Jesus ensinou e viveu as virtudes com maestria e
sabedoria.
Um conto indiano, citado em palestra
pela Profª Lúcia Helena Galvão, da escola de filosofia Nova Acrópole, intitulado
“O
Filósofo e o Porco”, nos ensina como incorporar virtudes que compõem o Bem Supremo em nossas ações, tais como: Paciência;
Bondade; Generosidade; Humildade; Delicadeza; Tolerância, etc.
Certa vez um Filósofo prometeu a dois jovens Aprendizes que os levaria ao alto da montanha para conhecerem um Sábio. E disse que se esforçassem para ganhar esse
prêmio. Eles assim o fizeram e alcançaram a recompensa.
O tão esperado momento chegou. E lá
estavam os dois Aprendizes no ponto
de encontro antes mesmo do amanhecer.
Enquanto esperavam viam a feira local
movimentada de gente carregada de coisas e animais. E um jovem Pastor que conduzia porcos para serem comercializados e
dentre eles um porco grande e manco,
devido a uma ferida numa das patas. Isso irritou o Pastor, que acabou dando uma surra no animal.
Um Ancião vendo aquilo chegou perto do Pastor e pediu para que ele pudesse carregar o porco. Assustado, o Pastor
permitiu, mas não acreditando que aquilo seria de fato realizado.
O Ancião carregou o porco,
com muita dificuldade, se lambuzando todo!
Os dois Aprendizes perplexos, não viam qual a necessidade daquilo!? Que deixasse
o animal sofrer, afinal era só um porco!
Pois, não haveria nenhuma gratidão por isso. O porco por natureza não
agradeceria. E o Pastor, fazendo-se
de desentendido, não via sentido nisso!
Quando o Filósofo chegou, os três subiram a montanha comentando aquele caso.
O Filósofo, convicto, explicou:
— O Ancião carregou o porco por
ele mesmo, pela paz de sua própria consciência.
Se não fizesse, quando se lembrasse daquele fato ele lhe doeria, já que
viria à sua mente o que ele deveria ter feito de justo e não o fez.
Já no alto da montanha, quanta honra
aos jovens conhecer um Sábio!
Bateram à porta da casa, mas foram
recebidos pelo mesmo Ancião que eles
viram na feira. Os jovens ficaram assustados com a coincidência, porém não
falaram nada! Tiveram um dia de aprendizado ali e ao irem embora, já no fim da
tarde, o Sábio perguntou:
— No que mais eu posso ajudar?
Meio relutantes eles o indagaram:
— Por que Ancião, o senhor fez tanto esforço para carregar um porco manco hoje de manhã, que era
conduzido por seu Pastor até a
feira?
O Sábio, bem sereno, respondeu:
— Hoje de manhã? Porco?... Que porco? Não
estou me lembrando de porco algum!...
Peço desculpas, mas não sei do que estão falando!...
Os Aprendizes se despediram e desceram a montanha sem entender
nada!... Mas, bastou o Filósofo dar
uma gargalhada, que eles lhe perguntaram:
— Mestre, do que está rindo?
— Só agora que estou atentando para o
fato. Aquele homem, diferente de nós,
era um verdadeiro Sábio!...
E o Filósofo arrematou:
— Eu carregaria o porco por disciplina, mesmo reclamando da
má sorte de tê-lo encontrado. Mas o Sábio,
não! Ele carregou o porco com tanta naturalidade,
como se respirasse, e sem registrar isso na mente como algo diferente da sua
rotina.
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Este conto mostra a diferença entre a
VIRTUDE, em treinamento, pela disciplina do
Filósofo; e a VIRTUDE do Sábio, em
realização, por natureza.
O Sábio, por sabedoria, age
com naturalidade, de forma espontânea, sendo o ato esquecido imediatamente,
pois não tem necessidade de se orgulhar ou de se lembrar de atos virtuosos. Ao
passo que o Filósofo, que age por disciplina, faz a mesma coisa,
mas com muito esforço, consciência, registrando ainda a sua ação na memória.
As Virtudes no Filósofo ainda
estão em processo de transformação e
precisam ser várias vezes repetidas até que se torne natural.
No Sábio as Virtudes estão
implícitas na sua conduta reta; nele já se incorporaram pelo resultado de uma transmutação – mudança total da
natureza do seu ser.
Para deixar a condição de Filósofo e se tornar um Sábio você tem que carregar, por
disciplina, milhares de vezes um porco
nas costas!...
Peense
niiisso!...