Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sábado, 22 de agosto de 2026

PRECE PELOS SUICIDAS

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).


A notícia veio pela mídia social. Uma jovem se suicidara. Além dos pêsames, um comentário dizia tratar-se de pessoa muito boa, mas que vinha sofrendo de angústias e depressão.

As pesquisas indicam o aumento nas tentativas de suicídio entre os mais jovens, exatamente por esses motivos!

À mente veio-me, então, o relato de um médico da Medicina Espiritual, afirmando que tanto a angústia como a depressão são dores da alma – doenças que vêm, muitas vezes, de culpas que o indivíduo sente por estar travado na sua jornada na Terra.

Dialogando com alguém, perguntei-lhe sobre os “porquês” do suicídio; para onde vai o suicida; como ficam os familiares, e o que fazer para resgatá-los. E ele me respondeu evasivamente:

— Essas suposições são de difíceis respostas, uma vez que até os familiares se recusam a abordar o caso.

— Mas eu vou pesquisar para elucidar esta questão – afirmei.

Comecei folhear o livro “Memórias de um Suicida”, de 687 páginas, ditado pelo Espírito Camilo Cândido Botelho, canalizado por Yvonne A. Pereira.

Tomei conhecimento da existência, no além-túmulo, do Vale dos Suicidas, onde não há céu, não há luz, não há sol, não há perfume nem tréguas...

O que há, então? Só a DOR que nada consola; o choro e o assombroso “ranger dos dentes” da advertência do nosso sábio Mestre das Almas!

É num local, assim, que fica o suicida até que se desfaça das forças vitais e dos fluidos animalizados, de que está impregnado. Então se vê que a sua estada, embora seja de penosa duração nesse Vale Sinistro do Além, será pelo menos temporária, graças à misericórdia Divina.

“Pois nenhuma de minhas ovelhas se perderá” – nos garante o Mestre Jesus, conforme a paternal misericórdia do Nosso Pai Celestial, justo e bom, “que não quer a morte do pecador, mas que ele viva e se arrependa”.

Fiquei sabendo nessa pesquisa, da LEGIÃO DOS SERVOS DE MARIA, que em caravanas percorrem o Vale das Sombras em socorro aos necessitados, até que suas condições de “mortos-vivos” permitam ser transferidos para localidade menos trágica...

Ou, então, levados diretamente para o Hospital “Maria de Nazaré”, com os seus departamentos próprios de socorro aos irmãozinhos desventurados...

Maria é a sublime MÃE acolhedora de todos os que se arrojam aos temidos abismos da morte voluntária.

Por mais desgraçado e esquecido um delinquente, existirá sempre quem o ame e por ele se interesse suplicando a seu favor à MARIA; ou diretamente ao DIVINO MESTRE; ou ao próprio CRIADOR!

Isso comprova a importância da Prece aos Mortos, como nos ensina o Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XXVII, 18). Que é de muita utilidade aos sofredores que reclamam ajuda, pois ao se verem lembrados, sentem-se menos abandonados e infelizes.

A Prece tem para eles uma ação mais direta podendo afastá-los do pensamento do mal; reerguer lhes sua coragem; despertar-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento; e buscarem a reparação.

Há quem ainda não admite a Prece pelos Suicidas, acreditando, pois, que já estão condenados às penas eternas! Mas, pelo contrário, já se sabe que DOR alguma será ETERNA!

Será, por acaso, proibido a uma pessoa caridosa auxiliar um suicida a carregar o peso dos grilhões?...

Lembrem-se da Fraternidade, que manda praticar todo o Bem possível, fazendo ao nosso próximo (no invisível como na Terra!), o que desejaríamos que ele nos fizesse. Principio este, que nos planos de almas mais esclarecidas é Lei Amorosa rigorosamente observada!

Se, pois a Prece por um Suicida é dirigida à MARIA, ordens de imediato serão expedidas aos seus mensageiros, que a despeito de quaisquer sacrifícios, saem para arrebatar o irmão aflito onde quer que se encontre localizado.

Segundo o Livro “Memórias de um Suicida”, pag. 272:

“A Prece torna-se um ato tão louvável e de prestimosa repercussão, que aquele que ora por um suicida faz-se voluntário colaborador dos obreiros da LEGIÃO DE MARIA”.  


sábado, 15 de agosto de 2026

OS DESÍGNIOS DA DIVINDADE

 

“Deus sabe o momento exato de agir”.


