Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

Radio

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A CORTESIA

 

Cortesia é um sentimento nobre que nasce do respeito ao próximo.


O termo Cortesia é derivado de “court” (corte, palácio) para designar o conjunto de qualidades do nobre e o modo de viver da aristocracia. Não era apenas o código de etiqueta, mas uma verdadeira moral própria da vivência refinada da elite palaciana.

Atualmente, Cortesia supõe a perfeição moral e social da pessoa: boa educação, amabilidade, generosidade, respeito, gentileza, trato elegante...

O ser humano cortês é polido, atencioso, educado, respeitoso... Enfim, é aquele que é caridoso.

E sabe por que é caridoso?

 Porque ser caridoso é ter Amor no Coração. É considerar o nosso próximo como irmão, filho do mesmo PAI (Deus). Portanto, ser caridoso é muito mais do que dar a esmola que humilha, mas, respeitar a pessoa na sua essência: no seu jeito de viver, nos seus ideais, na sua luta, nas suas deficiências, nos seus princípios, valores e virtudes.

Quem é caridoso não usa “fazer cortesia com o chapéu alheio!”.

A pessoa cortês é instruída, aperfeiçoada, lapidada, desbastada pelas experiências vividas... É a pessoa que deixou de ser pedra bruta para se tornar pedra polida!... E é gentil, porque é uma pessoa consciente do mundo em que está vivendo...

Cortesia é um estilo de vida antítese da grosseria, da ofensa, do ultraje, da rusticidade, da vilania. Por essa razão, ser cortês é tão importante na vida!  E, pela mesma razão, é que se deve altercar para que a Cortesia seja ensinada e também praticada tanto no Lar quanto na Escola.

Geralmente, há quem diga que a Cortesia é um atributo de quem é discreto; comedido; recatado. Ou seja, de quem não é uma “carroça vazia”!...

Pois, “carroça vazia” diz-se da pessoa tagarela, barulhenta, leviana, inoportuna, que intempestivamente se intromete na conversa dos outros.

Há até uma história sobre isso!

Conta-se que certa manhã, bem cedo, um Pai convidou seu único filho para um passeio pelo bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, perguntou ao filho:

— Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

— Sim – respondeu o menino –, estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

— Isso mesmo! – disse ele. E é uma carroça vazia!...

De onde estavam não era possível ver a estrada e, então, o filho perguntou, admirado:

— Pai, como pode o senhor saber que a carroça está vazia?!...

— Ora, é bem fácil saber que é uma carroça vazia! Você ainda não sabe?!

— Não! – respondeu o menino.

O Pai então pôs a mão no ombro do filho, olhou bem fundo nos seus olhos e explicou pausadamente:

— Por causa do barulho! Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz!!!

________

Pense nisso! Reflita bem sobre essa história e sobre o referido assunto! Pois são deveras importantes para todos que buscam viver de conformidade com os ensinamentos de JESUS.

E lembre-se sempre dos conselhos do nosso sábio Mestre, especialmente, das Bem-aventuranças relacionadas no Sermão da Montanha (Mateus cap. 5).

Bem-aventurados:

I — Os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus!

II — Os que choram, pois serão consolados!

III — Os mansos, pois possuirão a Terra!

IV — Os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!

V — Os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!

VI — Os puros de coração, pois verão a Deus!

VII — Os pacíficos, pois serão chamados filhos de Deus!

VIII — Os que são perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus.

Você é a luz do mundo! Assim brilhe a sua luz diante dos homens para que vejam as boas obras, e glorifiquem Nosso Pai que está nos céus.

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois do mesmo modo que julgarem, vocês serão julgados; e a mesma medida que usarem, também será usado para medir vocês.

 Diga somente: “Sim” se é sim; “Não”, se é não.  Pois tudo o que passa, além disto, vem do Maligno.

Aproveitamos o ensejo para desejar Boas Festas a todos e um...

Feliz Ano Novo!

sábado, 20 de dezembro de 2025

PARÁBOLA DO CÃO MORTO

“Que belos dentes os deste cão!”.


