Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sábado, 24 de outubro de 2026

O BATISMO DA EXPIAÇÃO

 

A Fé é o remédio certo para o sofrimento.


Disse o Mestre JESUS: “Bem-aventurados os que choram [os aflitos], pois serão consolados!” (Mateus 5,4).

A palavra AFLIÇÃO vem do latim “affictione”, com o sentido de dor, atribulação, sofrimento, etc.

JESUS nos preparou para isso ao declarar: “Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. (João 16,33).

Santo Agostinho, no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, (O Mal e o Remédio, Paris, 1863) nos propõe para reflexão dez questionamentos, que adaptamos e sintetizamos, a seguir:

I – A Terra é por acaso um paraíso?

II – A voz de Jesus ainda não soa aos seus ouvidos?

III – Não clamou Ele que neste vale de dores haveria choro e ranger de dentes para os necessitados?

IV – Não reconhece você o poder de Jesus, senão quando ele cura as chagas e enche seus dias de alegria?

V – Não reconhece você o amor de Jesus, senão quando ele adornar o seu corpo com todas as glórias e lhe der o seu brilho e o seu alvor?

VI – Até quando os seus olhos alcançarão só os horizontes marcados pela morte?

VII – Quando, enfim, sua Alma quererá se lançar além dos limites do túmulo?

VIII – Ainda que você tivesse de sofrer uma vida inteira, que seria isso, ao lado da eternidade de glórias reservada àquele que houver suportado a prova com Fé, Amor e Resignação?

IX – Se antes de reencarnar você escolheu sua prova se considerando bastante forte para suportá-la. Por que murmura agora?

X – Que remédios poderiam ser dados aos atingidos por obsessões cruéis e males pungentes?

Você já refletiu sobre essas perguntas? Eis, então, a resposta que este Santo deu a sua última questão: “Um só remédio é infalível: A FÉ!”...

E ainda acrescentou:

“O Senhor pôs o seu selo em todos que creem”... “Eu lhes digo que aquele que sofre e que tiver a Fé como apoio, será colocado sob a proteção do Cristo e não sofrerá mais”.

Portanto, por mais agudas que sejam suas dores você deve voltar seus olhos ao Céu e bendizer ao Senhor, por ter querido prová-lo!...

Você deve se sentir feliz por Deus ter permitido amortizar suas dívidas no presente. Pois isso vai lhe assegurar a tranquilidade que você espera no futuro.

Lembre-se que você pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas!

Mas, o amargor só aumenta se você não aceitar com resignação as aflições.

Ou, se você contrair uma nova dívida por blasfêmias contra Deus; ou mesmo por revolta e rancor contra seus “adversários”, que são apenas cobradores de Karma, usados pela Justiça Divina para ajudá-lo a se libertar de suas dívidas do passado. (E neste caso o Mal é o Remédio!).  

Ainda que você tivesse de sofrer a vida inteira, isso nada seria diante do mérito de suas conquistas espirituais!

Quanto mais árdua é uma prova, mais gloriosa é a vitória!...

E, por ocasião da sua morte física, o seu Espírito imortal, mais VIVO do que você possa imaginar deixará a Terra; e ascenderá ao mundo espiritual num corpo sutil, resplendente de luz, leve, purificado pelo sagrado Batismo da Expiação!

Ou seja, o Batismo do Sofrimento! Que é o ritual de purificação da Alma arrependida de tantos erros. Ritual este fundamentado na Fé e nas Leis de Deus que sustenta as suas decisões... O qual é também um ato simbólico – um selo posto ao seu compromisso assumido de regeneração moral.

Batizar é, pois, o “imergir” ou o “mergulhar” num mundo de expiação, que você mesmo aceitou; que representa o sepultamento da sua “vida antiga” (do pecado original) e a sua ressurreição para uma vida nova em Cristo.

Este é o sentido dos “Aflitos Bem-Aventurados”, que são atendidos por Deus... Que ficam felizes não só porque pagam suas dívidas, mas porque, após quitá-las não mais derramarão lágrimas. Estarão livres... Na glória do PAI...

Não reclame mais! Aceite suas aflições com resignação, bendizendo o sofrimento, como presságio da cura.

Que suas dores, hoje pacientemente suportadas, o poupe de séculos de sofrimentos na vida futura!

sábado, 17 de outubro de 2026

A VERDADE E A PARÁBOLA

 

A Verdade sempre aparece...


