Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sábado, 31 de janeiro de 2026

SENTENÇA MORAL REVOLUCIONÁRIA

 

“Amai muito, para serdes amados!” (Sansão).


O subtítulo desta crônica é uma frase comentada por Sansão no Cap. XI do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Sansão, em 1863, era membro da Sociedade Espírita de Paris.

Seu pensamento justo e inovador é consolador, pois acalma as dificuldades do dia a dia. Mas, para entendê-lo bem algumas considerações preliminares são necessárias.

Sem delongas, lembre-se de que a vida é eterna e não se limita a uma única existência. E que somos atraídos a viver na Terra em consequência de nossos laços Cármicos, pelas forças do Amor ou da Dor.

Existem duas teorias relativas ao Amor: a primeira diz que “Quem ama sofre”, e a outra revela que “Quem ama se liberta da Dor”. 

Estão certas as duas concepções.

O Amor Pessoal – de quem AMA outra pessoa – traz naturalmente a DOR, pois as pessoas são falíveis e produzem a DOR. Porém, quando a pessoa Ama Espiritualmente, este AMOR traz alegria e a liberta da DOR.

O Amor Pessoal pede recompensa. Pois, sempre que amamos alguém como filho (a), pai, mãe, irmã (o) ou amigo, existe em nós o Sentimento da Posse, que se relaciona com a ideia de Gratidão ou de Ingratidão.

E, nessas relações mútuas de Simpatia e Antipatia, nos enredamos em Carmas ora Bons, ora Maus.

Mas, se o nosso Amor é Espiritual conseguimos compreender que somos todos irmãos, porque viemos todos de uma fonte comum. E se temos hoje um pai ou mãe, teremos outros em novas encarnações e, é natural que o nosso amor seja universalizado, pois os laços espirituais são eternos, enquanto os laços da carne são temporários...

Este Amor Espiritual nos atrai para a Terra. Pois, não seremos felizes enquanto nela existir Dor. E estamos prontos para renunciar nosso gozo pessoal para ver outras pessoas felizes.

Feito este preâmbulo, voltemos ao texto de Sansão, quando ele diz:

“Amai muito!”. Fazendo isso, você se elevará acima da matéria e se espiritualizará antes mesmo de se despir do seu corpo terreno.

E quando você se elevar bem alto, vai julgar sem as restrições da matéria e não condenará o seu próximo sem antes dirigir seu pensamento a Deus.

Amar muito, do íntimo de seu coração, é uma atitude revolucionária, pois segue um princípio básico dos ensinamentos de Jesus, que consiste em: “fazer aos outros aquilo que se deseja para si mesmo”. 

Esta atitude revolucionária não expressa, porém, um sentimento de belicosidade, de revolta armada. Ao contrário, ela se manifesta no sentido de causar uma notável mudança na maneira de pensar das pessoas, para levá-las a encarar a Grande Família Humana como a sua própria, pois somos todos irmãos, filhos de Deus, marcados para evoluir...

“Amai muito!” é a comprovação de que você progride sempre... Pois você é atualmente infinitamente melhor do que há Cem Anos; de tal forma você se modificou para melhor, que aceita hoje, sem repulsa, uma infinidade de ideias, que antes rejeitava. E daqui a Cem Anos você aceitará com a mesma facilidade as outras ideias que ainda não puderam entrar na sua cabeça.

Sansão nos esclarece ainda, que isso acontece porque essas ideias correspondem ao que há de Divino em nós. E com razão, pois somos uma pequena partícula da Energia Divina!

Deus está dentro de nós. Da mesma forma que nós estamos mergulhados Nele como os peixes estão no mar. Está nos Salmos 81,6: “Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”.

Sentimo-nos, pois, preparados para a semeadura fecunda das ideias de progresso, sob as ordens do Altíssimo, que resultarão na mudança universal de Amor ao próximo.

E sob esse novo entendimento do AMOR, dar-nos-emos as mãos até os confins da Terra, hasteando a Bandeira da Verdade no ponto mais alto da nossa casa planetária, para que resplandeça a Luz do Cristo por todas as dimensões da Via Láctea.

Veremos, então, a destruição de todas as injustiças e de todas as causas de desentendimento entre os povos.

