Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sexta-feira, 20 de março de 2026

OS LÍRIOS DO CAMPO

 Se nada mudasse, os lírios do campo não existiriam.


JESUS era um artista nato. Suas falas tinham o charme da poesia, como se nota no seu Evangelho ao mencionar os Lírios do Campo, numa época onde havia uma preocupação com o que comer o que beber ou vestir...

“E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?”. (Mt 6,28-30)

O ambiente social nos dias atuais, contudo, leva o indivíduo a sofrer mais do que outrora. Ainda mais neste tempo apocalíptico que estamos passando!... De inquietações e tantas incertezas!... De iniquidades, corrupção, tirania, censuras, de falsas narrativas, etc.

Assim, diante de tantas mudanças que nos atemorizam, é de se perguntar:

Como serão os nossos dias de amanhã?

Daí a importância de recorrermos à mensagem do Cristo. E refletirmos, nesta hora, sobre a imagem iconográfica dos Lírios do Campo, poeticamente utilizada por Ele, para nos dar paz, tranquilidade e a Fé que nos fortalece. Pois, nosso Pai Celestial bem sabe de todas as coisas que necessitamos. 

 Os Lírios do Campo compõe uma grande lição contra a ansiedade da humanidade provocada pelo sofrimento, especialmente nestes tempos de muitas dificuldades.  

Esta mensagem, pela verve poética do Mensageiro da Paz e da Harmonia, veio para por fim nestas preocupações, quando Ele, magistralmente, demonstra a necessidade de crescermos como os Lírios do Campo, de inigualável brancura, recebendo o orvalho da manhã sem perder a beleza; presos a terra, estendendo suas raízes para romper novamente o solo e embelezar os prados com novas flores.

Pois, crescendo livres, sem tantas imposições, nossos corações se abrem como os Lírios do Campo para amar todas as criaturas, independente de religião; de raça; ou de cor.

É uma lição na qual a Providência Divina nos alerta:

a)   Para buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas;

b)   Para não nos preocuparmos com o dia de amanhã, pois a cada dia basta o seu cuidado.

Todavia, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XXV-7, alerta para não tomarmos esta mensagem ao pé da letra, ao esclarecer que:

“Não se pode ver nestas palavras, portanto, mais do que uma alegoria poética da Providência, que jamais abandona os que nela confiam, mas com a condição de que também se esforcem. É assim que, se nem sempre os socorre com ajuda material, inspira-lhes os meios de saírem por si mesmos de suas dificuldades”.

E no cap. XXVII-8, o supracitado Evangelho dá o seguinte exemplo:

Um homem está perdido no deserto sentindo-se desfalecer de sede. Pede ajuda a Deus, e espera; mas nenhum anjo vem lhe dar de beber.

No entanto, um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de seguir determinada direção. Ele se levanta e avança ao acaso. Chegando a uma elevação do terreno, descobre ao longe um regato, e com isso a coragem. E por ser um homem de fé exclama:

— Graças, meu Deus, pelo pensamento que me inspirou e pela força que me deu.

Mas, se não tivesse fé, diria:

— Que boa ideia eu tive de seguir pelo caminho da direita e não pelo da esquerda! O acaso, às vezes, nos ajuda! Que alegria por eu não me abater!

— Mas – perguntarão –, por que o Bom Espírito não lhe disse, claramente, para seguir o caminho do regato para ele já se convencer da intervenção da Divina Providência?

E o Bom Espírito dirá:

— Para lhe ensinar que é necessário ajudar-se a si mesmo usando as próprias forças. E também pela sua incerteza, porque Deus põe à prova a confiança e a submissão de cada um à sua vontade.

Em resumo: que a lembrança desta bela figura dos Lírios do Campo, seja sempre um tônico para o nosso corpo e um bálsamo para nossa alma, não permitindo nunca que o desânimo e a dúvida se instalem em nossos corações!


sábado, 14 de março de 2026

O CAMINHO DO MEIO

 

 “O caminho do meio é o tom da vida” (Buda).


O Caminho do Meio é o coração do ensinamento budista, que propõe o equilíbrio entre a falta e o excesso.