JESUS chegou um dia a uma cidade e, ao atravessá-la, viu um grupo de pessoas que contemplava um cão morto, que trazia ainda ao pescoço a corda com que fora enforcado.

O cão estava podre e cheirava mal.

Todos que se achavam em torno do animal em decomposição, examinavam-no, fazendo comentários:

— Como empesta o ar – dizia um, tampando o nariz.

— Por quanto tempo continuará este cão a envenenar o ar que se respira nesta rua? – acrescentava outro.

E, assim, muitos exclamavam:

— Olhem sua pele!... Parece um coalho de leite estragado.

— E as suas orelhas? Escorre uma aguadilha verde de pútridas espumas...

— Teria sido estrangulado porque se tornou hidrófobo ou ladrão?

JESUS, que se acercou daquele grupo e ouviu todos esses comentários, lançou então um olhar de compaixão sobre o animal e disse:

— Oh!... Que belos dentes os deste cão! – Seus dentes são cândidos e belos como a neve.

O povo maravilhou-se de ouvir essas palavras ungidas de tanta doçura sobre esse animal e, em coro exclamou:

— Quem será este homem? Não deve ser outro senão Jesus de Nazaré. Só Ele é capaz de tamanha piedade ante a carcaça de um cão morto.

E todos se retiraram, inclinando respeitosamente a cabeça diante do Filho de Maria.

__________

Essa frase sobre os belos dentes do cão, não pertence a Leon Tolstói, como muitos atribuem. Na verdade, ela faz parte de uma história sobre a vida de JESUS, relatada por diversos autores, inclusive Tolstói, mas que não consta do Novo Testamento.

Enquanto todos criticavam a carcaça do animal morto, Jesus narrava esse cenário com a sua voz espiritual que fala a todos os que “tenham ouvidos para ouvir e olhos para ver”, isto é, a todos que percebem a presença de Deus sintetizada no sentimento imaculável da Beleza e do Amor.

Sentimento este que nos transporta do concreto ao abstrato, demonstrando que toda forma, por mais grosseira na aparência, está envolta numa vida comum a tudo e a todos. E que através da nossa imaginação nos leva a ver e sentir a beleza oculta na forma feia.

Guiada pela nossa concentração e meditação, a imaginação nos liberta do FEIO e nos identifica com o BELO, irradiando a alegria colorida que nos faz sentir o lado melhor da vida que almejamos no mundo.

E ainda nos proporciona belos voos para o azul celeste, através dos excelsos ensinamentos do Mestre, os quais nos livram das agruras das expiações caducas do passado; e nos revela a grande descoberta da Obra Divina, a qual promove o Bem Supremo para toda a humanidade.

Pois o Criador conhece todas as possibilidades do nosso livre-arbítrio e, assim, nos conduz e nos direciona sempre a um Porto Seguro e Feliz.

Enxergar o lado Bom e Belo das coisas é uma forma de Auto Caridade Sublimada que eleva a Alma, aprimora a consciência e nos ensina a discernir entre o falso e o verdadeiro, entre o que é positivo e negativo, entre o poder psíquico e o espiritual...

Pois quem aprecia o belo, ama a vida e desperta o conhecimento que traz dentro de si, para separar o joio do trigo e se transformar “da água para o vinho”... Tornando-se cada vez mais impessoal, alcançando o mundo da abstração e da beleza eterna, onde a Vida Una – da consciência unificada – palpita para todos os seres.

Essa consciência da unidade só é possível pela observação de todos os ensinamentos do Cristo, imprescindíveis como meios de libertação.

Recorde-se sempre das palavras do Mestre “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Porém, não se esqueça de que no Caminho há flores e espinhos, que impulsionam o viajante para frente.

As flores, com a sua beleza e seu perfume o impulsionam para o alto, mas os espinhos trazem dores, que servem de introspecção para também libertá-lo.

O Belo e o Feio, assim como o Amor e a Dor são forças catalisadoras do BEM, que se direcionam ao mesmo fim – a unificação com o Criador.