Eis a máxima revolucionária, que produzirá o Grande Milagre dos tempos vindouros: “Amai muito, para serdes amados!”.

sábado, 24 de janeiro de 2026

CAMINHEIROS DO INFINITO

 

Caminheiros que lá vão indo pro rumo da nossa Casa!...


A concepção de um Universo Estático, das antigas tradições, sumiu com o progresso da Ciência. Pois era uma ideia equivocada, que arrastava o ser humano para um acúmulo crescente de dívidas, em vez de libertar-se delas.

Agora, por fatos cientificamente comprovados, já se sabe que há movimento e vida em todos os reinos da natureza.

“Na natureza nada se perde, mas tudo se transforma”.

Esta Lei formulada por Lavoisier aplica-se ao mundo material, bem como aos mundos invisíveis. Ela comprova que a matéria do corpo físico ao passar pela chamada “morte” não desaparece, mas se transforma.

Ciente de que o movimento é que dá vida ao Universo. E sabendo que este sentido dinâmico da Criação já alterou até a concepção de Deus! E que, ainda, mudou a concepção da natureza do ser humano!  Torna-se necessário refletir então sobre este mundo original:

a) onde Deus é o PAI NOSSO presente em nós, e nós somos uma partícula Sua;

b) onde o ser humano deixa de ser um simples ator para ser o criador do seu próprio destino.

Caminheiro é aquele que anda... Todavia, no sentido Espiritual, é aquele que percorre o Caminho que simboliza a direção, o rumo da sua vida na busca por um propósito.

E a “caminhada” representa a jornada evolutiva da humanidade, pautada nos ensinamentos do Evangelho e na prática da caridade.

Pois, “Caminheiros do Infinito” somos todos nós os viajantes cósmicos, transeuntes de sucessivas existências, focados no autodesenvolvimento, no serviço e na Fé, trazendo energia positiva ao nosso mundo.

Ser um “Caminheiro do Infinito” exige, pois, uma postura de vida guiada por valores morais de responsabilidade, simplicidade, honestidade, humildade, resiliência, empatia, tolerância, visando iluminar a vida das pessoas ao seu redor pelo exemplo de seu modo de agir.

Os “Caminheiros do Infinito” estão ligados à ideia de Mensageiros, que auxiliam no progresso Espiritual da Terra. Pois trilham uma estrada de autotransformação onde o objetivo é servir como um canal para o amor e a sabedoria divina.

Cada “Caminheiro” sabe que ele é alguém no Caminho, sentindo a própria Vida e a Vida de Deus que nele está latente, ora andando apressado, ou ora devagar... Mas caminhando sem desânimo, ele percebe que a estrada está aberta para a sua jornada constante de evolução pessoal e de auxílio coletivo. Seguindo sempre uma “pegada” de autodescobertas como trabalhadores da Luz e da Paz.

Para os “Caminheiros do Infinito”, a Luz simboliza: o Autoconhecimento que dissipa a ignorância; e a Verdade, que indica o Caminho do Amor a ser seguido na vida.

Trabalhadores da Luz são, então, todos os “caminheiros” que se sentem chamados a trazer curas, amor e boas energias ao nosso mundo.

A Paz é o outro símbolo relevante para os “Caminheiros do Infinito”, porque representa a promoção da Harmonia e do Equilíbrio, que resulta em tranquilidade e reconciliação tanto na vida pessoal quanto na sociedade, independentemente de filiação religiosa.

"A Paz no Mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em Paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das Nações?”.

Os “Trabalhadores da Paz” referem-se àqueles ligados a instituições e grupos religiosos. Porém, em um contexto amplo, o termo também evoca conceitos espirituais e de serviço, pois está associado à ideia de seguir o caminho do Bem, do Amor e da Caridade, buscando a Paz interior e a fraternidade.

O “Caminheiro” sabe que nada cresce ou se desenvolve sem ser pelo próprio esforço. Sabe que esse Caminho, com espinhos e flores colocados por ele mesmo, é o regresso à sua verdadeira morada.

Todo Caminheiro faz parte dos artesãos da Luz e da Paz, empenhados coletivamente na construção de um Novo Tempo, com base nas “Bem-aventuranças” do Cristo.

