Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

DEUS RESPONDE A TODAS AS PRECES

 

Deus conhece até as raízes dos nossos pensamentos!...


Emy tinha apenas 03 anos de idade. Vivia em um lugar sempre maravilhoso dos Estados Unidos, em frente ao mar.

De família cristã, ela fora alimentada, desde o berço por orações e Evangelho. Emy amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, de sua mãe e de seus irmãos.

Todos, em sua casa, tinham olhos azuis. Todos..., menos Emy!

O sonho de Emy era ter olhos azuis da cor do Céu. Como ela desejava isso!

Na escola de evangelização, um dia ela ouviu a orientadora dizer que Deus responde a todas as preces. E passou o dia pensando nisso.

À noite, na hora de dormir, ao lado da sua cama ela se ajoelhou e orou.

Sua prece foi um misto de gratidão e de solicitação:

— Senhor Deus, agradeço porque você criou o mar que é tão grande. Tão bonito e tão feroz. Agradeço pela minha família. Agradeço pela minha vida. Eu gosto de todas as coisas que você faz. Mas gostaria de pedir, por favor, quando eu acordar amanhã, que os meus olhos tenham ficado azuis como os de minha mãe!...

Ela acreditou que daria certo. Teve a Fé pura e verdadeira de uma criança.

Pela manhã, ao acordar, correu para o espelho e olhou. Abriu bem os olhos e qual era a cor deles? Bem castanhos! Como sempre haviam sido.

Bom, naquele dia, Emy aprendeu que “não” também era uma resposta. E agradeceu a Deus do mesmo modo, porque não entendia bem o motivo de não ser atendida.

Os anos se passaram. Emy cresceu e se tornou missionária, na Índia.

Entre outras atividades, ela se devotou a resgatar crianças que eram vendidas pelas suas próprias famílias, que passavam fome.

Para isso, ela precisava entrar nos mercados infantis, onde aconteciam as vendas. Naturalmente, para comprá-las para Deus – como dizia –, e precisava não ser reconhecida como estrangeira.

Então ela passava pó de café na pele, cobria os cabelos, vestia-se como as mulheres do local...

Aparentava ser uma indiana. E entrava nos mercados de crianças, podendo transitar tranquilamente.

Certo dia, uma amiga olhou para ela disfarçada e disse-lhe:

— Puxa, Emy! Você já pensou como faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como todos os de sua família? Que Deus inteligente, não? Ele lhe deu olhos escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiou.

O que a amiga não sabia é que Emy chorou muitas noites em sua infância, por não ter olhos azuis!...

****

Quantas pessoas não dirigem uma Prece a Deus e não recebem resposta?

Quantos ainda não pedem pela recuperação da saúde de um familiar, e ele morre. E ficam então acreditando que Deus não os ouviu.

E aqueles que pedem auxílio para as suas dores, e depois quase vão ao desespero, porque as dores aumentam...

Entretanto, os que têm Fé afirmam que Deus sempre nos dá uma resposta.  

Pois, “Pensar em Deus é Prece!”.

Certa vez, um repórter perguntou à Madre Teresa de Calcutá:

— A senhora faz prece?

— Oh sim! Prece é coisa muito importante para mim!

— Como a senhora faz a sua prece?

— Eu não falo nada pra Deus; eu só escuto Deus!

— E o que Deus fala pra você!

— Ah! Ele também não me diz nada; só me escuta!

As Preces, de certa forma, funcionam, porque Deus, Nosso Pai, vê a nossa intenção e atende cada um segundo o seu merecimento, que vem de suas obras de Caridade, e da programação de sua reencarnação.

Segundo uma nota da Bíblia “um coxo cruzou o caminho de Pedro (apóstolo) enquanto ele estava andando, e sua sombra, de repente curou completamente aquele coxo”.

Isso nos recorda a cura à distância, do segundo milagre de Jesus, narrado por João 4 46-53. O qual foi possível graças ao dom de Ubiquidade do Mestre (de estar presente ao mesmo tempo em todos os lugares).

Talvez você desejasse olhos de outra cor. Mas, não se entristeça por não ser atendida como gostaria. Saiba que Deus tem o controle de tudo!...

E, com certeza, o “não” de Deus, hoje, em sua vida, é o melhor que lhe convém!

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Crônica baseada numa história do Livro Momento Espírita, Volume 05, pag. 21.

sábado, 1 de agosto de 2026

O REI DOS REIS

 

“A importância dos bens terrenos está na razão inversa da Fé na vida futura”.


Em Havre, 1863, o Espírito de uma Rainha da França se comunica e diz:

— Quem poderia, melhor do que eu compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: “Meu Reino não é deste mundo”.