Diz a tradição, que a Verdade vivia pelas ruas de um vilarejo nua, fria e faminta. E que sua nudez crua e direta assustava os moradores!...

Por onde passava viravam-lhe o rosto, batiam as portas em sua cara e a rejeitavam.

Triste num canto e encolhida de frio, a Verdade foi encontrada pela Parábola, que vendo o seu sofrimento, disse-lhe:

— Não chore amiga. Eu entendo bem porque as pessoas a evitam. Pois o ser humano tem muita dificuldade em encarar a Verdade nua e crua de frente.

A Parábola levou a Verdade pra casa, agasalhou-a, cobriu-a com mantos e adornos leves, e belas histórias.

E a Verdade, sob as vestes da ficção, voltou a caminhar pelo lugarejo. Desta vez tudo foi diferente!... Os mesmos que a enxotavam, agora lhe abriam as portas, pediam para sentar, se alimentar; e se aquecer junto às suas fogueiras.

Moral da história: Nosso coração muitas vezes não suporta o peso da Verdade nua e crua. Mas, quando ela se veste com a beleza de uma Parábola, nós a recebemos de braços abertos.

Este conto da sabedoria judaica ilustra e esclarece bem o andamento necessário para se conhecer a Verdade.

Emmanuel, no Livro A Caminho da Luz – psicografado por Chico Xavier – passa a ideia de que o entendimento da Verdade é progressivo e relativo ao nosso grau de evolução.

Esta visão indica que a Verdade muda com o passar do tempo!... Que as pessoas absorvem apenas parcelas da Luz de acordo com o seu adiantamento.

Embora se pondere, que em si mesma a Verdade é absoluta em Deus, sabemos que ela se torna relativa, por causa da percepção limitada, de todos os seres que estão ainda em evolução.  

Jesus tinha pleno juízo disso!... Pois certa ocasião, segundo João (8,31-35), Ele disse aos que nele acreditavam:

— Se permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente vocês serão meus discípulos. “E conhecerão a Verdade e a Verdade os libertará”.

— Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como pode dizer que seremos livres?

E Jesus esclareceu:

— Digo a Verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado.

Por essa exposição, temos aí duas revelações: I – Que os cristãos um dia conhecerão a Verdade; II – Que a Verdade os libertará.

Mas a Verdade os libertará de quê? A resposta de Jesus foi categórica: – do pecado!... Porque é o pecado que os escraviza.

Considerando que o pecado é o oposto de se viver de forma correta diante de Deus, deduz-se que o pecado é uma transgressão às Leis de Deus.

Portanto, o pecador é um alienado.  Que vive no erro, no equívoco, agindo por ignorância, por desinformação...

E só mesmo a Verdade pode libertá-lo das mentiras; das narrativas falsas; da ignorância; enfim, de tudo que o escraviza.  

“Não há nada oculto que não venha a descobrir-se.” (Lucas 12,2).

Tudo será revelado!... Porque tudo se transforma... E renasce na Verdade de uma nova versão. Da versão que agora você tem de si mesmo, que o livra de suas próprias iniquidades. Maldades estas, que como o lixo são descartadas no aterro sanitário da alma. Caem no esquecimento e desaparecem.

Liberto de sua ignorância e livre do seu passado de erros, você está salvo de si mesmo!... Do peso de sua própria consciência!... E não se sentirá mais culpado de nada!... 

O ser humano é dotado de razão e de sentimento – os dois polos do seu processo evolutivo. Que se interagem e transformam a sua realidade.

Quando sua Alma está livre, seu pensar se completa com o seu sentir e vice-versa. E a sua Verdade não teme mais o erro, pois a Luz não pode ser absorvida pelas trevas.

Você deixa de ser cego para as coisas de Deus. E passa a compreender a vida na sua magnitude.

Sua compreensão então já não vem só do raciocínio, mas da razão aliada ao sentimento: os dois grandes faróis resplandecentes da Estrada da Vida.

Faróis iluminadores que atraem e impulsionam as pessoas na busca pela harmonia entre o pensamento lógico e a sensibilidade do coração para expandir a evolução da sua consciência.  

sábado, 10 de outubro de 2026

O VELHO PENSADOR

 

"Grandes coisas nunca vêm da zona de conforto.”