“Caminheiros do Infinito” são, em suma, aqueles que têm por princípio a fraternidade e a instrução do Mestre:

“De graça recebestes, de graça deveis dar”. (Mateus 10,8).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

LEI DE DOMÍNIO PÚBLICO

 

A força motora da transformação social.


Domínio Público refere-se a bens de uso comum da população, como ruas, praças e estradas... Pode-se dizer, então, que Lei de Domínio Público significa uma regra, ou um ditame moral doutrinário e filosófico, que a razão entende ser universal e disponível gratuitamente ao livre acesso de todos os interessados... Sem exclusividades!

Um exemplo disso é a doutrina das vidas sucessivas, que não limita a vida espiritual entre o berço e o túmulo.

Esta doutrina foi revelada pelos próprios Espíritos, e comprovada pelo Espiritismo através de fenômenos que provam a continuidade da vida após a “morte”. Não obstante, foi a Teosofia, ao criar uma literatura mista Oriental / Ocidental, que acelerou a sua difusão para toda a humanidade.

A Reencarnação é o processo específico do retorno do Espírito a um novo corpo de carne, como parte de suas vidas sucessivas.

Mas, é também uma Lei Espiritual correlata à Lei magna da Evolução, mantendo com ela uma relação mútua:

— De Justiça, quando demonstra a lógica de que: “Quem semeia ventos, colhe tempestades”; ou a verdade de que: "Toda árvore boa dá bons frutos”; e vice-versa!...

— De Igualdade, ao demonstrar que nacionalidade, raça, cor, sexo são formas suscetíveis de mudanças rápidas de uma encarnação para outra.

Ao estabelecer o sentido verdadeiro de justiça e de igualdade, ela estimula a humanidade para dias melhores!...

Daí a vontade que a alma sente de reencarnar, para evoluir rapidamente, através de experiências inovadoras ou reparadoras, porque aqui tem deveres a cumprir e dívidas a pagar.

Se acrescentarmos, ainda, as Fugas do Subconsciente – como mecanismos de autodefesa –, pode-se deduzir que a Lei Espiritual de Reencarnação é de Domínio Público, pois todo ser humano já nasce com ela e, inconscientemente a carrega dentro de si.

A Reencarnação tem uma Práxis evolutiva que nos leva sempre adiante, sem nunca retroceder. Funciona como uma roda (roda do Samsara), que num vaivém de idas e vindas, seus giros em forma de espiral paulatinamente se ampliam, pois a alma progride sempre em busca de uma ascensão espiritual. Por isso, esta Lei (criada por nós mesmos!) existe para a nossa libertação.

O indivíduo é o único responsável pela sua situação. Quanto mais progride maior é o seu livre-arbítrio e melhor é a escolha do ambiente onde vai nascer.

Existência após existência ele aumenta a compulsão de modificar a sua consciência e de se aperfeiçoar com mais experiências adquiridas.

Por isso, a Lei da Reencarnação é compulsória (inevitável) – não por imposição de Deus! – mas, sim, pela própria criação de cada um. Só o indivíduo cria essa obrigatoriedade e só ele pode dela se desobrigar!...

É uma Lei maravilhosa, com força de Livramento, pois libera o indivíduo de seus erros e o auxilia a adquirir as qualidades necessárias para sentir a sua Divindade, como Jesus nos ensinou, ao afirmar “Vós sois deuses!”.

Diante de tantas injustiças e de uma curta existência, como alguém poderia cumprir as palavras do Mestre: “Sede perfeitos como perfeito é o Pai que está no Céu?”.

A Reencarnação é uma norma de raciocínio lógico, descoberta pelo próprio indivíduo, quando a razão fala mais alto ao seu coração. E é no meio desse labirinto de indagações que ele descobre..., que nenhum dos filhos de Deus está perdido!...

Se os princípios reencarnacionista são pacifistas e verdadeiros, porque essa teoria é tão pouco difundida? Porque ela depende do nível de consciência (de autoconhecimento ou iluminação) da humanidade.

A Teoria da Reencarnação é igual a CUPIM carcomendo a madeira sem que ninguém perceba! Sendo sábia e verdadeira, ela vai se infiltrando, assim, em todas as filosofias para se tornar o edifício cultural de um Novo Tempo.