— Por que estimada soberana?

— Por causa do meu orgulho na Terra. Quem, pois, compreenderia o NADA dos Reinos do Mundo, se eu não compreendesse?

— Mas, Vossa Majestade levou consigo algo da sua realeza terrena?

— Nada, absolutamente nada! Passei por uma lição terrível!

— Não é possível! A senhora é uma notável Rainha!

— Rainha eu fui entre os homens, e Rainha eu pensei chegar ao Reino dos Céus. Mas que desilusão! Quanta humilhação! Em vez de ser recebida como Soberana, eu vi, muito acima de mim, homens que eu desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre!...

— E qual lição Sua Majestade tirou disso tudo?

— Compreendi a fatuidade dos seres humanos.

— Fatuidade?...

— Sim! Compreendi a burrice dos seres humanos, e das grandezas que tão avidamente buscam sobre a Terra!

— O que fazer então na Terra para entrarmos nesse Reino dos Céus?

— Preparar-se o tempo todo! Pois no Reino dos Céus mais necessário é a abnegação, a humildade, benevolência e Caridade para com todos! Nesse reino não se pergunta o que você foi, mas o Bem que você fez.

— Oh Jesus! Por que é necessário sofrer tanto para se chegar ao Céu?... Os degraus do trono não valem nada?

— Não!... São os caminhos mais penosos da vida que nos conduzem ao Céu. Aqui não há ilusões! Procurai, pois, o caminho através de “espinhos e abrolhos” e não entre flores!

— Meu Deus! Tende piedade dos que não ganharam o Reino dos Céus! Não os esqueça! Que possamos ajudá-los com nossas Preces, porque a Prece nos aproxima do seu imenso Amor!

A PRECE É O TRAÇO DE UNIÃO ENTRE O CÉU E A TERRA!

Para o ser humano tudo importa na vida, tanto o Mal que o atinge como o Bem que toca os outros.

Pois, vive como o homem que, vê tudo grande ao seu redor; mas que, subindo a montanha, tudo lhe parece pequeno. E acaba até se confundindo, ao ver gentes grandes e pequenas como se veem formigas num monte de terra.

 Visto assim, o poder na Terra não tem valor. E a pessoa meditando sobre isso, se coloca pelo pensamento, na Vida Espiritual, que é infinita, pois a Vida Corporal não é mais para ele do que uma rápida passagem na Terra.

A morte não mais lhe apavora, porque não é mais a porta do NADA, mas a porta da LIBERTAÇÃO.

Além disso, vemos que o título de Rei aqui na Terra é dado, por consenso da maioria, aos que estão no topo de alguma atividade. E nesse sentido é que se diz: o Rei dos artistas; dos poetas; dos escritores, etc.

Esta é uma Realeza, que nasce do mérito pessoal; e vale muito mais do que a Realeza terrena de Reis coroados na Terra, a qual depende de certas circunstâncias... Pois, às vezes é até amaldiçoada!...

A Realeza daquele que vive numa abominável arrogância sempre acaba no túmulo, enquanto que a Realeza nascida do mérito – a REALEZA MORAL – é imperecível e será abençoada pelas gerações futuras... Pois continua a imperar, sobretudo, depois da morte.

Sob este aspecto, JESUS é muito mais poderoso do que os potentados da Terra. E foi por esta razão, que Ele disse a Pilatos: EU SOU REI, MAS O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO.

JESUS, O REI DOS REIS é, pois, o Governador Espiritual de nossa Casa Planetária, a qual, segundo a Ciência, existe há mais de 4,5 bilhões de anos.

É o nosso “irmão mais velho” com uma idade incalculável de “zilhões” de anos. Unificado ao Nosso PAI, Ele governa, segundo um podcast, outros nove planetas. E, contudo, conhece cada uma das almas que estão sob a sua responsabilidade.

Na Terra somos oito bilhões de almas encarnadas e mais de duas vezes isso de almas desencarnadas que vivem na Parte Espiritual. E o nosso Mestre nunca as abandonou!

Por isso, devemos embasar nossas ações sempre no exemplo de JESUS.  

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Crônica escrita, com base nos textos do Cap. II do Evangelho Segundo o Espiritismo.

sábado, 25 de julho de 2026

O CERVO ORGULHOSO

 

“Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade” (Paul Valéry)


Um Cervo estava à procura de uma fonte para matar a sede. Logo encontrou um regato de águas frescas e cristalinas. Sem pressa, tranquilamente se abaixou para sorver o líquido procurado.