Pois, como diz o ditado: “Quem não vem pelo Amor vem pela Dor!”.

Que a magia do NATAL aqueça nossos corações! 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

LIÇÕES DE CAMINHONEIROS

 

“A carga mais pesada tu levas no coração...”. (Darci Lopes)


Distante de casa, dirigindo por mais de três horas, entro num restaurante às margens da rodovia. E para minha surpresa, alguém disse que me conhecia de “priscas eras”. Apresentou-se como Ângelo. Mas era estranho pra mim!

 Convidou-me para um lanche...  E, no entremear da conversa, contou-me um caso de dois irmãos caminhoneiros, inimigos de berço: Damião e Chico.

Entre eles, há décadas, havia um ódio enigmático! Desentendiam-se à toa! Certa feita, porém, após uma tempestade, Damião alcançou Chico numa estrada de terra, com a carreta num atoleiro de lama, difícil de sair... Ele reconheceu o inimigo e ficou à espreita, esperando... E a carreta cada vez mais se atolando!

Diante da necessidade urgente de seguir viagem, Damião, no pulsar forte do coração, ouviu o sábio conselho de sua mãe: “amar o inimigo é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com ele!”...

E partiu em socorro do inimigo! Mas seus olhos nem se cruzavam! Chico, contudo, o aceitou “numa boa”!... E, depois do desencalhe, ainda cauteloso, deu-lhe a preferência para seguir viagem.

Damião foi o mais beneficiado, pois conseguiu a tempo entregar sua carga, sem nenhum prejuízo.

Diz o ditado, que “o mundo não gira, ele capota!”. No retorno eles se reencontraram noutro atoleiro. Todavia, desta vez foi o caminhão de Damião que encalhou... E Chico foi o seu “anjo da guarda”! Juntos, num instante liberaram a pista.

Aí o sorriso estampado no rosto do Chico deixou Damião embaraçado... E meio sem querer, porém emocionados, foram ao encontro um do outro para um forte abraço fraternal!  

Damião, pela segunda vez foi beneficiado; porque Chico, talvez por “mãos” invisíveis do Amor, surgiu ali para retribuir-lhe a ajuda.

Neste ponto, num corte rápido, de volta ao restaurante, Ângelo fez então os seguintes comentários:

I — Se amar ao próximo é um mandamento, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, pois é uma vitória conquistada sobre o egoísmo e o orgulho que nos domina;

II — Deus é Amor, segundo I João 4,8. E quem não ama desconhece Deus. Somos Partículas do Amor; e se o Amor é a manifestação suprema da bondade, somos então irmãos legítimos, criados para amar-nos uns aos outros;

 III — Na Partícula Divina a energia do Amor está manifestada. E essa energia é Una (unida). Faz parte do TODO, e o TODO não se completa sem as suas partes. Portanto, não existe ressentimento que as separe;

IV — Você pode até dizer que ama menos; que não têm a mesma sintonia; que tem outra concepção de vida... Mas daí a considerar um irmão o seu inimigo, isso só é aceitável do ponto de vista “Cármico”, como retorno de vidas do passado, por culpa de uma ação indevida, que precisa ser reparada;

 V — Lembre-se d’Aquele que disse: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem" (Mt. 5,44).

Feitas estas considerações, ele arrematou: eis agora o que eu aprendi:

a)    Que amar o inimigo é amar a si mesmo, pois é uma caridade de amor ao próximo que muito nos beneficia. Benefício este que nós recebemos quase sempre em DOBRO;

 b)   Que amar os inimigos é uma boa lição para nossa libertação. Digna dos artistas de “Cargas Pesadas!”... Pois, se as más lições nos prendem, são as boas lições que nos libertam.

E foi só neste momento, que pude me manifestar sobre o causo:

— Amor e caridade, realmente “dão frutos centuplicadamente”!...

E repeti ao Ângelo uma frase que ressoava por toda a Minh’ alma: “Amar os inimigos é sentir pulsar o coração alheio!”.