E nenhuma força poderá detê-la, pois muitos Espíritos que atualmente se reencarnam já nascem conscientes de suas vidas anteriores!...

“Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo”. (João 3,7).

sábado, 10 de janeiro de 2026

TEMPOS DE ARREBATAMENTO

 

Em todos os recantos do mundo soa um sussurro de alerta...


Conta-se que um tenista, após vencer um dos principais torneios de tênis ao redor do mundo (Grand Slam) foi pegar o seu carro no estacionamento. Uma mulher se aproximou e, depois de cumprimentá-lo pela grande vitória, contou-lhe que seu filho estava às portas da morte e que estava sem dinheiro algum para as despesas do hospital.

O tenista, sem pestanejar, deu-lhe imediatamente uma parte do dinheiro do prêmio recebido naquela tarde.

Dias depois, num almoço no “Professional Tennis Association”, ele comentou esse episódio com alguns colegas. E um deles perguntou-lhe:

— Você conversou com uma mulher loira, com uma cicatriz debaixo do olho esquerdo?

— Sim! – concordou o tenista.

— Você então foi trapaceado – disse-lhe o amigo – Essa mulher é uma vigarista. Ela vive contando essa mesma história a todos os tenistas estrangeiros que têm aparecido por aqui.

Perplexo, ele perguntou:

— Então, não existe nenhuma criança às portas da morte?!...

— Não!

O tenista deu um suspiro demorado de alívio e, tranquilamente, comentou:

— Bem, essa é a melhor notícia que recebi esta semana!...

Este fato, de autor não identificado, demonstra que as pessoas têm pontos de vista divergentes. O que para umas é uma tragédia, para outras é um alívio.

Ponto de vista é a expressão de seu padrão vibratório. De tal forma, também deve ser a questão do “arrebatamento”.  

Arrebatamento é o ato de arrebatar (se). E que pode ter diferentes pontos de vista:

— Pode ser Arrancar; Transportar para longe; Levar para o outro mundo... Como no exemplo, a seguir:

“... e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai”. (João 10,29).

— Mas pode também significar: Atrair com força irresistível; Extasiar; Ou até mesmo Abduzir!...

O Arrebatamento, conforme as citações em Tessalonicenses (4,12-18) e 1 Coríntios (15,50-54) é polêmico. Pois, todas as previsões que determinaram as datas desse Evento já fracassaram.

Do ponto de vista materialista, um “arrebatamento” de corpos físicos seria a derrogação de Leis Universais!...

Mas, pelo lado do espiritualismo, a tendência é crer que o “arrebatamento” é somente o fim dos tempos da maldade e da ignorância (3ª Dimensão), através de provas e expiações; e o início do tempo dos regenerados (5ª Dimensão).

Seria, pois, assim, o momento da separação do “joio do trigo”, que já ocorre após a nossa desencarnação; ou seja, após o “arrebatamento” de nosso espírito para o plano espiritual.

Dessa forma, os classificados como “joio” de baixo padrão vibratório –, vão sendo arrancados da Terra e levados para outros mundos. Pois...,

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar” (João 14,2).

No “arrebatamento” do ponto de vista de Êxtase Espiritual, o espírito é comparado ao “trigo” que, livre e emancipado, será atraído às frequências de moradas de níveis mais elevados.

Quanto aos “Abduzidos” (do verbo abduzir), no contexto popular refere-se a desaparecimentos de pessoas levadas por OVNIS de extraterrestres.

Segundo os ufólogos, “muita gente vai ser abduzida".

Mas, independente de qualquer ponto de vista sobre o Arrebatamento, o certo é que a Era de Regeneração está aí. E como acontece em todo alvorecer, as forças da natureza já entoam hinos de louvor à sua chegada...

Já se notam comportamentos sutis nas aves, nos animais, nas plantas!... Isso é um alerta para todos!

A natureza já rufa os tambores da Marcha Triunfal do Amor para a entrada da nova civilização; é a Bandeira da Verdade sendo hasteada, tendo por divisa: a cooperação em vez da competição; e o cooperativismo em vez do individualismo.