Significa viver com moderação.

“Nem tanto ao mar, nem tanto a terra”. Viver buscando o meio-termo, como um ponto de equilíbrio em situações, opiniões ou ações extremas. 

Pois, enquanto uns passam frio, outros se cobrem em demasia; enquanto uns passam fome, outros se envenenam de alimentos inventados, só para gastar o excesso de dinheiro que possuem.

Na prática, para se evitar estes extremos – sem se apegar ao prazer pelo excesso de luxo nem à privação absoluta –, o melhor é o “Caminho do Meio”, com uma mente equilibrada para se alcançar a paz, a sabedoria e o despertar espiritual.

Para Aristóteles esta é uma filosofia de vida conhecida como a “Doutrina do Meio-Termo”.

É essencial para a vida espiritual achar esse “Caminho do Equilíbrio”. Pois sem ele a vida é como uma espada de dois gumes, que nos pode ferir ou defender por qualquer um deles.

Infelizmente, a humanidade passa por um momento difícil para viver dentro das regras que mantenham as pessoas em equilíbrio. Mas, por quê?

Porque a organização social, criada pelo próprio ser humano, nos arrasta a excessos; e fica muito difícil trilhar um único método justo pra nossa libertação.

Em tudo na vida, há demais ou há de menos, e compete ao ser humano – que cria essa situação! –, lutar para que as gerações vindouras encontrem um destino menos áspero a percorrer e uma situação menos perigosa.

A melhor via a ser encontrada, deve ser o “Caminho do Meio”, para que esta geração possa, com equilíbrio, se libertar do emaranhado de Carmas do passado; e se capacitar para cooperar na construção de uma Nova Era.

A vida material depende da vida espiritual, mas esta também está em grande dependência da vida material.

Se o ser humano é o construtor do seu destino; não lhe cabe, entretanto lutar pela formação de uma sociedade mais equilibrada e Feliz?

Sim! Começando pelo cuidado do corpo, para que sirva de instrumento ao seu Espírito.

É sobre isso que alude o Apóstolo Paulo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?”. (1Cor 6,19)

Assim como cuidamos da cultura do Espírito, básico também é cuidarmos da cultura do Corpo Físico! Pois tanto o progresso como a felicidade decorre do emprego harmonioso e equilibrado dessas duas forças: corporal e espiritual.

Uma educação que descuida do Corpo ou da Alma produz, fatalmente, perturbações corporais quanto mentais.  Por isso, a Sobriedade (moderação no comer ou beber) é um dos maiores segredos da saúde e da longevidade.

A expressão latina “mens sana in corpore sano”, (mente sã num corpo são) significa o maior bem da vida. Pois, com boa cultura corporal, fácil nos será equilibrar as emoções e a mente!

 É preciso ser forte fisicamente, para ser forte em espírito!... Para legar aos filhos um Corpo sadio possuidor de uma Mente sã, que servirá de TEMPLO para a ALMA que nele vier habitar.

Para o aperfeiçoamento do Corpo a Alma é tão útil, quanto o Corpo é útil à manifestação da Alma.

Para um êxito completo é preciso, porém, a aquisição de bons hábitos, como o serviço desinteressado, o equilíbrio em tudo, alimentação pura, instrução, oração, meditação...

Emmanuel / Chico Xavier, no livro “Caminho, Verdade e Vida”, pág. 28, dá-nos a entender a importância dessa interação entre corpo e alma, quando se refere ao trabalho e à oração.

Ao Trabalho que foi convocado a fazer para evoluir; e à Oração para receber de Deus o auxílio indispensável à santificação de sua tarefa.

Aqueles que vivem nos extremos do “tudo ou nada”; do “vai ou racha”; de orgulhos exacerbados aniquilar-se-ão como o sapo da fábula que, desejoso de imitar o boi, se encheu tanto de vento que se arrebentou e morreu!...

Portanto, modele com amor a vossa dócil argamassa, para ser você mesmo o artífice da sua imortalidade!