Ao avistar ali afixada aquela desgastada tabuleta, com o subtítulo acima, eu sabia naquela bela manhã ensolarada, que estava diante do humilde domicílio do “Nhô Quim” – o decano do povoado – respeitado por todos como um grande Pensador.

Meditei sobre essa frase da Zona de Conforto lembrando Emmanuel (Livro Caminho, Verdade e Vida) ao nos alertar: “que não será justo querer alguém confortar-se, sem se dar ao trabalho necessário...”.

O Velho Pensador, de pele clara e rosto moldado pela dignidade de suas cãs, tinha uma aparência laboriosa, nobre, de retidão e sabedoria... Talvez um Delegado de Deus sobre a Terra!

— Bom dia! – Cumprimentei-o ao abrir o portão do casebre, onde morava. 

— Vamos entrar! – disse-me ele ao abrir a porta. E puxou duas cadeiras para conversarmos.

Sua expressão revelava uma Alma de Mente excepcional, de sensibilidade profunda, de enorme empatia, intuição aguçada com uma forte busca pelos propósitos e significados da vida.

Eu sabia, de antemão, tratar-se de uma pessoa dotada de uma capacidade intelectual fora do comum. Era realmente a encarnação do Bom Senso! E, daí a sua facilidade na solução das questões mais complexas da vida contemporânea. Pois, jamais indicava caminhos sem saída.

Assim ele impactava todos, tanto pela sua sabedoria quanto pela sua generosidade.

— Você veio me entrevistar?

— Sim! Mas, depende do tempo que o senhor tiver disponível.

O Velho Pensador sorriu e disse:

— Somos Espíritos Imortais! Temos, portanto, um longo tempo disponível, o suficiente para fazermos qualquer coisa. Pode perguntar?

— “Nhô Quim”, o que mais o surpreende nos seres humanos?

São deveras muitas coisas! Mas vou relacionar algumas... Por exemplo:

— Que se aborreçam por ser ainda criança, que se apressem em querer crescer e que, então, se lamentem por não serem mais crianças!...

— Que percam sua saúde para conseguir dinheiro e, depois, percam dinheiro para restaurar sua saúde!...

— Que, pensem de forma ansiosa sobre o futuro, mas que se esqueçam do presente de tal forma, que não vivam nem para o presente nem para o futuro!...

— Que vivam como se jamais fossem morrer e morram como se jamais tivessem vivido!...

Após felicitá-lo pelas respostas e fazer as minhas anotações, voltei a lhe perguntar:

— Quais são as lições, que as CRIANÇAS desta nova geração devem aprender agora, para quando tiverem seus filhos?

Ah, as Crianças! – refletia Ele com um radiante sorriso na face... – As Crianças de hoje devem aprender, para quando tiverem seus filhos:

— Primeiro, que Deus existe!...

— Segundo, que a Providência Divina não faz nada sem boas razões!...

E que elas tenham, ainda, como boas regras de conduta:

1.       “Fazer aos outros, somente o que desejam que o nosso Pai Celeste faça por elas”;

2.      “Não fazer senão aquilo que podemos oferecer a Deus!”;

3.       "Ouvir a instrução de seu pai e nunca desprezar o amor de sua mãe".

Enfim, que as Crianças entendam:

— Que elas não podem fazer alguém passar a amá-las!... O que podem fazer é deixar-se que sejam amadas.

— Que a pessoa rica não é aquela que tem o máximo possível, mas é aquela que necessita do mínimo!...

— Que se levam apenas alguns segundos para abrir feridas profundas nas pessoas que amamos, e que se levam muitos anos para curá-las!...

— Que há pessoas com o poder de amar intensamente, mas que não sabem simplesmente como expressar ou mostrar seus sentimentos!

— Que duas pessoas podem olhar para uma mesma coisa e vê-las de modo totalmente diferentes.

— Que sempre falta alguma coisa aos que vivem sempre se queixando; mas que nada falta àqueles que não têm nada!...

— Que nem sempre basta aos filhos que eles sejam perdoados pelos outros, e sim que eles saibam que perdoar aos outros é como perdoar a si mesmos!

Saboreando ainda aquele magistral momento, expressei a minha sincera gratidão ao memorável decano.