Após matar a sede, despertou-lhe a atenção alguma coisa que antes nunca tinha observado. Ele viu, espelhado nas águas límpidas do regato, as suas pernas compridas, tortas, com pés horrorosos, que formavam um triste contraste com os seus formosos chifres em galhos. E desgostoso exclamou:

— É bastante verdade o que dizem as pessoas a meu respeito. Eu supero a todos da minha espécie em graça e nobreza! Quanta elegância majestosa se verifica, quando levanto graciosamente a minha galhada! Entretanto, há uma incontestável verdade ao lado disso: em contraste com essa exuberância tenho os meus pés tão horrorosos!...

Ao mesmo tempo, que escarnecia e ironizava a feiura dos seus pés nas pernas tortas e desengonçadas, ele vê sair da floresta, vindo em sua direção, um esfomeado leão.

Em dois saltos firmes e velozes, colocou-se fora do alcance do inimigo.

Mas, na sua precipitada fuga, o Cervo resolveu passar por uma trilha apertada da floresta. Não havia avançado muito, quando teve a sua galhada presa num espinhal, cujos ramos mais finos se emaranharam, formando um verdadeiro alçapão.

Desesperado, o Cervo lutou para sair dali. No entanto, todo o seu esforço foi em vão. Enquanto isso, o leão o alcançou, devorando-o sem compaixão.

Assim, os pés e as pernas que o Cervo tanto depreciava o teriam salvado se a galhada de que tanto se orgulhava não o fizesse perecer.

MORAL DA HISTÓRIA:

O orgulho precede a queda. Pois, quem se sente grande demais ignora o infinito ao seu redor.

O Cervo orgulhoso demonstrava um exagero doentio de amor- próprio e ignorava tudo o mais que o envolvia.   

Por isso, o orgulho, que é a raiz de todos os vícios é considerado a maior “Chaga da Humanidade”.

Uma boa parcela da humanidade é assim! Há pessoas que se julgam tão superiores a ponto de negar que somos todos iguais; com os mesmos direitos e deveres. Pois rejeitam os desígnios do Criador.

E todas as suas atitudes refletem a imperfeição moral que possuem. E isso se torna o principal obstáculo à sua evolução espiritual, à caridade, assim como ao autoconhecimento.

Conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, o orgulho é a origem da maioria das dores e conflitos individuais quanto coletivos. Pois gera a soberba, a vaidade e a dificuldade de perdoar.

O orgulho é a negação da Caridade, pois impede o amor ao próximo, como Jesus recomenda nos Evangelhos. O orgulhoso não vê o outro como irmão em igualdade de condições.

O orgulho é uma das principais manifestações do Ego.

Enquanto o Ego é a nossa identidade mental (que busca validação, superioridade e proteção), o orgulho é a couraça que ele utiliza para esconder inseguranças, impedir o perdão e evitar admitir erros.

O orgulho tem duas vertentes:

a)  Orgulho Autêntico: nasce de conquistas genuínas. Embora venha do Ego ele pode promover a autoestima e a motivação.

b)  Orgulho Hubrístico (excessivo): Ego negativo, baseado na arrogância, na teimosia, autoconfiança desmedida e na ilusão de superioridade, que afasta as pessoas e impede a empatia. 

Enquanto o egoísta é indiferente, o orgulhoso atribui seu sucesso apenas aos seus próprios méritos. Não admite os próprios erros e se revolta nos momentos de dificuldade, pois acredita ser merecedor na vida de um tratamento especial. E tem então dificuldade de crescer, pois bloqueia todo o seu processo de reforma interior.

Disse Vianney, cura d’Ars que:

“O orgulho é um vento tão fino, tão sutil, que ele penetra em quase todas as nossas ações”.

E, qual é o antídoto para isso?

— É a HUMILDADE.

A Humildade é:

I – Um sentimento íntimo que fortalece tanto a nossa Fé quanto a Caridade.

II – Uma virtude que nos tira do pântano do orgulho no qual ainda estamos mergulhados, sem nos rebaixar ou anular a nossa identidade.

sábado, 18 de julho de 2026

CONVERSAS DO COTIDIANO

 

O principal combustível do médico é o doente.


Na clínica, a conversa é sobre o novo tempo de Regeneração que se aproxima, das mudanças que ocorrerão; quando um Paciente pergunta:

— Doutor, qual é o propósito da medicina?

— Ora! Tratar dos doentes... E curar as doenças!...

Mas o Paciente faz outra pergunta:

— Se a medicina acabar com as doenças não vai acabar também com os doentes?

— Claro que sim!...

— Já pensou Doutor, se nesse novo tempo que está chegando para o planeta ninguém mais ficar doente como estão falando!... O que acontecerá com os médicos? Acabam-se as doenças, e os médicos, como ficam?!