Nisso, vi uma placa de sanitário, pedi licença e saí ligeiro... Mas, ao voltar cadê o Ângelo? Fui à mesa pegar a comanda e ao lado vi um bilhete dizendo: “Escreva essa história”.

Fui ao caixa. Tudo pago! Mas o meu estranho amigo, como por encanto, tinha desaparecido!...

E segui a viagem sem a despedida. Mãos no volante, saudade no coração, uma história emocionante e na mente uma oração... A guiar-me pela estrada reta da vida.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

PARÁBOLA DO BOM-SENSO

 

“O bom-senso é tão raro quanto o gênio” (Ralph Emerson).


Conta-se, que devido a um incêndio no bosque, alguns porcos foram assados pelo fogo. Os habitantes acostumados a comer carne crua, experimentaram a carne assada e gostaram. E, a partir daí, toda vez que queriam comer porco assado incendiavam um bosque.

Anos depois, descobriram um novo método, mais sofisticado, que facilitava a comilança de porcos. 

Já habituados com isso, tentaram depois melhorar o sistema. Pois, às vezes os assados ficavam meio crus ou queimados demais. Isso os preocupava, porque milhões eram os que se alimentavam de carne assada. Portanto, o sistema não podia falhar.

Mas, em razão das deficiências, começaram as queixas. E a necessidade de uma reforma profunda no sistema já era um clamor geral. Em busca de solução, anualmente se reuniam em congressos e seminários.

As causas do fracasso eram, então, atribuídas à indisciplina dos porcos; à natureza do fogo, às lenhas ainda verdes; à umidade da terra ou ao serviço de meteorologia que falhava.

O sistema de assar porcos era deveras complexo. Montado em grandes instalações, além de uma boa estrutura administrativa, tinha maquinários e mão de obra especializada em tudo, como os anemotécnicos – peritos em ventos.

Eram milhões de trabalhadores na implantação dos bosques e selvas, que logo seriam incendiados.

Até que um dia, João Bom-Senso, um simples incendiador de Bosques, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido. Que bastava matar o porco escolhido, limpando e cortando-o adequadamente, e depois colocá-lo numa armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.

Sabendo da ideia do funcionário, o Diretor-Geral mandou chamá-lo ao seu gabinete e, depois de pacientemente ouvi-lo, disse-lhe:

— Tudo bem! Mas o que o senhor diz não funciona na prática. O que seria, por exemplo, dos anemotécnicos se viessem a aplicar a sua teoria? Onde seria empregada a perícia dos demais especializados? O que faríamos com os engenheiros, que indicam que nosso sistema é muito bom?

— Não sei – disse João.

— Viu? O senhor tem que dar soluções para problemas específicos do sistema, e não querer transformá-lo radicalmente..., entendido? Ao senhor falta muita sensatez!...

E o Diretor continuou:

— Agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia por aí dizendo que pode resolver tudo!... E não insista nessa sua ideia, que isso poderá lhe trazer sérios problemas no seu cargo. Falo isso para o seu próprio bem!

João Bom-Senso, assustado, não falou mais um A. Cabisbaixo, e sem se despedir, saiu de “fininho” e ninguém mais o viu. Por isso que nas reuniões de Reforma e Melhoramentos, se diz que falta o Bom-Senso.

________

Bom-Senso é ter: a) discernimento – a maior qualidade capaz de nos livrar de enormes erros; b) equilíbrio nas decisões – para julgar de acordo com os padrões e a moral; c) uma consciência elevada sobre qualquer questão – para agir pelo raciocínio lógico, tornando a vida cada vez mais fácil.

 É um caminho aberto para todos, sem protecionismos. Basta a de um coração limpo e tranquilo, assim como uma mente aberta e arejada, “com olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, para atuar com sabedoria.

Ter Bom-Senso é preciso!... Para se libertar das “gaiolas doiradas”, de falsas ideologias, que escravizam e prendem os menos avisados.

Educada pelo Bom-Senso, jamais a nova geração se escravizará às ideias separatistas e desagregadoras que têm infelicitado a vida de tantos povos!