— Não tem por que! – respondeu-me. Estarei sempre a sua disposição. – Vá em paz. Que Deus o abençoe!...  

sábado, 3 de outubro de 2026

O GELO E A CINZA

 

“E os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa”. (Mt 10,36)


A nevasca uivava fora da cabana abandonada. Dentro, o fogo morria. Juntos nesse abrigo estavam Mauro e Duarte, que eram inimigos há 10 anos.

A disputa por terras destruiu a amizade deles e iniciou uma guerra silenciosa na vila. Mauro ferido na perna. Duarte com lenha seca e água no cantil. Silêncio absoluto. O vento gemia nas frestas da madeira velha.

O frio aperta e a respiração vira fumaça branca e trêmula. Mauro não resistiria se Duarte ficasse com a lenha e a água só para si. E se Mauro tentasse roubar o fogo, morreriam ambos na luta.

Duarte vê Mauro de rosto pálido e lábios roxos. Sem dizer nada, joga madeira no fogo. Chamas vermelhas e fortes sobem aquecendo o aposento. E, depois, arrasta um tronco para perto do ex-amigo de infância e diz secamente:

— Pegue Mauro, não quero vencer um cadáver!...

Mauro, trêmulo, aceitou o calor. Mas olhou nos olhos de seu antigo inimigo e ironiza:

— Ah, isso vai passar!... Mas nossa briga vai se acirrar!...

— Sim! – Retruca Duarte do outro lado da fogueira. – Mas não hoje!

Noite lenta, vigiada pelo fogo e o silêncio... Onde o ódio deu lugar apenas à sobrevivência.

Na Vila, o desaparecimento deles durante a nevasca deixou as duas famílias em alerta... E unidas em um único sentimento: o medo de que os rivais se encontrassem e tivessem feito uma loucura no meio do isolamento.

Capatazes de Mauro e parentes de Duarte se reuniram na praça central. Armados com ferramentas e olhares desconfiados, iniciaram as buscas num clima de extrema tensão! Foi quando dois vultos surgiram no topo da colina.

A multidão silenciou. Para surpresa de todos, eles não vinham brigando!... Mauro mancava com dificuldade por causa do ferimento na perna, mas seu peso estava apoiado firmemente no ombro de Duarte.

Quando cruzaram os limites da via, o irmão de Duarte correu em sua direção apontando para Mauro:

— Duarte! O que Mauro fez com você? Saia de perto dele!

Duarte levanta a mão, pedindo calma, e olha para todos os moradores.

— Abaixem as armas! A guerra acabou! Daqui para frente, não há mais divisões entre as nossas terras. A tempestade nos disse o que realmente importa. Quase morremos por causa de orgulho. Hoje, voltamos como irmãos!

Os capatazes se entreolharam aliviados e deixaram as ferramentas no chão. As duas famílias, que passaram uma década se odiando, finalmente puderam respirar em paz, entendendo que o inverno havia levado embora o pior dos seus inimigos: o RANCOR.

******

Este conto, feito pela Inteligência Artificial (I.A), fala sobre dois antigos rivais, que num momento de perigo o que eles mais precisavam era de um entendimento humano, tal como nos prega o Mestre Jesus:

“Amem-se uns aos outros como eu os amei” (João 15,12).

Ou, “Faça aos outros aquilo que você quer que os outros lhe faça!” – Norma esta de agir considerada pelos escritos sagrados como “regra de ouro” basilar do amor, da empatia, da justiça e da caridade.

O conto ainda nos revela que até mesmo os computadores, com sua tecnologia, vêm simular o raciocínio, a criatividade, o aprendizado e reiterar o mais sábio ensinamento, que Jesus já nos revelou:

 “Amem os seus inimigos, faça o bem aos que os odeiam e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mateus 5,44-45).

Amar os inimigos é obedecer a Lei do Amor em tudo e para com todos!

É nessa “pegada” que o ser imortal supera sua jornada de dificuldades... Porém, de venturas edificantes!...

Tenha um “pique” amoroso, para chegar a um Porto Seguro e Feliz!...

“Vós sois o sal da terra!”. (Mateus 5,13) – “Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros”. (Marcos 9,50).

E agora ouça e reflita sobre a letra desta linda canção de Rick & Renner:

 “Tantas são as provações! / Saiba que as decepções é que nos fazem crescer! / Deus sabe do teu coração... / Então, não perca a tua Fé!”

