A Verdade sempre aparece...
Diz a tradição, que a Verdade vivia pelas ruas de um vilarejo nua, fria e faminta. E que sua
nudez crua e direta assustava os moradores!...
Por onde passava viravam-lhe o rosto, batiam
as portas em sua cara e a rejeitavam.
Triste num canto e encolhida de frio, a Verdade foi encontrada pela Parábola, que vendo o seu sofrimento,
disse-lhe:
— Não chore amiga. Eu entendo bem porque as
pessoas a evitam. Pois o ser humano tem muita dificuldade em encarar a Verdade nua e crua de frente.
A Parábola
levou a Verdade pra casa,
agasalhou-a, cobriu-a com mantos e adornos leves, e belas histórias.
E a Verdade,
sob as vestes da ficção, voltou a caminhar pelo lugarejo. Desta vez tudo foi
diferente!... Os mesmos que a enxotavam, agora lhe abriam as portas, pediam
para sentar, se alimentar; e se aquecer junto às suas fogueiras.
Moral da história: Nosso coração
muitas vezes não suporta o peso da Verdade
nua e crua. Mas, quando ela se veste com a beleza de uma Parábola, nós a recebemos de braços abertos.
Este conto da sabedoria judaica ilustra e
esclarece bem o andamento necessário para se conhecer a Verdade.
Emmanuel, no Livro A Caminho da Luz –
psicografado por Chico Xavier – passa a ideia de que o entendimento da Verdade é progressivo e relativo ao nosso grau de evolução.
Esta visão indica que a Verdade muda com o passar do tempo!... Que as pessoas absorvem
apenas parcelas da Luz de acordo com o seu adiantamento.
Embora se pondere, que em si mesma a Verdade é absoluta em Deus, sabemos que
ela se torna relativa, por causa da
percepção limitada, de todos os seres que estão ainda em evolução.
Jesus tinha pleno juízo disso!... Pois certa
ocasião, segundo João (8,31-35), Ele disse aos que nele acreditavam:
— Se permanecerem firmes na minha palavra,
verdadeiramente vocês serão meus discípulos. “E conhecerão a Verdade e a
Verdade os libertará”.
— Somos descendentes de Abraão e nunca fomos
escravos de ninguém. Como pode dizer que seremos livres?
E Jesus
esclareceu:
— Digo a Verdade:
Todo aquele que vive pecando é escravo
do pecado.
Por essa exposição, temos aí duas revelações: I – Que os cristãos um dia conhecerão a
Verdade; II – Que a Verdade os
libertará.
Mas a Verdade
os libertará de quê? A resposta de Jesus
foi categórica: – do pecado!...
Porque é o pecado que os escraviza.
Considerando que o pecado é o oposto de se viver de forma correta diante de Deus,
deduz-se que o pecado é uma transgressão
às Leis de Deus.
Portanto, o pecador é um alienado. Que
vive no erro, no equívoco, agindo por ignorância, por desinformação...
E só mesmo a Verdade pode libertá-lo das
mentiras; das narrativas falsas; da ignorância; enfim, de tudo que o escraviza.
“Não há nada oculto
que não venha a descobrir-se.” (Lucas
12,2).
Tudo será revelado!... Porque tudo se
transforma... E renasce na Verdade
de uma nova versão. Da versão que
agora você tem de si mesmo, que o livra de suas próprias iniquidades. Maldades
estas, que como o lixo são descartadas no aterro sanitário da alma. Caem no esquecimento e
desaparecem.
Liberto de sua ignorância e livre do seu
passado de erros, você está salvo de
si mesmo!... Do peso de sua própria consciência!... E não se sentirá mais
culpado de nada!...
O ser humano é dotado de razão e de sentimento – os dois
polos do seu processo evolutivo. Que se interagem e transformam a sua
realidade.
Quando sua Alma está livre, seu pensar
se completa com o seu sentir e
vice-versa. E a sua Verdade não teme
mais o erro, pois a Luz não pode ser
absorvida pelas trevas.
Você deixa de ser cego para as coisas de
Deus. E passa a compreender a vida
na sua magnitude.
Sua compreensão então já não vem só do
raciocínio, mas da razão aliada ao sentimento: os dois grandes faróis resplandecentes da Estrada da
Vida.
Faróis iluminadores que atraem e impulsionam as
pessoas na busca pela harmonia entre o pensamento lógico e a sensibilidade do
coração para expandir a evolução da sua consciência.