“Na reencarnação
ninguém erra de endereço”. (Chico Xavier)
Martinho,
Polaco por descendência, casado, filhos pequenos, alto e forte, além de ser tratorista
de uma fazenda tinha o dom da cura espiritual.
Na
década de oitenta, em Itararé, eu sempre levava meus filhos para ele benzer. Nasceu
daí uma amizade, porém que durou pouco... Pois ele desencarnou em plena
juventude.
Restou
a saudade!... E a Bíblia que ele me presenteou no dia 09 de dezembro de 1984 –
DIA DA BÍBLIA – a qual conservo como uma relíquia!
Bíblia
Especial, Capa Preta com uma Cruz, medindo 28x21cm; com etiqueta metálica comemorativa
da visita do Papa João Paulo II ao Brasil.
Guardo-a com carinho. E trago na memória
alguns temas abordados por ele que reacendem a minha Fé.
Martinho
gostava de perguntar:
—
A Bíblia “fala” sobre bombas atômicas? “Fala” sobre
Reencarnação?
—
Claro que não! – era a resposta.
— Pois
vou contar-lhe uma novidade:
—
A Bíblia “fala”, sim, sobre isso. Bastam olhos de ver para
perceber o espírito que vivifica atrás da letra que mata. Isso, porém, é
dado a poucos, pois muitos são os que olham e não enxergam, escutam e não
ouvem...
O
mais importante, então, é o “colírio para ungir teus olhos, para que
vejas”. (Apocalipse 3,18).
Para
ver que a Bíblia “fala”, sim, em Reencarnação
e em bombardeiros nucleares feitos
por numerosos caças a jato – basta levantar a letra e procurar o espírito
que ela oculta.
Jesus certa vez até agradeceu a Deus por ter escondido certas coisas
aos sábios e as revelado aos humildes...
A
primeira alusão à doutrina das vidas sucessivas se acha exatamente no mandamento
inicial do Decálogo:
“Eu, Jeová, teu Deus, sou Deus zeloso,
que visito a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta geração daqueles que me aborrecem”. (Êxodo 20,5).
Esta
versão da American Bible Society foi fiel ao texto da Vulgata: in tertiam
et quartam generationem” e não “até a terceira e quarta gerações”, como
consta em outras versões.
A
Vulgata é a tradução latina feita por São Jerônimo 340-420, declarada oficial
pelo Concílio de Trento.
Cada
indivíduo sofre pelos próprios erros que cometeu. O sofrimento em lugar de
outra pessoa não é admissível nem mesmo ante as leis humanas!
Crer
que os crimes cometidos pelos pais são punidos em filhos, netos e bisnetos – nos
quais se presume a inocência –, é dar à Justiça Divina um caráter
monstruoso!...
Pois
isto se choca frontalmente com a doutrina do Amor e do Perdão que o Cristo ensinou. Ainda mais quando se
sabe que Deus não castiga
ninguém!... Pois Deus é AMOR na sua plenitude...
E também
não faz o menor sentido, diante da advertência de Jesus ao paralítico por ele curado:
—
“Eis que estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior”.
(João
5,14).
A
responsabilidade de cada um é, pois, intransferível!... (ver Ezequiel cap. 18).
Mas, a lei divina exige reparação!... A Reencarnação pode então ocorrer na
terceira ou na quarta geração.
E
por que não na segunda geração?
Porque
seria necessário, para isto, que o indivíduo morresse ainda jovem e se
reencarnasse imediatamente. E só raramente tal renascimento aconteceria.
Exemplificando: Maria casa com
Marcos e têm vários filhos. Cometem na vida muitas iniquidades e levam para o além-túmulo
o peso do remorso. Arrependidos pedem a Reencarnação.
Como
os renascimentos demandam tempos de socorro, amparo, recuperação e programação
das almas, então, o mais comum é que eles ocorram muito mais tarde mesmo.
Eles,
os pais (da primeira geração) serão, então, Espíritos reencarnados “na
terceira ou na quarta geração”.
Nosso Pai Eterno, zeloso, está então
presente neles, “visitando as iniquidades” contraídas anteriormente por eles e que
deverão agora ser por eles mesmos reparadas.
Afinal,
por que um indivíduo é mais adiantado que outro?
A
Reencarnação responde:
— Porque
a justiça divina não se manifesta só
numa única vida na carne; mas, sim, nas sucessivas existências de aprimoramento!...
Este
é o espírito do texto!...