No Caminho do Meio o Coração palpita melhor, a Alma se acalma, e o Corpo se fortalece!...

sexta-feira, 6 de março de 2026

METÁFORA DA BOLA

“O Universo devolve exatamente tudo o que você emana”


A Verdade, tão nua quanto o seu nome, foi ao estádio, assistir o jogo de futebol feminino.  Totalmente despida de roupas ela se apresentou ao público sem quaisquer tipos de adornos no corpo. Porém, ninguém lhe deu as boas vindas, e todos ainda lhe viraram as costas, talvez de vergonha ou por medo.

A Verdade nua sem ao menos ser entrevistada e ouvida, sentiu-se muito incompreendida e rejeitada.

Desolada e triste ela ia se retirando quando encontrou a Metáfora, uma das jogadoras que alegremente adentrava o estádio num uniforme bonito, muito colorido, enfeitado, repleto de nomes dos patrocinadores... E que ao petecar uma bola lhe perguntou:

Verdade, por que você está tão triste e deprimida?

— Porque me sinto envergonhada, feia, já que todos aqui me evitam!

— Que despautério! Isso é um absurdo! – sorriu a Metáfora. – Mas não é por causa disso que as pessoas a evitam! Tome, vista este uniforme do meu time e veja o que acontece.

E a Verdade agora uniformizada e com o charme de Metáfora apresentou-se em campo. Mas de repente, que espetáculo!... Refletores se acendem!...  Tudo se ilumina!... E por toda parte a Verdade era bem-vinda, homenageada e muito aplaudida.

A Metáfora então lhe disse:

— Oh querida!... Saiba, agora, que ninguém gosta de encarar a Verdade nua!... A preferencia é sempre por uma Verdade meio disfarçada!...

Para que essa história fique bem esclarecida vamos exemplificá-la, a seguir, com outra Metáfora real que também joga uma “bola redondinha”, fazendo “embaixadinhas”, e que é por muita gente conhecida.

Ou melhor, conhecida mais como uma Expressão Metafórica atribuída a Albert Einstein, embora sem registros históricos que confirmem essa autoria.

Ressalva a parte, trata-se afinal de uma Metáfora motivacional, difundida em textos sobre a reciprocidade de nossas ações.

Fiquei conhecendo essa Metáfora em Itararé SP, – salvo engano, no ano de 2009 – quando participei na condição de patrono da turma, na solenidade dos formandos do Curso de Pedagogia da Universidade Luterana do Brasil — ULBRA. Universidade Cristã, que tem por missão formar cidadãos solidários e fraternos, movidos pelo amor.

Nessa ocasião, essa Metáfora foi apresentada da seguinte forma:

Bola da Vida...

A vida é como jogar uma bola na parede:

Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; Se a bola for jogada com força, ela voltará com a mesma intensidade.

Por isso, nunca “jogue uma bola na vida” de forma que você não esteja pronto a recebê-la.

 A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.

Atualmente, com olhos que veem melhor e ouvidos que melhor entendem, posso sentir a beleza dessa mensagem, na Verdade que ela encerra, pois a Vida realmente retribui e transfere tudo aquilo que nós lhe damos.

Atitudes positivas geram atitudes positivas, e vice-versa.

Ou, de outra forma, o Universo devolve exatamente a energia, o esforço ou as atitudes que você dissemina.

Sabe por quê? Porque é assim que funciona a Lei do Retorno ou Lei de Causa e Efeito, ou ainda, Lei da Justiça Divina, conforme Paulo, o Apóstolo enviado por Jesus Cristo e por Deus Pai escreveu às igrejas da Galácia:

“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. (Gl 6,7)

Ou, como diz um provérbio:

“Quem semeia ventos colhe tempestades!”.

Lembre-se que na Lei do Amor também há Retorno, pois quem faz o Bem recebe o Bem; Quem ajuda os outros também será ajudado.

E quanto à previsibilidade das consequências do Retorno de nossas ações é que isso pode ocorrer até no longo prazo!... Ou seja, através das nossas sucessivas existências.

Portanto, não espere resultados diferentes se você continua jogando “bola” do mesmo jeito! Ainda mais se você não estiver pronto para receber a mesma “bola” de volta!... 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

SOFRIMENTO E DOR

 É pelo sofrimento que o ser humano consegue se conectar com Jesus.