A sensatez definirá uma completa mudança no sistema educacional atual para moldar cidadãos democráticos, sem preconceitos, sem censuras e sem medo. Será uma nova educação de gente responsável por todos os seus atos, que saiba caminhar com as próprias pernas, livre das “muletas!” que só atrapalham.

Sem limitações, a nova geração vai aprender a separar o “joio do trigo” dentro de si; pensar no outro com amor; caminhar com Bom-Senso, e realizar a PRÓPRIA VIDA.

sábado, 29 de novembro de 2025

ATEÍSTA DE PLANTÃO

 

“Se não amo quem vejo; como posso amar a quem não vejo?”.


Vi a frase em epígrafe, para reflexão, no facebook. E, pensando nela, decidi então reescrever um texto meu de 2011.

Nesse texto eu contei que fiquei triste ao saber que uma jovem de 30 anos estava com câncer terminal. E mais triste por saber que ela não acreditava em Deus.

Foi essa descrença que me fez recordar um fato verídico, ao qual fiz algumas adequações, e que foi assim narrado por um Professor dos EUA:

 TOM era o “ateísta de plantão” do seu curso de Teologia da Fé. Fazia, constantemente, objeções ou questionava sobre a possibilidade de existir um DEUS-PAI, que ama seus filhos incondicionalmente.

No fim do curso, ele perguntou ao Professor, num tom irônico:

— O senhor acredita mesmo que eu possa encontrar Deus algum dia?

O Professor resolveu usar uma terapia de choque, falando alto:

Não, EU NÃO ACREDITO!... Não acredito que você consiga encontrar Deus... Mas, tenho absoluta certeza de que Deus o encontrará um dia!...

Ele deu de ombros e foi embora. Tempos depois o Professor soube que ele estava com um câncer terminal.

Debilitado, sem os cabelos longos, devido à quimioterapia, o aluno veio ver o Professor. Seus olhos, entretanto, estavam brilhantes e a voz firme, bem diferente do tempo de garoto.

Tom, eu ouvi dizer que você está doente! – disse o Professor.

— É verdade, tenho câncer nos dois pulmões. É questão de semanas!...

— Como é ter apenas 24 anos e saber que está morrendo?

— Bem, acho que poderia ser pior!

E para deixar bem claro continuou:

— Eu poderia ter 60 anos e pensar que bebida, mulheres e dinheiro são as coisas mais “importantes” da vida! Mas vim vê-lo Professor, pelo que o senhor me disse na última aula. Tenho pensado um bocado a respeito daquela frase!...

Quando os médicos removeram um tumor maligno da minha virilha, e a doença se espalhou, comecei a pensar com mais ansiedade sobre a ideia de procurar Deus. Comecei realmente a dar murros desesperados nas portas de bronze do paraíso.

Mas Deus não apareceu. Nada me aconteceu. Então eu simplesmente desisti. Já não estava me importando com a vida eterna. E decidi utilizar o pouco tempo que me restava fazendo coisa mais proveitosa.

Pensei muito no senhor, e me lembrei de outra frase que me havia dito noutra ocasião: “A tristeza mais profunda, é passar pela vida e deixar este mundo sem jamais ter dito às pessoas queridas o quanto você as amou”. Então resolvi começar pela pessoa mais difícil: meu pai. Ele estava lendo o jornal quando me aproximei.

— Papai, eu quero falar com você.

— Sim, o que é? – ele me perguntou sem baixar o jornal.

— É um assunto muito importante!

— O que é? – perguntou abaixando vagarosamente o jornal.

Papai, EU O AMO MUITO! Só queria que soubesse disso.

O jornal escorregou para o chão e papai fez duas coisas que eu jamais havia visto: ele chorou e me abraçou com força. Como foi bom poder me sentar com ele, conversar, ver suas lágrimas, sentir seu abraço, ouvi-lo dizer que me amava!... Que emoção!

Foi mais fácil com mamãe e meu irmão. Eles choraram. Nós nos abraçamos e falamos coisas realmente boas uns para os outros. Naquela hora eu começava a me abrir com as pessoas que amava. Até que um dia, então, eu olhei, e lá estava “ELE”.