Pois, "O maior inimigo do homem é ele mesmo!" (provérbio popular).

sábado, 26 de setembro de 2026

ESTUDO SEM A PRÁTICA

 

“Conhecimento sem Prática é como um livro que nunca foi lido” (Dito popular).


Durante toda a sua vida um sábio estudou os Vedas. Estava prestes a morrer quando Brahma, o Criador, disse-lhe:

— Diante de todo o esforço que fez na vida vou conceder-lhe um pedido. Diga-me o que você quer:

— Eu quero mais 100 anos de vida!

— Mais 100 anos? Mas para quê?

— Preciso estudar os Vedas.

O pedido foi concedido. Cem anos depois eles novamente se encontraram. E Brahma disse-lhe:

— Agora chegou a tua hora. O prazo acabou!...

O sábio, porém, implorou:

— Preciso de mais tempo para entender os Vedas. Por favor, dê-me, outros 100 anos.

Outra vez Brahma atendeu-lhe o pedido. Um século depois eles se reencontraram. Brahma quer levar o sábio desta vida, mas ele não desiste:

— Dê-me, por favor, mais 100 anos; há coisas que ainda não entendo!

Pedido concedido. E assim se passou um milênio: o sábio pedindo mais tempo para estudar e Brahma aquiescendo com paciência infinita.

Vendo afinal que não conseguia acabar de entender as escrituras, o sábio, desalentado, perguntou-lhe:

— Por que nunca termino?

Brahma, então, lhe respondeu:

— Porque de nada lhe serve estudar os Vedas se você não os coloca em prática, pois, “o estudo não produz nenhum resultado sem a prática”.

Este conto, que nos leva a muita reflexões, foi adaptado de um texto do livro PARÁBOLAS de todos os tempos, Vol. III, de Alexandre Rangel.

No hinduísmo Brahma é o deus da criação. E os Vedas são os quatro livros sagrados mais antigos, como são para nós às escrituras do Antigo e Novo Testamento.

Veda significa “conhecimento” ou “sabedoria”.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito da Verdade nos determina o “conhecimento” ao ditar seus mandamentos:

“AMAI-VOS, eis o primeiro mandamento; INSTRUÍ-VOS, eis o segundo...”.

Contudo, para se adquirir o “conhecimento / sabedoria”, é preciso, a priori, entender a relação entre o Estudo (Teoria) e a Prática. Pois essa relação é basilar para a aprendizagem real e para a transformação pessoal.

 Quando estudamos e aplicamos o “conhecimento”, geramos a chamada PRÁXIS – união perfeita que modifica a realidade.

A Práxis é, então, uma atividade criadora do ser humano, composta por dois momentos, que se comportam de forma polar: a Teoria (reflexão ou consciência) e a Prática (ação); ligadas de forma inseparável.

Podemos então representar a Práxis como uma elipse, cujos dois polos são formados pelo Estudo (Teoria) e a Prática, que funcionam de forma dinâmica; onde a Teoria modifica a Prática e a Prática leva a uma nova Teoria... E, nesse vaivém constante, dá-se o progresso da humanidade.

  ●→Teoria

﴾↓↑﴿↓↑↓↑↓↑   ▬► Progresso

  ●→ Prática

É, pois, dessa forma, que ocorre a construção do “conhecimento” e da “sabedoria” imprescindíveis à nossa evolução espiritual. 

Talvez, por esse motivo, Jesus tenha dito a Nicodemos, que “não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que nascer de novo” (João 3,3).

Se o Reino de Deus é o reino da Perfeição, é lógico que nele não pode entrar quem ainda está imperfeito!

O Espírito humano tem, portanto, que evoluir, buscando continuamente se aprimorar. E, certamente, para isso não basta uma só vida neste planeta!

Há, pois, necessidade de sucessivas existências!... Renascendo aqui ou acolá, conforme disse Jesus:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar” (João 14,2).

A Práxis é, então, um processo de conscientização (de Ação e Reação), permanente para a libertação da pessoa de sua ignorância.

Pois as pessoas, por meio de suas tribulações (prática / ação), vão desvelando a realidade do mundo (teoria / reflexão) e vão ao mesmo tempo comprometendo-se com a sua transformação interior, num processo de nascer e renascer a todo instante; de evolução constante...

Uma verdadeira Escalada da Perfeição (Escada de Jacó).