— Acabam-se os médicos também!

— Então, porque não se eliminar de vez as doenças do mundo?

Diante do silêncio do Médico, o Paciente então argumenta:

— Nesse caso Doutor, temos uma situação enigmática: ou a medicina quer e não pode acabar com as doenças, para ter mais doentes, ou então, a medicina pode e não quer acabar com as doenças para ter pessoas cada vez mais doentes e ela, por conseguinte, sobreviver...

— Ah, isso é trocadilho malicioso, de duplo sentido!...

— Não Doutor! Sem doenças não há doentes. É equação pura e simples!... O Médico está para o doente e para a doença, assim como a doença e o doente está para a medicina.

— E isso evidencia o quê? – brinca o Médico, piscando os olhos.

— O fator comum dessa equação, Doutor, é a medicina, que está para todos! E a evidência na resolução desse enigma é a seguinte: acabando-se as doenças desaparecem os doentes...

— E como fica o Médico nisso?

— O Médico fica só com o fator preventivo da questão para evitar que se instale a doença e haja doentes.

O Paciente, já meio se despedindo, arrematou assim a conversa:

— A medicina preventiva é muito melhor que a medicina curativa, que é simplesmente sintomática.  

Finda aquela conversa pública, o consulente ao lado me perguntou:

— O que será que esse Paciente quis dizer com medicina sintomática?

Medicina sintomática deve ser a que não procura as causas das doenças, que trata apenas dos sintomas.

— Ah, já sei, é a medicina que trata só os efeitos da enfermidade, que não vai à sua raiz, que não busca saber a causa, o porquê de ela aparecer.

Pensei em Emmanuel dizendo que a maioria das doenças possui sua raiz no corpo espiritual, e falei:

— As doenças surgem quando há um desequilíbrio entre o Espírito, o Perispírito (corpo espiritual) e o corpo físico...

Após uma pausa, eu continuei.

— Bem, trata essa questão da Lei de Causa e Efeito, ou Carma – Lei Universal da Justiça Divina –, cujo princípio nos diz que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. E, às vezes, até abordada como Lei da Compensação.

— Ah, essa eu já ouvi. Tá numa canção do Jackson do Pandeiro, que tem o seguinte refrão: “Existe no mundo, meu irmão, a Lei da Compensação!”...

E cantarolando e tamborilando esse lindo refrão, ele se levantou e adentrou a sala do Facultativo, para consultá-lo.

E eu fui pra casa pesquisar sobre a Lei da Compensação Divina.

Descobri tratar-se da Lei Moral que governa o Universo, que consiste em:

Dar a cada indivíduo o que é seu por merecimento, por esforço ou necessidade, garantindo a equidade.  

Pois, o Universo é um sistema de equilíbrio. Aquilo que lançamos no mundo volta para nós, muitas vezes...

Com fundamento nessa Lei da Compensação a Bíblia registra que:

“A caridade cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4;8 / Pr 10:12).

Ensinamento este que assegura que o Amor sincero e a Caridade têm o poder de reparação e amortização de muitas de nossas dívidas passadas, acelerando a nossa evolução espiritual. 

A reparação ocorre quando o Bem anula o Mal. Pois toda a dedicação em fazer o Bem neutraliza as vibrações inferiores e transforma o nosso “mapa” de vida.

A amortização de débitos se dá no Amor ao próximo, pois a Caridade é a complementação da Justiça Divina.

A Lei da Compensação trabalha ainda pela nossa transformação interior através do perdão, da paciência, da compaixão... E nos livra de expiações e sofrimentos.

sábado, 11 de julho de 2026

VILMA CINTILANTE

 

“A oração é o suor da alma”. (Martinho Lutero).


O suor da alma, citado por Martinho Lutero, me fez pensar sobre a energia da alma, que se manifesta em uma oração sincera ao Criador.

Lembrei-me, então, de um ato de oração que aprendi numa pescaria. Eu era adolescente e acompanhava meu pai e dois amigos dele nessa aventura.

Na hora de voltar pra casa muita chuva. O carro encalha numa subida. Diante da dificuldade de sair do atoleiro, o motorista, que tinha até fama de benzedor, disse:

— Vamos orar!... Deus vai nos ajudar a sair daqui!... As energias do rio, dos pássaros, das flores e das matas vão fortalecer a nossa prece...

Oração feita, O motorista funciona o carro, acelera, desliza de um lado para o outro, mas sai da valeta.

Curioso, eu perguntei:

— Mas, como é que deu certo?!...

— Foi o “suor da nossa alma nesta oração” – disse o Benzedor –, que nos impulsionou pra achar a saída...