DEUS não veio ao meu encontro quando lhe implorei. Ele parece que não se deixa impressionar e age a Seu modo e ao Seu tempo. Mas o que importa é que Ele estava lá!... DEUS me encontrou...

O senhor estava certo!... Deus me encontrou mesmo depois de eu ter desistido de procurar por Ele.

Tom, você tá me dizendo, então, que a maneira certa de encontrar Deus não é fazendo um bem pessoal; uma solução para os problemas ou um consolo em tempos difíceis; mas sim se tornando disponível para o verdadeiro AMOR!...

Poucos dias depois, Tom se foi... Foi ao encontro de uma nova vida.

Pois, “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor”. (1 João 4,8).

“Deus ajuda os que agem, e não os que se limitam a pedir” (Allan Kardec).

sábado, 22 de novembro de 2025

A MUDANÇA DA GENTE

 

“A pessoa que ama aos outros também será amada” (Prov. chinês)


O Espírito tem necessidade de mudanças, tanto quanto o corpo tem necessidade de água pra sobreviver.

O Espírito, diante de uma vida de imortalidade, carece constantemente de aprimoramento. E esta aspiração é uma sementinha evolutiva que todos trazem dentro de si. Faz parte da criação humana e não termina com a morte do corpo. É uma práxis contínua que se dá num vaivém constante entre a vida planetária e a erraticidade – estado em que se encontra o Espírito quando em trânsito no plano espiritual.

Nascemos para evoluir moral e intelectualmente até o ponto máximo da perfectibilidade. E contribuirmos assim para o progresso planetário.

“Aqueles que não conseguem mudar suas mentes não conseguem mudar nada” – disse George Bernard. 

A Natureza já alerta para mudanças mais intensas. É o sinal de urgentes transformações. E no vácuo desse alerta vem o chamamento da ciência, das artes... Como o Rap do Vídeo O Mascarado Polêmico, que diz:

 “A gente muda o mundo na mudança da gente / E quando a gente muda, a gente anda pra frente”.

Há uma Lenda Chinesa, de autor desconhecido, que tem uma estratégia interessante pra nossa transformação.

Diz ela, que era uma vez uma jovem chamada LIN, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra.

Depois de algum tempo, começou a ver que não se adaptava à sogra. Os temperamentos eram muitos diferentes e LIN se irritava com os hábitos dela, que criticava cada vez mais com insistência.

Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo.

Mas LIN, não suportando por mais tempo a ideia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo de seu pai.

Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou um ramalhete de ervas medicinal e disse-lhe:

— Para ficar livre da sua sogra você não deve usar estas ervas de uma só vez, pois isso poderia causar suspeitas. Você vai misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente. Mas, pra ter certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de você, deverá ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discuta e ajuda-a na resolução dos seus problemas.

— Obrigado – ela respondeu –, farei tudo o que o Mestre me recomenda.

LIN ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a sogra. E, durante várias semanas ela serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra.

LIN, que tinha sempre presente na mente a recomendação do Mestre, para evitar quaisquer suspeitas: controlava o seu temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.

Passados seis meses, toda a família estava mudada. LIN controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durante todos esses meses não teve uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela. Com as mudanças de atitudes da sogra, ambas passaram a tratar-se como mãe e filha.

Certo dia, LIN foi ao Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe:

— Mestre, por favor, ajude-me a evitar a morte da minha sogra. É que ela transformou-se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou.

— LIN, não se preocupe – respondeu o Mestre Huang, sorrindo e abanando a cabeça. – A sua sogra não mudou! Quem mudou foi você. As ervas que lhe dei são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas suas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que você começou a lhe dedicar.

 A pessoa que mais nos dá dor de cabeça hoje poderá vir a ser a que mais nos dará alegria no futuro. Invista nela...

Pois, segundo um provérbio árabe: “O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos”.