Omar, um homem muito santo e muito justo da antiga Arábia, certa noite foi deitar-se cedo, cansado do trabalho cotidiano. Nem bem se deitara e ouviu uma voz forte e bem timbrada que lhe ordenava:

Omar, meu filho, levante caminhe sete dias e sete noites pelo deserto. No fim do sétimo dia, encontrará o seu destino.

Temente a Alá, Omar levantou-se rápido. A voz repetiu a mesma ordem novamente. Não tendo mais dúvidas e colocando uma manta de lã sobre os ombros, ele pôs-se a caminhar em busca do destino prometido, pois julgava ter ouvido a voz de um anjo do Senhor.

No fim do sétimo dia, cansado, Omar chegou a um grande oásis e, atirando-se à sombra de uma palmeira, começou a meditar sobre os desígnios da Divindade, até que avistou, a sua frente, um pequeno poço natural de águas límpidas. Então, lavou-se e imediatamente sentiu-se revigorado.

Completamente refeito, Omar ajoelhou-se e, contrito, agradeceu a Alá as graças recebidas. Encontrava-se ainda prostrado, rosto contra o solo, quando ouviu novamente aquela voz:

— Aqui é seu destino! Faça uso dele, segundo a vontade de Alá.

No oásis, Omar armou uma tenda. Peregrinos de todas as regiões vinham procurar o homem santo, com as mais diferentes doenças. Omar os mergulhava no poço e imediatamente todos ficavam livres de seus males.

A fama do poço de Alá e de Omar – o homem santo – crescia por toda a Arábia. Era cada vez maior o número de peregrinos doentes que o procuravam, e o santo do deserto a todos atendia com humildade e absoluta confiança nos poderes de Alá e do poço sagrado.

Um dia, chegou ao oásis uma rica caravana. E um Grande Senhor, cercado de luxo, dirigiu-se ao santo do deserto com grande autoridade:

— Ao poço, homem! Quero ser curado! – comandou ele – olhando com desprezo os milhares de peregrinos que se acumulavam ao redor do poço.

— Perdão, grande senhor – disse Omar, humildemente. — É a vontade de Alá que todo homem, para entrar neste poço sagrado, deva despir-se completamente.

— Tirar minhas ricas vestes para entrar neste poço? – gritou o potentado. — Nunca! Jamais! Sou um Grande Senhor, uma grande autoridade, e não ficarei nu diante dessa plebe ignorante!

— É a vontade de Alá! – explicou Omar com brandura, mas inflexível.

— Já disse e repito! É inadmissível, um homem como eu, despir-se perante essa gentalha!

— Mas é a vontade de Alá, Senhor!

 O potentado relutou, esbravejou e gritou em altos brados, que não tirava a roupa. Porém, vendo depois que Omar não abdicava de sua posição, começou lentamente a tirar, com maus modos, aquela roupagem deslumbrante.

Foi, então, que os pobres peregrinos, uma verdadeira multidão de párias e doentes, com evidente assombro, verificaram que o poderoso Senhor – o grande potentado –, pelado era igualzinho a eles!

Omar mergulhou no poço o Grande Senhor. Mas, ele saiu de lá tal qual entrara.

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O referido conto, adaptado do livro de Roger Feraudy “O Contador de Histórias” proporciona a quem o lê uma reflexão sobre o Orgulho e o Egoísmo – duas chagas da humanidade, que têm como consequências a escravidão e a miséria.

Tanto o Orgulhoso como o Egoísta de paixão incendida (que “arde” como fogo!) pelo seu apego exacerbado ao poder e às riquezas do mundo material sente a alma ferida após o desencarne.

Para ambos haverá, pois, “choro” e “ranger dos dentes” vendo seus corpos espirituais inflamados pelo mesmo fogo “ardente” de suas paixões.

E, tendo uma vaga lembrança das lições do nosso Modelo Divino – que fez da Caridade a virtude por excelência –. perdidos nas trevas, em prantos, eles suplicarão agora por socorro...

Entretanto, para a humanidade e para a vida de cada indivíduo há sempre um plano misericordioso e provedor nos “Desígnios da Divindade”.

Pois o próprio Nazareno disse que o Bom Pastor deixa o rebanho obediente e parte em busca da ovelha desgarrada, até encontrá-la. E completou:

“Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá...”.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

DEUS RESPONDE A TODAS AS PRECES

 

Deus conhece até as raízes dos nossos pensamentos!...