Que Jesus nos garante quando se refere à lei e aos profetas. “Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição” (Mateus 5,17).

sábado, 19 de setembro de 2026

BEM-AVENTURADOS OS CEGOS

 

 “Se vosso olho for motivo de escândalo, arrancai-o” (Jesus).


Dia do Evangelho no Lar.

Lição aberta ao acaso. Tratava-se de uma comunicação dada em 1863, em Paris, a respeito de uma cega, para a qual foi evocado o Espírito Vianney, o Cura d’Ars, conforme nota de rodapé, no Evangelho Segundo o Espiritismo.

Cura significa Vigário; Pároco...

João Maria Batista de Vianney, (1786 / 1859), foi sacerdote católico da Aldeia de Ars, na França, por mais de 40 anos. Canonizado em 1925 pelo Papa Pio X, a sua memória litúrgica é celebrada em 04 de agosto, data que, no Brasil, é também comemorada como sendo o “Dia do Padre”.

Sua fama de abnegado e com o dom de curar as pessoas, correu entre os fiéis de todas as partes da Europa.

A pequena Aldeia tornou-se então, em 1827, um Centro de Peregrinações, alcançando 80 mil peregrinos nesse ano. Em 2019, estimava-se que cerca de 500 mil pessoas passavam anualmente pelo santuário.

A comunicação de Vianney deu-se, portanto, 04 anos após o seu desenlace corporal. E, diante de sua santidade, cotejamos a grandeza espiritual desta lição com as outras Bem-aventuranças do Sermão da Montanha.

Mas, os Bem-aventurados do Padre de Ars, literalmente, não estão entre os felizes Bem-aventurados de Jesus dos Evangelhos do Novo Testamento!...

Esta lição, porém, se ajusta como uma luva na interpretação do Sermão da Montanha, quando se olha “os felizes de Vianney” pelas entrelinhas das Bem-aventuranças de Jesus.

Por esse viés, não somente são compatíveis; como se locupletam entre si, como se vê, a seguir:

 “Bem-aventurados os que choram (os aflitos), porque serão consolados!” (Mateus 5,4).

Há, pois, compatibilidade entre elas quando, se afirma que a VIDA é UNA – que significa dizer que existe uma única energia ou uma única essência compartilhada por todos os seres.

Ou, dizer de um jeito simples, que somos partículas divinas, unidas como irmãos, pela mesma energia do Nosso PAI, num TODO único.

As pessoas nascem para evoluir e não para sofrer!... Aflição não passa de consequências de nossas escolhas mal feitas no presente ou no passado!...

Ficamos cientes, assim, de que cada uma de nossas escolhas e ações impacta no TODO e gera transformações que visam o nosso aperfeiçoamento.

E nessa reciprocidade, toda Bem-aventurança vale para os dois lados – tanto do réu quanto da vítima – para irmanados se elevarem...

Pois, (segundo Mat. 18,2): “se vos transformardes entrareis no Reino dos céus”. Cada um no seu devido tempo!

Porque toda a Criação Divina está de acordo com a promoção do Bem Supremo para todos os seres vivos... Como bem disse o Grande Pastor sobre suas Ovelhas: “Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer”.

Ou, como disse o Cura d’Ars:

“Oh, sim, bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Mais feliz do que vós que estais aqui, ele sente a felicidade, pode tocá-la, vê as almas e pode lançar-se com elas nas esferas espirituais, que nem mesmo os predestinados [...] conseguem ver”...

E o santo de Ars ainda afirma:

 “O olho aberto está sempre pronto a fazer a alma cair; o olho fechado, pelo contrário, está sempre pronto a fazê-la subir até Deus. Crede-me, meus bons e queridos amigos, a cegueira dos olhos é quase sempre a verdadeira luz do coração, enquanto a vista é quase sempre o anjo tenebroso que conduz à morte”.

Acabamos entendendo, enfim, que:

Se a aflição da cegueira não tem causa na vida presente é preciso procurar a causa numa vida anterior.

Porque “Somos sempre punidos naquilo em que pecamos”.

A cega, ora reencarnada, sofreu a pena da Lei – o caminho de reparação de seus erros do passado.

Qual deve ser então a causa de sua queda para ser afligida com a cegueira? Pode, por exemplo, ter ficado cega em consequência de maus tratos que ela mesma praticou contra alguém.

O que chamamos de capricho da sorte, nada mais é às vezes do que o efeito da justiça de Deus!...