Por que sofremos? Era a pauta de uma Casa de Oração.

O Dirigente, vendo ali presente um jovem estudioso do ocultismo, pediu-lhe para esclarecer a questão:

— Esse tema – disse ele – à luz dos Evangelhos, toma tempo; mas, se for possível, com a devida vênia, explicarei.

— Pois não! O tempo é todo seu.

O jovem levantou-se e deu início à sua fala, mas alterando a questão.

O ser humano já nasce sofrendo. Por quê?... Porque é ignorante!... Ou melhor, porque desconhece as Leis do Universo. E que resulta num acúmulo de erros praticados no passado, que são as causas de suas dores.

Mas, como se livrar das dores?

Primeiro, crescer livre de formas doutrinárias. E, depois, se libertar de preconceitos e quistos mentais que entorpecem a sua mente.

— O que são Quistos Mentais? – perguntou um dos presentes.

— São pensamentos tóxicos de mágoas, traumas, ressentimentos ou “feridas” do passado, que se acumulam na mente, formando cristais negativos, que a pessoa guarda dentro de si em uma “cápsula mental”, e que pode mantê-la de Mente Fechada. Pois...

 “Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis” (Mt 13,14).

Se você entender que somos todos filhos da mesma Fonte Criadora vai mudar o rumo de sua bússola evolutiva, aprendendo a Amar e Perdoar. E só assim descobrirá que a Vida é Bela; e poderá palmilhar sua estrada de Mente Aberta, vendo e entendendo!...

Saibam que a ignorância provém também da limitação mental causada por uma educação, que se restringe apenas a treinar a memória. A pessoa enche a cabeça de coisas desnecessárias e chega à adolescência impedida de ver a verdadeira vida repleta de Amor, Beleza e Sabedoria.

O ambiente familiar também causa sofrimento, com as falsas situações criadas pelo entrechoque das tradições da atual civilização.

A desigualdade material, que só aumenta a inveja o ciúme e a ingratidão, também impõe barreiras às pessoas para realmente se estimarem.

Até a omissão dos bons pode ser uma fonte de sofrimento; assim como a Religião, quando vira apenas um hábito social e deixa seus praticantes de Coração Vazio.

Pois, como disse um filósofo oriental: “O homem tem o Coração cheio de coisas da Mente e a Mente vazia das coisas do Coração”.

— O que fazer então pra gente deixar de sofrer? – sussurrou uma voz.

— Ora, enchendo a Mente com as coisas do Coração! – disse alguém.

O jovem confirmou essa resposta, e lembrou que o mundo na época de Jesus estava carente de Amor... Mas, que a humanidade fez dos seus ensinos apenas um livro e uma igreja, ao invés de um Templo no Coração.

 E lembrou, ainda, que o Mestre profetizou sobre isso:

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mt 7,21)

Fazer a vontade do Pai Celestial é não se prender às ilusões do mundo, mas manter no Coração a expressão máxima de DAR ou SERVIR para aliviar o sofrimento alheio.

Jesus está sempre presente à porta do Coração humano, pronto para nele entrar. Mas, só quando a Dor bate à sua porta é que você clama por Ele. Sabe por quê? – perguntou o jovem.

Porque “a Dor é força construtora de um novo caminho!”.

Assim o Mestre mostra que a Dor e o Sofrimento são resultados de suas próprias criações equivocadas.

E diz: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

E ainda aconselha: - a Dor não é privilégio seu; e você não deve apenas libertar-se da sua Dor, mas auxiliar os outros a se libertarem dela também.

Em suma, Jesus o desperta para o Caminho da Luz, fechado pela sua própria ignorância.

Sob aplausos o jovem então finaliza a conversa, acrescentando:

Somente ao atingir o conhecimento real da Vida Eterna é que você se liberta do Sofrimento e vê o Azul do Céu embelezando um novo mundo que se abre à sua frente. E de Espírito iluminado, vai compartilhar o seu saber como Revelador da Eterna Verdade.


sábado, 21 de fevereiro de 2026

DITOS METAFÓRICOS

 

“Você é luz, é raio, estrela e luar. Manhã de sol, meu iá iá, meu iô iô”. (Rose Marie).