Emy tinha apenas 03 anos de idade. Vivia em um lugar sempre maravilhoso dos Estados Unidos, em frente ao mar.

De família cristã, ela fora alimentada, desde o berço por orações e Evangelho. Emy amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, de sua mãe e de seus irmãos.

Todos, em sua casa, tinham olhos azuis. Todos..., menos Emy!

O sonho de Emy era ter olhos azuis da cor do Céu. Como ela desejava isso!

Na escola de evangelização, um dia ela ouviu a orientadora dizer que Deus responde a todas as preces. E passou o dia pensando nisso.

À noite, na hora de dormir, ao lado da sua cama ela se ajoelhou e orou.

Sua prece foi um misto de gratidão e de solicitação:

— Senhor Deus, agradeço porque você criou o mar que é tão grande. Tão bonito e tão feroz. Agradeço pela minha família. Agradeço pela minha vida. Eu gosto de todas as coisas que você faz. Mas gostaria de pedir, por favor, quando eu acordar amanhã, que os meus olhos tenham ficado azuis como os de minha mãe!...

Ela acreditou que daria certo. Teve a Fé pura e verdadeira de uma criança.

Pela manhã, ao acordar, correu para o espelho e olhou. Abriu bem os olhos e qual era a cor deles? Bem castanhos! Como sempre haviam sido.

Bom, naquele dia, Emy aprendeu que “não” também era uma resposta. E agradeceu a Deus do mesmo modo, porque não entendia bem o motivo de não ser atendida.

Os anos se passaram. Emy cresceu e se tornou missionária, na Índia.

Entre outras atividades, ela se devotou a resgatar crianças que eram vendidas pelas suas próprias famílias, que passavam fome.

Para isso, ela precisava entrar nos mercados infantis, onde aconteciam as vendas. Naturalmente, para comprá-las para Deus – como dizia –, e precisava não ser reconhecida como estrangeira.

Então ela passava pó de café na pele, cobria os cabelos, vestia-se como as mulheres do local...

Aparentava ser uma indiana. E entrava nos mercados de crianças, podendo transitar tranquilamente.

Certo dia, uma amiga olhou para ela disfarçada e disse-lhe:

— Puxa, Emy! Você já pensou como faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como todos os de sua família? Que Deus inteligente, não? Ele lhe deu olhos escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiou.

O que a amiga não sabia é que Emy chorou muitas noites em sua infância, por não ter olhos azuis!...

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Quantas pessoas não dirigem uma Prece a Deus e não recebem resposta?

Quantos ainda não pedem pela recuperação da saúde de um familiar, e ele morre. E ficam então acreditando que Deus não os ouviu.

E aqueles que pedem auxílio para as suas dores, e depois quase vão ao desespero, porque as dores aumentam...

Entretanto, os que têm Fé afirmam que Deus sempre nos dá uma resposta.  

Pois, “Pensar em Deus é Prece!”.

Certa vez, um repórter perguntou à Madre Teresa de Calcutá:

— A senhora faz prece?

— Oh sim! Prece é coisa muito importante para mim!

— Como a senhora faz a sua prece?

— Eu não falo nada pra Deus; eu só escuto Deus!

— E o que Deus fala pra você!

— Ah! Ele também não me diz nada; só me escuta!

As Preces, de certa forma, funcionam, porque Deus, Nosso Pai, vê a nossa intenção e atende cada um segundo o seu merecimento, que vem de suas obras de Caridade, e da programação de sua reencarnação.

Segundo uma nota da Bíblia “um coxo cruzou o caminho de Pedro (apóstolo) enquanto ele estava andando, e sua sombra, de repente curou completamente aquele coxo”.

Isso nos recorda a cura à distância, do segundo milagre de Jesus, narrado por João 4 46-53. O qual foi possível graças ao dom de Ubiquidade do Mestre (de estar presente ao mesmo tempo em todos os lugares).

Talvez você desejasse olhos de outra cor. Mas, não se entristeça por não ser atendida como gostaria. Saiba que Deus tem o controle de tudo!...

E, com certeza, o “não” de Deus, hoje, em sua vida, é o melhor que lhe convém!