Mas, não é castigo de Deus!... Pois cada um responde pelos seus próprios atos e pela influência que exerce sobre os outros.

sábado, 12 de setembro de 2026

ESQUECIMENTO DO PASSADO

 

“A VIDA é UNA embora as existências sejam múltiplas” (José Lázaro Boberg).


A reencarnação é uma estratégia fundamental do processo evolutivo (progresso) da humanidade.

Os apóstolos de Jesus não tinham a menor dúvida a esse respeito, tanto que admitiam plenamente a ideia de que João Batista era o mesmo Espírito de Elias, reencarnado na Terra.

Embora Jesus não tenha se manifestado; tampouco se opôs, e nem dissuadiu os discípulos dessa ideia!  Pelo contrário, manteve a crença deles, como se vê, em Mateus (XI 14-15):

“E, se quereis compreender, é ele [João Batista] o Elias que devia voltar. Quem tem ouvidos, ouça”.

Sem o princípio da reencarnação todos os atributos do Criador se destroem. Porém, tendo a reencarnação como princípio, a Justiça Divina se glorifica, pois as qualidades peculiares boas ou más de cada indivíduo ficam visíveis e salientes.

Com o progresso das Almas, os maus vão se tornar bons e os bons ficarão ainda melhores. E o Espírito, ao morrer para o mundo, vai levar consigo tudo o que tem, seja de bom ou de mau.

Considerando que é impossível a Perfeição no tempo de uma única existência, a reencarnação se torna necessária para que o Espírito nas suas sucessivas existências possa expurgar a sua maldade e se aprimorar na bondade.

 Embora se comprove a eficácia da reencarnação no nosso progresso, há aqueles que dirão que tudo isso não passa de falácias, e questionarão:

— Se isso fosse verdade, não tenha dúvida que as pessoas iriam se lembrar de suas vidas passadas?

Um amigo ajudou-me a responder essa questão de um jeito simples assim:

— Lembre-se de que há fatos desta vida atual, que apesar de passado pouco tempo, nós já nos esquecemos, como então se lembrar de fatos ocorridos em outras existências?

No livro “Parábolas e Ensinos de Jesus”, diz Cairbar Schutel que:

“Se todos conservassem a lembrança de existências passadas, [...] essa lembrança, como é natural, associar-se-ia à recordação de todas as pessoas com quem vivemos e ficaríamos conhecendo não só a nossa vida anterior como a dos que nos cercam, principalmente se os seres com quem convivemos tivessem convivido conosco na precedente vida. E o que resultaria daí?”...

Pense nas contrariedades, nos transtornos, contratempos e em toda confusão a que estaríamos submetidos!

Pense, ainda, nos aborrecimentos, chateações, infortúnios e decepções que deixaria a nossa vida num caos!...

A vida de todos seria devassada!

Daí se concluir que o esquecimento do passado vem da bondade de Deus, de sua misericórdia necessária ao nosso bem-estar e ao nosso progresso.

Sem o esquecimento não há perdão. Todos viveriam sob a dor do remorso pelos crimes praticados. Eis, então, por que não é consentida a nossa lembrança de vidas passadas.

Mas há exceções! E já não são poucos os que se recordam de suas existências vividas na Terra. Basta pesquisar na mídia social!...

Há casos comprovados de pessoas que se recordaram de várias existências do seu passado.

Porém, para os que têm olhos de ver e ouvidos para escutar, bastaria observar o temperamento – a base inata da nossa psique, que define a inclinação natural de como cada pessoa reage e se revela emocionalmente no dia-a-dia.

O Amor incondicional – o divino sentimento pleno, absoluto e profundo, que não impõe regras, limites ou exigências para existir, exigem do ser humano um grau máximo de perfeição. E para alcançá-lo precisará, durante o longo processo evolutivo, de uma multiplicidade de existências...

Cada vez que você renasce traz consigo tudo o que aprendeu nas suas anteriores existências como tendências, aptidões, dificuldades, atitudes... 

Pois é o seu comportamento que mostra quem você era no passado!...

Mas quanto ao seu futuro ele ainda não existe, pois ele é a construção do presente... É dependente do HOJE!...

Depende de sua transformação interior, da sua autorrealização e de um constante aprimoramento!...

Porque o Reino de Deus não vem com aparências exteriores... O Reino de Deus está dentro de vós!