JESUS se utilizava dos elementos do cotidiano, para ensinar conceitos complexos, verdades sobre ética, fé e arrependimento, por meio de Parábolas e Ditos Metafóricos.

Parábola é um cenário completo, onde personagens e ações representam realidades profundas, ao passo que o Dito Metafórico é só uma imagem, que consiste em substituir algumas palavras para dar um novo sentido à frase.

O Dito Metafórico geralmente é uma expressão impactante, de analogia rápida, quando se transfere o significado de uma palavra para o sentido de outra.                                                                                                                                                                                                                                                         Jesus, por exemplo, comparava o Reino dos Céus com situações simples como: o Sal; a Luz, a Casa, o Cisco etc.

I – O Sal da Terra (Mateus 5,13).

“Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor?”.

O Mestre fala aqui ao coração dos que carregam uma cruz pesada e que estão heroicamente resistindo à tentação do dia a dia; que ergueram a bandeira da verdadeira espiritualidade pregando o Evangelho do Amor.

São os sábios, que souberam viver bem na humildade, realizando o puro cristianismo. São os mártires que lutam pelo pão de cada dia, sem manchar as mãos em negócios escusos.

O Sal da Terra representa, pois aqueles irmãos de ação positiva, que temperam a vida com o “sabor” dos sentimentos de Fraternidade, tornando-a mais prazerosa e significativa. 

II – A Luz do Mundo (João 8,12).

“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

A Luz do Mundo é a representação do Governador Espiritual do nosso planeta, o nosso guia, portador das Leis universais, que liberta a humanidade das trevas da ignorância – que causa os sofrimentos. Ele é Jesus “o caminho a verdade e a vida”; a fonte de sabedoria que ilumina o progresso evolutivo do Espírito Imortal.

É o símbolo do autoconhecimento, que associado à reforma íntima aviva a iluminação interior – a Luz da Vida, que gera mudanças de atitudes para se entender o melhor modo de se viver.

“Vós sois a Luz do Mundo”. Ou como diz a intitulada canção na voz de Wando “Você é luz, é raio, estrela e luar”, ou seja, “Você é uma Centelha Divina” que dá visibilidade às boas obras. “Porque, a quem muito foi dado, muito lhe será exigido”. (Lc. 12,48).

Pois não se esconde uma cidade situada sobre o monte; e não se acende uma candeia e a coloca debaixo do alqueire, mas no velador, para que brilhe a sua luz diante das pessoas, que vendo suas boas obras glorifiquem o PAI que está nos Céus.

III – A Casa na Rocha (Mat.7,25).

“Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha”.

A Rocha é o Evangelho e a Casa é a nossa estrutura moral e espiritual.  

Edificar na Rocha é construir a sua estrutura moral “pedra por pedra” diariamente, perseverante no combate às más inclinações e vigilante, para que possa resistir às tempestades da vida sem desmoronar, ao contrário da Casa construída na Areia, que representa a sua ruína espiritual.

O Homem Prudente edifica na Rocha, o Negligente edifica na Areia.

A Casa na Rocha importa na prática dos bons ensinamentos da Lei do Amor para a construção interior do nosso caráter, garantindo uma evolução espiritual sólida e a proteção moral contra as crises da existência.

IV – O Cisco no olho (Lucas 6,41).

“Por que vês tu o cisco no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?”.

O Cisco são os defeitos dos outros. E a Trave os nossos próprios defeitos.

É uma lição que alerta sobre: a hipocrisia de julgar os erros alheios; e o orgulho, que nos faz projetar no outro aquilo que não queremos admitir em nós mesmos.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

FEIJÃO, GAIOLA E AVES...

 

Revelam coisas ocultas da espiritualidade.


Uma parte importante dos ensinos de Jesus é constituída por parábolas, relatadas nos Evangelhos. Dentre elas são bem conhecidas as do Semeador, do Filho Pródigo e a do Grão de Mostarda.