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Crônica baseada numa história do Livro Momento Espírita, Volume 05, pag. 21.

sábado, 1 de agosto de 2026

O REI DOS REIS

 

“A importância dos bens terrenos está na razão inversa da Fé na vida futura”.


Em Havre, 1863, o Espírito de uma Rainha da França se comunica e diz:

— Quem poderia, melhor do que eu compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: “Meu Reino não é deste mundo”.

— Por que estimada soberana?

— Por causa do meu orgulho na Terra. Quem, pois, compreenderia o NADA dos Reinos do Mundo, se eu não compreendesse?

— Mas, Vossa Majestade levou consigo algo da sua realeza terrena?

— Nada, absolutamente nada! Passei por uma lição terrível!

— Não é possível! A senhora é uma notável Rainha!

— Rainha eu fui entre os homens, e Rainha eu pensei chegar ao Reino dos Céus. Mas que desilusão! Quanta humilhação! Em vez de ser recebida como Soberana, eu vi, muito acima de mim, homens que eu desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre!...

— E qual lição Sua Majestade tirou disso tudo?

— Compreendi a fatuidade dos seres humanos.

— Fatuidade?...

— Sim! Compreendi a burrice dos seres humanos, e das grandezas que tão avidamente buscam sobre a Terra!

— O que fazer então na Terra para entrarmos nesse Reino dos Céus?

— Preparar-se o tempo todo! Pois no Reino dos Céus mais necessário é a abnegação, a humildade, benevolência e Caridade para com todos! Nesse reino não se pergunta o que você foi, mas o Bem que você fez.

— Oh Jesus! Por que é necessário sofrer tanto para se chegar ao Céu?... Os degraus do trono não valem nada?

— Não!... São os caminhos mais penosos da vida que nos conduzem ao Céu. Aqui não há ilusões! Procurai, pois, o caminho através de “espinhos e abrolhos” e não entre flores!

— Meu Deus! Tende piedade dos que não ganharam o Reino dos Céus! Não os esqueça! Que possamos ajudá-los com nossas Preces, porque a Prece nos aproxima do seu imenso Amor!

A PRECE É O TRAÇO DE UNIÃO ENTRE O CÉU E A TERRA!

Para o ser humano tudo importa na vida, tanto o Mal que o atinge como o Bem que toca os outros.

Pois, vive como o homem que, vê tudo grande ao seu redor; mas que, subindo a montanha, tudo lhe parece pequeno. E acaba até se confundindo, ao ver gentes grandes e pequenas como se veem formigas num monte de terra.

 Visto assim, o poder na Terra não tem valor. E a pessoa meditando sobre isso, se coloca pelo pensamento, na Vida Espiritual, que é infinita, pois a Vida Corporal não é mais para ele do que uma rápida passagem na Terra.

A morte não mais lhe apavora, porque não é mais a porta do NADA, mas a porta da LIBERTAÇÃO.

Além disso, vemos que o título de Rei aqui na Terra é dado, por consenso da maioria, aos que estão no topo de alguma atividade. E nesse sentido é que se diz: o Rei dos artistas; dos poetas; dos escritores, etc.

Esta é uma Realeza, que nasce do mérito pessoal; e vale muito mais do que a Realeza terrena de Reis coroados na Terra, a qual depende de certas circunstâncias... Pois, às vezes é até amaldiçoada!...

A Realeza daquele que vive numa abominável arrogância sempre acaba no túmulo, enquanto que a Realeza nascida do mérito – a REALEZA MORAL – é imperecível e será abençoada pelas gerações futuras... Pois continua a imperar, sobretudo, depois da morte.

Sob este aspecto, JESUS é muito mais poderoso do que os potentados da Terra. E foi por esta razão, que Ele disse a Pilatos: EU SOU REI, MAS O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO.

JESUS, O REI DOS REIS é, pois, o Governador Espiritual de nossa Casa Planetária, a qual, segundo a Ciência, existe há mais de 4,5 bilhões de anos.

É o nosso “irmão mais velho” com uma idade incalculável de “zilhões” de anos. Unificado ao Nosso PAI, Ele governa, segundo um podcast, outros nove planetas. E, contudo, conhece cada uma das almas que estão sob a sua responsabilidade.

Na Terra somos oito bilhões de almas encarnadas e mais de duas vezes isso de almas desencarnadas que vivem na Parte Espiritual. E o nosso Mestre nunca as abandonou!

Por isso, devemos embasar nossas ações sempre no exemplo de JESUS.  