Se escolhido, cabe a você não fazer feio agora, não se omitindo da sua responsabilidade de se transformar e de bem servir ao próximo! De contribuir para o aprimoramento humano, levando a todos que aqui permanecerem, o valor da beleza e da bondade...

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5,5).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A CORTESIA

 

Cortesia é um sentimento nobre que nasce do respeito ao próximo.


O termo Cortesia é derivado de “court” (corte, palácio) para designar o conjunto de qualidades do nobre e o modo de viver da aristocracia. Não era apenas o código de etiqueta, mas uma verdadeira moral própria da vivência refinada da elite palaciana.

Atualmente, Cortesia supõe a perfeição moral e social da pessoa: boa educação, amabilidade, generosidade, respeito, gentileza, trato elegante...

O ser humano cortês é polido, atencioso, educado, respeitoso... Enfim, é aquele que é caridoso.

E sabe por que é caridoso?

 Porque ser caridoso é ter Amor no Coração. É considerar o nosso próximo como irmão, filho do mesmo PAI (Deus). Portanto, ser caridoso é muito mais do que dar a esmola que humilha, mas, respeitar a pessoa na sua essência: no seu jeito de viver, nos seus ideais, na sua luta, nas suas deficiências, nos seus princípios, valores e virtudes.

Quem é caridoso não usa “fazer cortesia com o chapéu alheio!”.

A pessoa cortês é instruída, aperfeiçoada, lapidada, desbastada pelas experiências vividas... É a pessoa que deixou de ser pedra bruta para se tornar pedra polida!... E é gentil, porque é uma pessoa consciente do mundo em que está vivendo...

Cortesia é um estilo de vida antítese da grosseria, da ofensa, do ultraje, da rusticidade, da vilania. Por essa razão, ser cortês é tão importante na vida!  E, pela mesma razão, é que se deve altercar para que a Cortesia seja ensinada e também praticada tanto no Lar quanto na Escola.

Geralmente, há quem diga que a Cortesia é um atributo de quem é discreto; comedido; recatado. Ou seja, de quem não é uma “carroça vazia”!...

Pois, “carroça vazia” diz-se da pessoa tagarela, barulhenta, leviana, inoportuna, que intempestivamente se intromete na conversa dos outros.

Há até uma história sobre isso!

Conta-se que certa manhã, bem cedo, um Pai convidou seu único filho para um passeio pelo bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, perguntou ao filho:

— Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

— Sim – respondeu o menino –, estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

— Isso mesmo! – disse ele. E é uma carroça vazia!...

De onde estavam não era possível ver a estrada e, então, o filho perguntou, admirado:

— Pai, como pode o senhor saber que a carroça está vazia?!...

— Ora, é bem fácil saber que é uma carroça vazia! Você ainda não sabe?!

— Não! – respondeu o menino.

O Pai então pôs a mão no ombro do filho, olhou bem fundo nos seus olhos e explicou pausadamente:

— Por causa do barulho! Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz!!!

________

Pense nisso! Reflita bem sobre essa história e sobre o referido assunto! Pois são deveras importantes para todos que buscam viver de conformidade com os ensinamentos de JESUS.

E lembre-se sempre dos conselhos do nosso sábio Mestre, especialmente, das Bem-aventuranças relacionadas no Sermão da Montanha (Mateus cap. 5).

Bem-aventurados:

I — Os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus!

II — Os que choram, pois serão consolados!

III — Os mansos, pois possuirão a Terra!

IV — Os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!

V — Os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!

VI — Os puros de coração, pois verão a Deus!

VII — Os pacíficos, pois serão chamados filhos de Deus!

VIII — Os que são perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus.

Você é a luz do mundo! Assim brilhe a sua luz diante dos homens para que vejam as boas obras, e glorifiquem Nosso Pai que está nos céus.

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois do mesmo modo que julgarem, vocês serão julgados; e a mesma medida que usarem, também será usado para medir vocês.

 Diga somente: “Sim” se é sim; “Não”, se é não.  Pois tudo o que passa, além disto, vem do Maligno.

Aproveitamos o ensejo para desejar Boas Festas a todos e um...

Feliz Ano Novo!

sábado, 20 de dezembro de 2025

PARÁBOLA DO CÃO MORTO

“Que belos dentes os deste cão!”.