Esse jeito de ensinar é uma técnica pedagógica, que consiste em apresentar um raciocínio e uma conclusão, através da exposição de um pensamento de forma figurada (metáfora), facilitando sua memorização e permitindo que o ensinamento de fundo possa surgir em nossa mente, gradativamente, até ser compreendido plenamente.

“Abrirei a boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a criação”. (Mateus 13,35).

Essa forma de revelar ou manter escondido certos ensinamentos para aqueles que ainda não apresentam maturidade para compreendê-los é, na realidade, um modo de evitar-se, assim, a censura prévia de pessoas mal intencionadas. 

O próprio Jesus alertou sobre isso:

“A vós é concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala por parábolas; de forma que vendo não vejam, e ouvindo não entendam”. (Lucas 8,10).

Ensinar por Parábola é você então “colocar uma coisa do lado de outra” e, por comparação, transmitir lições de vida de fundo moral, ou revelar verdades complexas da espiritualidade através de contos do dia a dia.

Para os que têm sensibilidade à flor da pele, as parábolas funcionam como pontes poéticas que o amor constrói!... Pontes que servem de conexões entre coisas e conceitos.

Dentre as narrativas recheadas de metáforas poéticas são também dignas de reflexões:

A do FEIJÃO;

A da GAIOLA e a AVE.

A primeira eu ouvi em “Escrito nas Estrelas” – telenovela espírita de Elizabeth Jhin, produzida e exibida em 2010 pela Rede Globo, às 18 h, que abordou temas da espiritualidade como a vida depois da morte.

Num dos capítulos, Vicente – um dos personagens, vivido pelo ator Antonio Calloni –, ao dialogar com uma jovem se utiliza da metáfora do feijão para nos dar uma bela lição de vida.

Disse ele que O FEIJÃO, ao ser germinado dentro de uma caixa, tem uma consciência que busca a luz pelas frestas da embalagem. Assim, também somos nós, que embora presos num corpo material, temos consciência da Luz Divina, que incessantemente buscamos pelas brechas existentes no imo do coração. E é a consciência dessa Luz que nos dá a certeza da eternidade da vida.

A outra metáfora – que desconheço a autoria –, compara o Corpo Físico a uma Gaiola e o Espírito a uma Ave que nela habita.

Imaginar que ao morrer o Corpo, o Espírito venha a perecer é como imaginar que o pássaro morra ao quebrar-se a Gaiola.

Nosso Corpo Físico é apenas a Gaiola, enquanto o Espírito é o pássaro. Nada tem, pois, o pássaro que recear, com a destruição da Gaiola.

A morte física – um mergulho no infinito – é a hora de voar...

O suave voo das Aves a nos sussurrar que a Alma é livre das limitações impostas pela matéria é uma metáfora visual e poética que se revela a todos que se dispõe a enxergar além do que os olhos podem...

E ao deslizar pelo céu, as Aves nos recordam dos nossos entes queridos, que já partiram – todos os que deixaram para trás este mundo de provocações e caminhadas, de sonos e vigílias, de sofrimentos e esperanças.

As Aves nos recordam, ainda, que em breve também chegará a nossa hora de voar!...

Da força das asas depende a altura a que se pode chegar...

O corpo, frágil, sofre os efeitos do tempo. A alma, puro sopro, é eterna.

Enquanto estamos caminhando, que cada criatura aproveite para viver seus breves dias alimentando a sua alma por meio de uma Dieta Espiritual farta de Amor e Bondade, Caridade, Pureza, Compaixão, Perdão, Justiça, Virtudes, Gratidão... De modo que, quando a hora derradeira bater à sua porta, cada um possa voar com asas limpas e puras até as mais sublimes alturas.

Pois, o voo anuncia que o fim da vida não é queda, mas ascensão a um novo estado de existência, onde a Alma ("o pássaro"), em liberdade, encontra o rumo de sua verdadeira morada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

COLÔNIA DOS RESMUNGOS

 

Resmungar ou reclamar da vida é próprio de gente pessimista!


Uberaba MG. – a “Terra de Chico Xavier” – é um dos principais pontos do turismo espiritual do Brasil.

Certa vez, buscando o consolo das cartas psicografadas, fomos conhecer esse grande polo do espiritismo.