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Crônica escrita, com base nos textos do Cap. II do Evangelho Segundo o Espiritismo.

sábado, 25 de julho de 2026

O CERVO ORGULHOSO

 

“Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade” (Paul Valéry)


Um Cervo estava à procura de uma fonte para matar a sede. Logo encontrou um regato de águas frescas e cristalinas. Sem pressa, tranquilamente se abaixou para sorver o líquido procurado.

Após matar a sede, despertou-lhe a atenção alguma coisa que antes nunca tinha observado. Ele viu, espelhado nas águas límpidas do regato, as suas pernas compridas, tortas, com pés horrorosos, que formavam um triste contraste com os seus formosos chifres em galhos. E desgostoso exclamou:

— É bastante verdade o que dizem as pessoas a meu respeito. Eu supero a todos da minha espécie em graça e nobreza! Quanta elegância majestosa se verifica, quando levanto graciosamente a minha galhada! Entretanto, há uma incontestável verdade ao lado disso: em contraste com essa exuberância tenho os meus pés tão horrorosos!...

Ao mesmo tempo, que escarnecia e ironizava a feiura dos seus pés nas pernas tortas e desengonçadas, ele vê sair da floresta, vindo em sua direção, um esfomeado leão.

Em dois saltos firmes e velozes, colocou-se fora do alcance do inimigo.

Mas, na sua precipitada fuga, o Cervo resolveu passar por uma trilha apertada da floresta. Não havia avançado muito, quando teve a sua galhada presa num espinhal, cujos ramos mais finos se emaranharam, formando um verdadeiro alçapão.

Desesperado, o Cervo lutou para sair dali. No entanto, todo o seu esforço foi em vão. Enquanto isso, o leão o alcançou, devorando-o sem compaixão.

Assim, os pés e as pernas que o Cervo tanto depreciava o teriam salvado se a galhada de que tanto se orgulhava não o fizesse perecer.

MORAL DA HISTÓRIA:

O orgulho precede a queda. Pois, quem se sente grande demais ignora o infinito ao seu redor.

O Cervo orgulhoso demonstrava um exagero doentio de amor- próprio e ignorava tudo o mais que o envolvia.   

Por isso, o orgulho, que é a raiz de todos os vícios é considerado a maior “Chaga da Humanidade”.

Uma boa parcela da humanidade é assim! Há pessoas que se julgam tão superiores a ponto de negar que somos todos iguais; com os mesmos direitos e deveres. Pois rejeitam os desígnios do Criador.

E todas as suas atitudes refletem a imperfeição moral que possuem. E isso se torna o principal obstáculo à sua evolução espiritual, à caridade, assim como ao autoconhecimento.

Conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, o orgulho é a origem da maioria das dores e conflitos individuais quanto coletivos. Pois gera a soberba, a vaidade e a dificuldade de perdoar.

O orgulho é a negação da Caridade, pois impede o amor ao próximo, como Jesus recomenda nos Evangelhos. O orgulhoso não vê o outro como irmão em igualdade de condições.

O orgulho é uma das principais manifestações do Ego.

Enquanto o Ego é a nossa identidade mental (que busca validação, superioridade e proteção), o orgulho é a couraça que ele utiliza para esconder inseguranças, impedir o perdão e evitar admitir erros.

O orgulho tem duas vertentes:

a)  Orgulho Autêntico: nasce de conquistas genuínas. Embora venha do Ego ele pode promover a autoestima e a motivação.

b)  Orgulho Hubrístico (excessivo): Ego negativo, baseado na arrogância, na teimosia, autoconfiança desmedida e na ilusão de superioridade, que afasta as pessoas e impede a empatia. 

Enquanto o egoísta é indiferente, o orgulhoso atribui seu sucesso apenas aos seus próprios méritos. Não admite os próprios erros e se revolta nos momentos de dificuldade, pois acredita ser merecedor na vida de um tratamento especial. E tem então dificuldade de crescer, pois bloqueia todo o seu processo de reforma interior.

Disse Vianney, cura d’Ars que:

“O orgulho é um vento tão fino, tão sutil, que ele penetra em quase todas as nossas ações”.

E, qual é o antídoto para isso?

— É a HUMILDADE.

A Humildade é:

I – Um sentimento íntimo que fortalece tanto a nossa Fé quanto a Caridade.