JESUS chegou um dia a uma cidade e, ao atravessá-la, viu um grupo de pessoas que contemplava um cão morto, que trazia ainda ao pescoço a corda com que fora enforcado.

O cão estava podre e cheirava mal.

Todos que se achavam em torno do animal em decomposição, examinavam-no, fazendo comentários:

— Como empesta o ar – dizia um, tampando o nariz.

— Por quanto tempo continuará este cão a envenenar o ar que se respira nesta rua? – acrescentava outro.

E, assim, muitos exclamavam:

— Olhem sua pele!... Parece um coalho de leite estragado.

— E as suas orelhas? Escorre uma aguadilha verde de pútridas espumas...

— Teria sido estrangulado porque se tornou hidrófobo ou ladrão?

JESUS, que se acercou daquele grupo e ouviu todos esses comentários, lançou então um olhar de compaixão sobre o animal e disse:

— Oh!... Que belos dentes os deste cão! – Seus dentes são cândidos e belos como a neve.

O povo maravilhou-se de ouvir essas palavras ungidas de tanta doçura sobre esse animal e, em coro exclamou:

— Quem será este homem? Não deve ser outro senão Jesus de Nazaré. Só Ele é capaz de tamanha piedade ante a carcaça de um cão morto.

E todos se retiraram, inclinando respeitosamente a cabeça diante do Filho de Maria.

__________

Essa frase sobre os belos dentes do cão, não pertence a Leon Tolstói, como muitos atribuem. Na verdade, ela faz parte de uma história sobre a vida de JESUS, relatada por diversos autores, inclusive Tolstói, mas que não consta do Novo Testamento.

Enquanto todos criticavam a carcaça do animal morto, Jesus narrava esse cenário com a sua voz espiritual que fala a todos os que “tenham ouvidos para ouvir e olhos para ver”, isto é, a todos que percebem a presença de Deus sintetizada no sentimento imaculável da Beleza e do Amor.

Sentimento este que nos transporta do concreto ao abstrato, demonstrando que toda forma, por mais grosseira na aparência, está envolta numa vida comum a tudo e a todos. E que através da nossa imaginação nos leva a ver e sentir a beleza oculta na forma feia.

Guiada pela nossa concentração e meditação, a imaginação nos liberta do FEIO e nos identifica com o BELO, irradiando a alegria colorida que nos faz sentir o lado melhor da vida que almejamos no mundo.

E ainda nos proporciona belos voos para o azul celeste, através dos excelsos ensinamentos do Mestre, os quais nos livram das agruras das expiações caducas do passado; e nos revela a grande descoberta da Obra Divina, a qual promove o Bem Supremo para toda a humanidade.

Pois o Criador conhece todas as possibilidades do nosso livre-arbítrio e, assim, nos conduz e nos direciona sempre a um Porto Seguro e Feliz.

Enxergar o lado Bom e Belo das coisas é uma forma de Auto Caridade Sublimada que eleva a Alma, aprimora a consciência e nos ensina a discernir entre o falso e o verdadeiro, entre o que é positivo e negativo, entre o poder psíquico e o espiritual...

Pois quem aprecia o belo, ama a vida e desperta o conhecimento que traz dentro de si, para separar o joio do trigo e se transformar “da água para o vinho”... Tornando-se cada vez mais impessoal, alcançando o mundo da abstração e da beleza eterna, onde a Vida Una – da consciência unificada – palpita para todos os seres.

Essa consciência da unidade só é possível pela observação de todos os ensinamentos do Cristo, imprescindíveis como meios de libertação.

Recorde-se sempre das palavras do Mestre “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Porém, não se esqueça de que no Caminho há flores e espinhos, que impulsionam o viajante para frente.

As flores, com a sua beleza e seu perfume o impulsionam para o alto, mas os espinhos trazem dores, que servem de introspecção para também libertá-lo.

O Belo e o Feio, assim como o Amor e a Dor são forças catalisadoras do BEM, que se direcionam ao mesmo fim – a unificação com o Criador.

Pois, como diz o ditado: “Quem não vem pelo Amor vem pela Dor!”.