Pense nisso!...

sábado, 15 de novembro de 2025

A MESQUINHEZ

 

O Amor traz Fartura para quem se liberta da Mesquinhez.


A Mesquinhez ou Avareza é a característica de quem não gosta de gastar, que é apegado ao extremo aos bens materiais. Em uma linguagem popular, é o cara conhecido como egoísta, ridico, sovina, “mão-fechada”, “mão de vaca”, “pão-duro”...

O mesquinho ou avarento, em geral, não tem generosidade no coração. E gosta de humilhar, cobrar e jogar na cara, com a intenção de se desfazer logo de quem o procura por qualquer motivo.

É incapaz de um gesto sequer em benefício do próximo, mesmo que seja alguém do seu convívio, da sua intimidade. E, às vezes, ao negar até mesmo um favor, sem gasto algum, provoca riso. Por isso é tido como um ridico ridículo!... Digno de escárnio!...

Disse um filósofo oriental que “o homem tem o coração cheio de coisas na mente e a mente vazia das coisas do coração”.  Esse é, pois, o retrato do mesquinho!... Enquanto ele ainda não conhece a Lei do Amor. Visto que assegura bens materiais para si e para os seus, mas se esquece de que tudo o que acumula pode desaparecer com um simples vendaval.

Diz o Eclesiástico (14,9), que “O olhar do avarento é insaciável a respeito da iniquidade...”. E como “quem planta colhe”, ele se isola cada vez mais e acaba na solidão, vivendo sem uma mão de ajuda nos seus momentos mais difíceis. Todos lhe dão as costas, sem piedade. ESTE É O SEU CASTIGO!...

Inspirado no livro “O homem que ninguém conhece”, de Bruce Barton, de 1925, adaptamos a seguinte história de Jesus e seus apóstolos na Galileia, que demonstra as consequências da mesquinhez.

JESUS e seus discípulos tinham caminhado o dia inteiro e estavam cansados, mas a visão de uma aldeia, do alto da pequena colina, reanimou-os.

Jesus mandou então dois homens à frente para providenciar acomodações, enquanto ele e os outros se sentaram à beira do caminho para esperar.

Os mensageiros, depois de pouco tempo, voltaram ofegantes; e irritados deram a má notícia: o povo se recusava a recebê-los.

Então esta aldeia insignificante se recusava a receber seu Mestre?

Era revoltante! Todos indignados!

Afinal Jesus era famoso; curava os enfermos e era generoso com os pobres. Na Capital, as multidões o seguiam com entusiasmo, de modo que até os seus discípulos se tornaram importantes. Mas agora esta pequena comunidade rural se negava a recebê-los...

— Que gente insuportável! – gritou um deles. Conjuremos fogo do Céu, Senhor, e consumamo-los.

Os outros se entusiasmaram:

— Fogo do Céu... Isso mesmo! Mostra-lhes que eles não podem nos afrontar. Vamos Senhor, o fogo...

Há ocasiões em que nada do que um homem pode dizer é mais poderoso do que ficar calado. Jesus comprimiu os lábios. Suas delicadas feições não demonstravam as tensões que ocorreram nas semanas precedentes e, em seus olhos, havia a premonição das semanas angustiantes que viriam.

Ele precisava repousar, mas não disse uma palavra. Recolheu suas vestes tranquilamente e seguiu seu caminho, acompanhado de seus discípulos.

É fácil imaginar o desapontamento: já estavam juntos há três anos... Quando os discípulos chegariam a alcançar a visão do que Ele representava? Veio para mostrar o Caminho para a Verdade e a Vida! E eles queriam que satisfizesse os seus ressentimentos pessoais queimando uma aldeia?!

Atemorizados com o silêncio do Mestre, eles o seguiam. Vagamente tinham a consciência de que outra vez deixaram de corresponder.

E foram para outra aldeia sem nada reclamar. Para Jesus o fato era muito pequeno para ser comentado.

O Mestre sentia o ressentimento dos discípulos e procurava demonstrar compreensão; pois, sabia que: a Mesquinhez traz em si seu PRÓPRIO CASTIGO.