II – Uma virtude que nos tira do pântano do orgulho no qual ainda estamos mergulhados, sem nos rebaixar ou anular a nossa identidade.

sábado, 18 de julho de 2026

CONVERSAS DO COTIDIANO

 

O principal combustível do médico é o doente.


Na clínica, a conversa é sobre o novo tempo de Regeneração que se aproxima, das mudanças que ocorrerão; quando um Paciente pergunta:

— Doutor, qual é o propósito da medicina?

— Ora! Tratar dos doentes... E curar as doenças!...

Mas o Paciente faz outra pergunta:

— Se a medicina acabar com as doenças não vai acabar também com os doentes?

— Claro que sim!...

— Já pensou Doutor, se nesse novo tempo que está chegando para o planeta ninguém mais ficar doente como estão falando!... O que acontecerá com os médicos? Acabam-se as doenças, e os médicos, como ficam?!

— Acabam-se os médicos também!

— Então, porque não se eliminar de vez as doenças do mundo?

Diante do silêncio do Médico, o Paciente então argumenta:

— Nesse caso Doutor, temos uma situação enigmática: ou a medicina quer e não pode acabar com as doenças, para ter mais doentes, ou então, a medicina pode e não quer acabar com as doenças para ter pessoas cada vez mais doentes e ela, por conseguinte, sobreviver...

— Ah, isso é trocadilho malicioso, de duplo sentido!...

— Não Doutor! Sem doenças não há doentes. É equação pura e simples!... O Médico está para o doente e para a doença, assim como a doença e o doente está para a medicina.

— E isso evidencia o quê? – brinca o Médico, piscando os olhos.

— O fator comum dessa equação, Doutor, é a medicina, que está para todos! E a evidência na resolução desse enigma é a seguinte: acabando-se as doenças desaparecem os doentes...

— E como fica o Médico nisso?

— O Médico fica só com o fator preventivo da questão para evitar que se instale a doença e haja doentes.

O Paciente, já meio se despedindo, arrematou assim a conversa:

— A medicina preventiva é muito melhor que a medicina curativa, que é simplesmente sintomática.  

Finda aquela conversa pública, o consulente ao lado me perguntou:

— O que será que esse Paciente quis dizer com medicina sintomática?

Medicina sintomática deve ser a que não procura as causas das doenças, que trata apenas dos sintomas.

— Ah, já sei, é a medicina que trata só os efeitos da enfermidade, que não vai à sua raiz, que não busca saber a causa, o porquê de ela aparecer.

Pensei em Emmanuel dizendo que a maioria das doenças possui sua raiz no corpo espiritual, e falei:

— As doenças surgem quando há um desequilíbrio entre o Espírito, o Perispírito (corpo espiritual) e o corpo físico...

Após uma pausa, eu continuei.

— Bem, trata essa questão da Lei de Causa e Efeito, ou Carma – Lei Universal da Justiça Divina –, cujo princípio nos diz que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. E, às vezes, até abordada como Lei da Compensação.

— Ah, essa eu já ouvi. Tá numa canção do Jackson do Pandeiro, que tem o seguinte refrão: “Existe no mundo, meu irmão, a Lei da Compensação!”...

E cantarolando e tamborilando esse lindo refrão, ele se levantou e adentrou a sala do Facultativo, para consultá-lo.

E eu fui pra casa pesquisar sobre a Lei da Compensação Divina.

Descobri tratar-se da Lei Moral que governa o Universo, que consiste em:

Dar a cada indivíduo o que é seu por merecimento, por esforço ou necessidade, garantindo a equidade.  

Pois, o Universo é um sistema de equilíbrio. Aquilo que lançamos no mundo volta para nós, muitas vezes...

Com fundamento nessa Lei da Compensação a Bíblia registra que:

“A caridade cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4;8 / Pr 10:12).

Ensinamento este que assegura que o Amor sincero e a Caridade têm o poder de reparação e amortização de muitas de nossas dívidas passadas, acelerando a nossa evolução espiritual. 

A reparação ocorre quando o Bem anula o Mal. Pois toda a dedicação em fazer o Bem neutraliza as vibrações inferiores e transforma o nosso “mapa” de vida.

A amortização de débitos se dá no Amor ao próximo, pois a Caridade é a complementação da Justiça Divina.

