo, baseado na arrogância, na
teimosia, autoconfiança desmedida e na ilusão de superioridade, que afasta as
pessoas e impede a empatia.
Enquanto
o egoísta é indiferente, o orgulhoso atribui seu sucesso apenas
aos seus próprios méritos. Não admite os próprios erros e se revolta nos
momentos de dificuldade, pois acredita ser merecedor na vida de um tratamento
especial. E tem então dificuldade de crescer, pois bloqueia todo o seu processo
de reforma interior.
Disse
Vianney, cura d’Ars que:
“O
orgulho é um vento tão fino, tão sutil, que ele penetra em quase todas as
nossas ações”.
E,
qual é o antídoto para isso?
— É a
HUMILDADE.
A Humildade é:
I – Um
sentimento íntimo que fortalece tanto a nossa Fé quanto a Caridade.
II – Uma
virtude que nos tira do pântano do orgulho
no qual ainda estamos mergulhados, sem nos rebaixar ou anular a nossa
identidade.
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