Foi um momento maravilhoso. Fomos à casa do Chico Xavier, ao Centro onde ele palestrava e ainda o acompanhamos em sua missão de auxílio aos menos favorecidos...

Ao lado do Chico a cidade parecia-nos um verdadeiro templo vivo de Fé...

Pensando com meus botões sobre isso, ao fazer uma prece o sono chegou forte. Dormi e sonhei...

Sonhei que acompanhava o Chico em sua missão fraterna numa colônia da zona umbralina, e perguntei-lhe:

— Que colônia espiritual é esta?

— É a Colônia dos Resmungos.

Fiquei pensando... Já ouvi falar da Colônia Espiritual das Flores, do Bom Retiro, Mas dos Resmungos!?...

O Grande Médium pareceu ler os meus pensamentos e replicou:

— Estes irmãos quando encarnados viviam só resmungando... Os vizinhos queixavam-se uns dos outros, os pais queixavam-se dos filhos e vice-versa.  Viviam sempre descontentes... Todos tinham problemas e todos reclamavam.

O ambiente desfavorável dessa colônia era de baixa vibração, devido às falsas criações mentais das almas em desiquilíbrio, ou de outras enquistadas (com quisto mental!) de tanto reclamar e resmungar. Todas tinham, pois, um vazio no coração por se olvidarem da mensagem do Cristo: “Amai ao vosso próximo como eu vos amei”.

E, diante das fugas da Lei do Amor, essas almas, com certeza colherão o que plantaram em doloridas reparações...

Chico sabia disso e as consolava! E para ilustrar seus conselhos contou-lhes a seguinte história:

Um dia, um Mascate chegou a um lugarejo onde todos só reclamavam. E, ao perceber toda aquela choradeira, pôs seu cesto no chão e gritou:

— Ó cidadãos deste belo lugar! Os campos estão abarrotados de trigo, os pomares carregados de frutas. As cordilheiras são cobertas de florestas e os vales banhados por rios profundos. Jamais eu vi um lugar abençoado por tamanha abundância!... Por que tanta insatisfação? Vão chegando, que vou lhes mostrar o caminho da felicidade!...

Ora, a camisa do Mascate estava puída; a calça remendada; os sapatos estragados... As pessoas riam ao pensar como alguém, assim, poderia mostrar-lhes como ser feliz.

Mas, enquanto elas riam, ele puxou uma corda comprida do cesto e esticou-a entre dois postes da praça.

E segurando o cesto, gritou:

— Os insatisfeitos escrevam seus problemas num pedaço de papel e ponham dentro deste cesto. Trocarei seus problemas por felicidade!

Ninguém hesitou diante da chance de se livrar dos seus problemas. Rabiscaram suas queixas num pedaço de papel e colocaram no cesto.  

Eles viam o Mascate pegar cada problema e pendurá-lo na corda. Ali os problemas balançavam de um extremo a outro. Então, ao terminar, ele ordenou:

— Agora cada um de vocês deve retirar desta linha mágica o menor problema que puder encontrar.

Todos correram para examinar os problemas. Procuraram os pedaços de papel e cada qual ponderava tentando escolher o menor problema.

Após algum tempo a corda estava vazia. Mas, pra surpresa geral, eis que cada pessoa segurava o mesmíssimo papel que havia colocado no cesto. Pois tinha escolhido o seu próprio problema, julgando ser ele o menor de todos.

Daí em diante, aquele povo deixou de reclamar o tempo todo. Quando alguém sentia o desejo de resmungar, já pensava na corda mágica do Mascate e o desejo sumia!

Então o Chico arrematou a história:

— Quem muito resmunga, pouco faz. A energia gasta na reclamação é a mesma que falta para a ação. Por isso queridos irmãozinhos, vocês terão agora uma nova chance de agir para mudar. Todos reencarnarão!... E cada um vai estar tão ocupado que vai ser difícil encontrar tempo para resmungar.

Nesse instante acordei meio zonzo e resmungando... E parece até que ouvi, ainda, o conselho final do Chico:

“O resmungo é o eco de uma mente que se recusa a ver soluções!”.