A Lei da Compensação trabalha ainda pela nossa transformação interior através do perdão, da paciência, da compaixão... E nos livra de expiações e sofrimentos.

sábado, 11 de julho de 2026

VILMA CINTILANTE

 

“A oração é o suor da alma”. (Martinho Lutero).


O suor da alma, citado por Martinho Lutero, me fez pensar sobre a energia da alma, que se manifesta em uma oração sincera ao Criador.

Lembrei-me, então, de um ato de oração que aprendi numa pescaria. Eu era adolescente e acompanhava meu pai e dois amigos dele nessa aventura.

Na hora de voltar pra casa muita chuva. O carro encalha numa subida. Diante da dificuldade de sair do atoleiro, o motorista, que tinha até fama de benzedor, disse:

— Vamos orar!... Deus vai nos ajudar a sair daqui!... As energias do rio, dos pássaros, das flores e das matas vão fortalecer a nossa prece...

Oração feita, O motorista funciona o carro, acelera, desliza de um lado para o outro, mas sai da valeta.

Curioso, eu perguntei:

— Mas, como é que deu certo?!...

— Foi o “suor da nossa alma nesta oração” – disse o Benzedor –, que nos impulsionou pra achar a saída...

Refleti bastante... E, depois, entendi que esse “suor” nada mais é do que a energia da Fé! Que eleva o pensamento humano até a sua comunhão com o Criador! Atraindo, assim, do mundo invisível, a presença de entidades que se incumbem de auxiliar o suplicante.

Anos após, leio o livro “Pequenos Milagres II” de Yitta Halberstam & Judith Leventhal – Rio de Janeiro: Sextante, 1999. E encontrei mais um exemplo de oração que dá sustentação a nossa alma.

Brad Fregger é o personagem que narra este conto, aqui adaptado:

Estávamos morando em Long Beach, Califórnia, no começo dos anos setenta, e eu acabara de arrumar um emprego em São Francisco. Estava dirigindo meu pequeno Fusca (nós o chamávamos de Vilma Cintilante) na autoestrada 05, completamente sozinho, quando subitamente ele parou.

 Até onde eu sabia a cidade e o posto de gasolina mais próximo ficavam a mais de setenta quilômetros de distância. Minhas chances de conseguir ajuda pareciam mínimas. Mexi no carro quanto pude, mas nada adiantou...

Eu estava sentado na beira da estrada há mais ou menos uma hora, e desamparado, quando olhei para o relógio e vi que eram seis e quinze. Nervoso, imaginei se seria capaz de chegar a São José em tempo para o meu primeiro dia de trabalho, às oito horas da manhã seguinte.

De repente, sem refletir, peguei automaticamente as chaves e tentei ligar o motor mais uma vez. Não sei o que me levou a fazer isso; uma pressão interna sem explicação me impeliu a tentar de novo. Para minha surpresa, o motor pegou como se nada tivesse acontecido. Que choque! Juntei as minhas coisas e dirigi o resto do caminho sem maiores incidentes.

À noite, liguei para minha esposa, Katie, e lhe disse que havia chegado a salvo em São José, que não se preocupasse que tudo estava bem.

— Ah – ela disse –, eu não fiquei preocupada. Durante o jantar as crianças e eu fizemos uma oração especial para você e a Vilma Cintilante.

— Sabe que horas eram?

— Exatamente seis e quinze. Eu olhava no relógio do forno para não queimar o jantar.

Lembrei-me então de uma frase que lera em algum lugar:

“Quando oramos, estamos falando com Deus. Quando acontece um milagre, é Deus quem está falando conosco”.

Ao ler esta história fiquei me perguntando: Afinal o que é a oração?

E voltei a pensar que a oração é o sopro (ou suor!), que sustenta a nossa alma para mantê-la numa Fé viva todos os dias. Que nos inspira a confiar no invisível, acreditar no impossível e encontrar a luz que nos guia e renova o nosso coração.

No fundo, a função da oração não é influenciar Deus, mas mudar a natureza de quem que ora. Pois é um processo de transformação interior, de alinhamento espiritual do indivíduo.  

A oração deve nos colocar em uma posição de humildade, sem tentar impor nossas vontades, diante do maior campo de forças da Consciência Absoluta do Universo, que pode criar os caminhos para a realização de nossas súplicas.

A oração é um poderoso incentivo para o nosso desenvolvimento e, por isso, deve ser praticada e aperfeiçoada.

“E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21,22).