Resmungar ou reclamar
da vida é próprio de gente pessimista!
Uberaba
MG. – a “Terra de Chico Xavier” – é um dos principais pontos do turismo
espiritual do Brasil.
Certa
vez, buscando o consolo das cartas psicografadas, fomos conhecer esse grande polo
do espiritismo.
Foi
um momento maravilhoso. Fomos à casa do Chico Xavier, ao Centro onde ele palestrava
e ainda o acompanhamos em sua missão de auxílio aos menos favorecidos...
Ao
lado do Chico a cidade parecia-nos um verdadeiro templo vivo de Fé...
Pensando
com meus botões sobre isso, ao fazer uma prece o sono chegou forte. Dormi e
sonhei...
Sonhei
que acompanhava o Chico em sua missão fraterna numa colônia da zona umbralina,
e perguntei-lhe:
—
Que colônia espiritual é esta?
— É
a Colônia dos Resmungos.
Fiquei
pensando... Já ouvi falar da Colônia Espiritual das Flores, do Bom Retiro, Mas
dos Resmungos!?...
O
Grande Médium pareceu ler os meus pensamentos e replicou:
—
Estes irmãos quando encarnados viviam só resmungando... Os vizinhos
queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos e vice-versa. Viviam sempre descontentes... Todos tinham
problemas e todos reclamavam.
O
ambiente desfavorável dessa colônia era de baixa vibração, devido às falsas
criações mentais das almas em desiquilíbrio, ou de outras enquistadas (com quisto
mental!) de tanto reclamar e resmungar. Todas tinham, pois, um vazio no coração
por se olvidarem da mensagem do Cristo: “Amai ao vosso próximo como eu vos amei”.
E,
diante das fugas da Lei do Amor, essas almas, com certeza colherão o que
plantaram em doloridas reparações...
Chico
sabia disso e as consolava! E para ilustrar seus conselhos contou-lhes a
seguinte história:
Um
dia, um Mascate chegou a um lugarejo onde todos só reclamavam. E, ao perceber
toda aquela choradeira, pôs seu cesto no chão e gritou:
—
Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares
carregados de frutas. As cordilheiras são cobertas de florestas e os vales
banhados por rios profundos. Jamais eu vi um lugar abençoado por tamanha
abundância!... Por que tanta insatisfação? Vão chegando, que vou lhes mostrar o
caminho da felicidade!...
Ora,
a camisa do Mascate estava puída; a calça remendada; os sapatos estragados...
As pessoas riam ao pensar como alguém, assim, poderia mostrar-lhes como ser
feliz.
Mas,
enquanto elas riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e esticou-a entre
dois postes da praça.
E
segurando o cesto, gritou:
— Os
insatisfeitos escrevam seus problemas num pedaço de papel e ponham dentro deste
cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!
Ninguém
hesitou diante da chance de se livrar dos seus problemas. Rabiscaram suas
queixas num pedaço de papel e colocaram no cesto.
Eles
viam o Mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Ali os problemas
balançavam de um extremo a outro. Então, ao terminar, ele ordenou:
—
Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar.
Todos
correram para examinar os problemas. Procuraram os pedaços de papel e cada qual
ponderava tentando escolher o menor problema.
Após
algum tempo a corda estava vazia. Mas, pra surpresa geral, eis que cada pessoa
segurava o mesmíssimo papel que havia colocado no cesto. Pois tinha escolhido o
seu próprio problema, julgando ser ele o
menor de todos.
Daí
em diante, aquele povo deixou de reclamar o tempo todo. Quando alguém sentia o
desejo de resmungar, já pensava na corda mágica do Mascate e o desejo sumia!
Então
o Chico arrematou a história:
— Quem
muito resmunga, pouco faz. A energia gasta na reclamação é a mesma que falta
para a ação. Por isso queridos irmãozinhos, vocês terão agora uma nova chance
de agir para mudar. Todos
reencarnarão!... E cada um vai estar tão ocupado que vai ser difícil encontrar
tempo para resmungar.
Nesse
instante acordei meio zonzo e resmungando... E parece até que ouvi, ainda, o
conselho final do Chico:
“O
resmungo é o eco de uma mente que se recusa a ver soluções!”.