“A oração é o
suor da alma”.
(Martinho Lutero).
O suor
da alma, citado por Martinho Lutero, me fez pensar sobre a energia da
alma, que se manifesta em uma oração sincera ao Criador.
Lembrei-me,
então, de um ato de oração que aprendi numa pescaria. Eu era adolescente e
acompanhava meu pai e dois amigos dele nessa aventura.
Na
hora de voltar pra casa muita chuva. O carro encalha numa subida. Diante da
dificuldade de sair do atoleiro, o motorista, que tinha até fama de benzedor,
disse:
—
Vamos orar!... Deus vai nos ajudar a sair daqui!... As energias do rio, dos
pássaros, das flores e das matas vão fortalecer a nossa prece...
Oração
feita, O motorista funciona o carro, acelera, desliza de um lado para o outro,
mas sai da valeta.
Curioso,
eu perguntei:
—
Mas, como é que deu certo?!...
—
Foi o “suor da nossa alma nesta oração” – disse o Benzedor –, que nos
impulsionou pra achar a saída...
Refleti
bastante... E, depois, entendi que esse “suor” nada mais é do que a energia
da Fé! Que eleva o pensamento humano
até a sua comunhão com o Criador! Atraindo, assim, do mundo invisível, a
presença de entidades que se incumbem de auxiliar o suplicante.
Anos
após, leio o livro “Pequenos Milagres II” de Yitta Halberstam & Judith
Leventhal – Rio de Janeiro: Sextante, 1999. E encontrei mais um exemplo de
oração que dá sustentação a nossa alma.
Brad
Fregger é o personagem que narra este conto, aqui adaptado:
Estávamos
morando em Long Beach, Califórnia, no começo dos anos setenta, e eu acabara de
arrumar um emprego em São Francisco. Estava dirigindo meu pequeno Fusca (nós o
chamávamos de Vilma Cintilante) na autoestrada 05, completamente sozinho,
quando subitamente ele parou.
Até onde eu sabia a cidade e o posto de
gasolina mais próximo ficavam a mais de setenta quilômetros de distância.
Minhas chances de conseguir ajuda pareciam mínimas. Mexi no carro quanto pude,
mas nada adiantou...
Eu
estava sentado na beira da estrada há mais ou menos uma hora, e desamparado,
quando olhei para o relógio e vi que eram seis e quinze. Nervoso, imaginei se
seria capaz de chegar a São José em tempo para o meu primeiro dia de trabalho,
às oito horas da manhã seguinte.
De
repente, sem refletir, peguei automaticamente as chaves e tentei ligar o motor
mais uma vez. Não sei o que me levou a fazer isso; uma pressão interna sem
explicação me impeliu a tentar de novo. Para minha surpresa, o motor pegou como
se nada tivesse acontecido. Que choque! Juntei as minhas coisas e dirigi o
resto do caminho sem maiores incidentes.
À
noite, liguei para minha esposa, Katie, e lhe disse que havia chegado a salvo
em São José, que não se preocupasse que tudo estava bem.
—
Ah – ela disse –, eu não fiquei preocupada. Durante o jantar as crianças e eu fizemos
uma oração
especial para você e a Vilma
Cintilante.
—
Sabe que horas eram?
—
Exatamente seis e quinze. Eu olhava no relógio do forno para não queimar o
jantar.
Lembrei-me
então de uma frase que lera em algum lugar:
“Quando
oramos, estamos falando com Deus. Quando acontece um milagre, é Deus quem está
falando conosco”.
Ao
ler esta história fiquei me perguntando: Afinal o que é a oração?
E
voltei a pensar que a oração é o sopro (ou suor!), que
sustenta a nossa alma para mantê-la numa Fé viva todos os dias. Que nos inspira
a confiar no invisível, acreditar no impossível e encontrar a luz que nos guia e
renova o nosso coração.
No
fundo, a função da oração não é influenciar Deus, mas mudar a natureza de quem que
ora. Pois é um processo de transformação interior, de alinhamento espiritual do
indivíduo.
A oração
deve nos colocar em uma posição de humildade, sem tentar impor nossas vontades,
diante do maior campo de forças da Consciência Absoluta do Universo, que pode
criar os caminhos para a realização de nossas súplicas.
A oração
é um poderoso incentivo para o nosso desenvolvimento e, por isso, deve
ser praticada e aperfeiçoada.
“E
tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21,22).