A aldeia que havia recusado recebê-lo, não exigia o fogo; ela já recebera a sua PUNIÇÃO: nenhum milagre foi realizado lá, nenhum doente foi curado, nenhum faminto alimentado, ninguém recebera a mensagem libertadora da Boa Nova... Esse era o castigo pela sua mesquinhez!...

JESUS esqueceu imediatamente aquele incidente. Tinha muito trabalho para fazer...

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

SONHANDO ACORDADO

 

“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem” (Oscar Niemeyer).


Ele era um jovem que morava no Centro Oeste dos Estados Unidos. Era filho de um domador de cavalos, mas desejava estudar. Dormia na estrebaria, trabalhava os animais fogosos e, à noite, ia à escola. Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse o seu sonho. O que desejariam para suas vidas.

O jovem escreveu 07 páginas. Desejava, no futuro, possuir uma área de 80 hectares; morar numa enorme casa de 400m²; e ter uma família muito bem constituída. Tão entusiasmado estava, que não somente descreveu, mas até desenhou como sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes.

Quando entregou o seu trabalho, ele ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre. Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível.

Depois da aula, disse o professor:

— O seu sonho é um absurdo. Imagine, você será um simples domador de cavalos! Escreva outra realidade e eu lhe darei uma nota melhor.

O jovem foi para casa e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:

— O sonho é seu. Faça o que você quiser! Ou procure outro sonho.

O jovem meditou e, no outro dia, entregou a mesma página ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim, mas, não abandonaria o seu sonho.

Esta história foi contada pelo dono de um rancho de 80 hectares, perto de um colégio. A área é usada por crianças pobres nos fins de semana.

No fim da história, o dono do rancho se apresentou como o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho. O mais incrível é que aquele professor, 30 anos depois, tem visitado aquela área com os seus alunos. Reconheceu o aluno antigo e confessou:

— Fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. Não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas vidas!...

_________

Este é um fato real relatado no livro PEÇA & RECEBA, de José Lázaro Boberg, da Editora EME – Capivari-SP.

Aqui é um resumo da história, para reflexão, dos que sonhando acordado buscam uma nova realidade.

Sonhar – de olhos abertos – mais parece devaneio de criança. Na real, é coisa de gente grande! Faça disso o “pontapé inicial” para concretizar as criações do seu pensamento!...

Mas saiba, que antes de tudo é preciso desejar a vitória do tão sonhado projeto. E, depois, meditar bastante a respeito da sua realização. Pois tudo o que firmemente mantiver em sua mente é o que exteriorizará.

O humano foi feito à imagem do seu Criador, e isso significa que ele é criativo e destrutivo ao mesmo tempo.

“Pensamento é Energia”. E se ele emana de alguém com potencial de influenciar sua realidade, ao expressá-lo verbalmente isso é mais um passo para criar tanto coisas boas ou ruins.

Uma boa técnica é escrever ou desenhar o objeto de sua criação para gravá-lo na sua rede neural. Assim, você está firmando a sua realização. 

Se você é uma pessoa de bons sentimentos, guiada pelo Amor ao próximo, não há possibilidade alguma de retrocesso em sua obra.

Quanto mais se esforça no Bem mais você prospera; mais cresce seu livre-arbítrio e mais elevada vibra a sua frequência. Aumentam as possibilidades e melhores serão as suas escolhas!...

Busque o Reino de Deus e deixe de ser um simples ator para ser o cocriador do seu próprio destino. Pois, você é do tamanho daquilo que você sonha!...

Com boas ações os pensamentos crescem em magnitude dia após dia. E, assim, conforme suas concepções, o Universo conspira a seu favor.

Mas, não deixe seu sonho morrer! Mesmo a revelia dos que torcem contra.

Faça, pois, como o personagem da história que optou por ficar com uma nota ruim a abandonar o seu sonho.

Diante de quadros negativos, faça a opção por pensamentos edificantes. Mas, à vista de incertezas, lembre-se, da seguinte lição de Chico Xavier:

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim...”.