Que a magia do NATAL aqueça nossos corações! 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

LIÇÕES DE CAMINHONEIROS

 

“A carga mais pesada tu levas no coração...”. (Darci Lopes)


Distante de casa, dirigindo por mais de três horas, entro num restaurante às margens da rodovia. E para minha surpresa, alguém disse que me conhecia de “priscas eras”. Apresentou-se como Ângelo. Mas era estranho pra mim!

 Convidou-me para um lanche...  E, no entremear da conversa, contou-me um caso de dois irmãos caminhoneiros, inimigos de berço: Damião e Chico.

Entre eles, há décadas, havia um ódio enigmático! Desentendiam-se à toa! Certa feita, porém, após uma tempestade, Damião alcançou Chico numa estrada de terra, com a carreta num atoleiro de lama, difícil de sair... Ele reconheceu o inimigo e ficou à espreita, esperando... E a carreta cada vez mais se atolando!

Diante da necessidade urgente de seguir viagem, Damião, no pulsar forte do coração, ouviu o sábio conselho de sua mãe: “amar o inimigo é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com ele!”...

E partiu em socorro do inimigo! Mas seus olhos nem se cruzavam! Chico, contudo, o aceitou “numa boa”!... E, depois do desencalhe, ainda cauteloso, deu-lhe a preferência para seguir viagem.

Damião foi o mais beneficiado, pois conseguiu a tempo entregar sua carga, sem nenhum prejuízo.

Diz o ditado, que “o mundo não gira, ele capota!”. No retorno eles se reencontraram noutro atoleiro. Todavia, desta vez foi o caminhão de Damião que encalhou... E Chico foi o seu “anjo da guarda”! Juntos, num instante liberaram a pista.

Aí o sorriso estampado no rosto do Chico deixou Damião embaraçado... E meio sem querer, porém emocionados, foram ao encontro um do outro para um forte abraço fraternal!  

Damião, pela segunda vez foi beneficiado; porque Chico, talvez por “mãos” invisíveis do Amor, surgiu ali para retribuir-lhe a ajuda.

Neste ponto, num corte rápido, de volta ao restaurante, Ângelo fez então os seguintes comentários:

I — Se amar ao próximo é um mandamento, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, pois é uma vitória conquistada sobre o egoísmo e o orgulho que nos domina;

II — Deus é Amor, segundo I João 4,8. E quem não ama desconhece Deus. Somos Partículas do Amor; e se o Amor é a manifestação suprema da bondade, somos então irmãos legítimos, criados para amar-nos uns aos outros;

 III — Na Partícula Divina a energia do Amor está manifestada. E essa energia é Una (unida). Faz parte do TODO, e o TODO não se completa sem as suas partes. Portanto, não existe ressentimento que as separe;

IV — Você pode até dizer que ama menos; que não têm a mesma sintonia; que tem outra concepção de vida... Mas daí a considerar um irmão o seu inimigo, isso só é aceitável do ponto de vista “Cármico”, como retorno de vidas do passado, por culpa de uma ação indevida, que precisa ser reparada;

 V — Lembre-se d’Aquele que disse: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem" (Mt. 5,44).

Feitas estas considerações, ele arrematou: eis agora o que eu aprendi:

a)    Que amar o inimigo é amar a si mesmo, pois é uma caridade de amor ao próximo que muito nos beneficia. Benefício este que nós recebemos quase sempre em DOBRO;

 b)   Que amar os inimigos é uma boa lição para nossa libertação. Digna dos artistas de “Cargas Pesadas!”... Pois, se as más lições nos prendem, são as boas lições que nos libertam.

E foi só neste momento, que pude me manifestar sobre o causo:

— Amor e caridade, realmente “dão frutos centuplicadamente”!...

E repeti ao Ângelo uma frase que ressoava por toda a Minh’ alma: “Amar os inimigos é sentir pulsar o coração alheio!”.

Nisso, vi uma placa de sanitário, pedi licença e saí ligeiro... Mas, ao voltar cadê o Ângelo? Fui à mesa pegar a comanda e ao lado vi um bilhete dizendo: “Escreva essa história”.

Fui ao caixa. Tudo pago! Mas o meu estranho amigo, como por encanto, tinha desaparecido!...

E segui a viagem sem a despedida. Mãos no volante, saudade no coração, uma história emocionante e na mente uma oração... A guiar-me pela estrada reta da vida.