Refleti bastante... E, depois, entendi que esse “suor” nada mais é do que a energia da Fé! Que eleva o pensamento humano até a sua comunhão com o Criador! Atraindo, assim, do mundo invisível, a presença de entidades que se incumbem de auxiliar o suplicante.

Anos após, leio o livro “Pequenos Milagres II” de Yitta Halberstam & Judith Leventhal – Rio de Janeiro: Sextante, 1999. E encontrei mais um exemplo de oração que dá sustentação a nossa alma.

Brad Fregger é o personagem que narra este conto, aqui adaptado:

Estávamos morando em Long Beach, Califórnia, no começo dos anos setenta, e eu acabara de arrumar um emprego em São Francisco. Estava dirigindo meu pequeno Fusca (nós o chamávamos de Vilma Cintilante) na autoestrada 05, completamente sozinho, quando subitamente ele parou.

 Até onde eu sabia a cidade e o posto de gasolina mais próximo ficavam a mais de setenta quilômetros de distância. Minhas chances de conseguir ajuda pareciam mínimas. Mexi no carro quanto pude, mas nada adiantou...

Eu estava sentado na beira da estrada há mais ou menos uma hora, e desamparado, quando olhei para o relógio e vi que eram seis e quinze. Nervoso, imaginei se seria capaz de chegar a São José em tempo para o meu primeiro dia de trabalho, às oito horas da manhã seguinte.

De repente, sem refletir, peguei automaticamente as chaves e tentei ligar o motor mais uma vez. Não sei o que me levou a fazer isso; uma pressão interna sem explicação me impeliu a tentar de novo. Para minha surpresa, o motor pegou como se nada tivesse acontecido. Que choque! Juntei as minhas coisas e dirigi o resto do caminho sem maiores incidentes.

À noite, liguei para minha esposa, Katie, e lhe disse que havia chegado a salvo em São José, que não se preocupasse que tudo estava bem.

— Ah – ela disse –, eu não fiquei preocupada. Durante o jantar as crianças e eu fizemos uma oração especial para você e a Vilma Cintilante.

— Sabe que horas eram?

— Exatamente seis e quinze. Eu olhava no relógio do forno para não queimar o jantar.

Lembrei-me então de uma frase que lera em algum lugar:

“Quando oramos, estamos falando com Deus. Quando acontece um milagre, é Deus quem está falando conosco”.

Ao ler esta história fiquei me perguntando: Afinal o que é a oração?

E voltei a pensar que a oração é o sopro (ou suor!), que sustenta a nossa alma para mantê-la numa Fé viva todos os dias. Que nos inspira a confiar no invisível, acreditar no impossível e encontrar a luz que nos guia e renova o nosso coração.

No fundo, a função da oração não é influenciar Deus, mas mudar a natureza de quem que ora. Pois é um processo de transformação interior, de alinhamento espiritual do indivíduo.  

A oração deve nos colocar em uma posição de humildade, sem tentar impor nossas vontades, diante do maior campo de forças da Consciência Absoluta do Universo, que pode criar os caminhos para a realização de nossas súplicas.

A oração é um poderoso incentivo para o nosso desenvolvimento e, por isso, deve ser praticada e aperfeiçoada.

“E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21,22).

sábado, 4 de julho de 2026

UMA CASA DIVIDIDA

 

“Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir”.


A frase deste subtítulo faz parte do famoso “Discurso da Casa Dividida”, proferido por Abraham Lincoln em 16 de junho de 1858, ao aceitar a nomeação republicana para o Senado dos EUA. Ele alertava que a nação não sobreviveria dividida entre estados escravocratas e livres.

É uma frase que se fundamenta nos ensinamentos de Jesus, quando lhe apresentaram um homem cego e mudo, possesso do demônio.

Jesus curou-o, de sorte que ele começou a ver e a falar. Mas, a multidão estupefata perguntava:

— Porventura é este (Jesus) o filho de David?

Os fariseus, porém, ouvindo isto, diziam entre si:

Jesus expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios.

Belzebu, Satanás, Príncipe dos demônios eram expressões de sentido figurado de que Jesus se valia para ser ouvido e compreendido. E porque naquela época assim eram designados os Espíritos maus que, tendo falido, continuavam ainda na senda do Mal.

Eram Espíritos malfazejos, que se manifestavam pela obsessão e pela subjugação. E, por esse motivo, Jesus era acusado pelos seus contemporâneos de curar por influência demoníaca.

Conhecendo os pensamentos de seus injuriadores, Jesus respondeu-lhes:

— “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir” (Mateus 12,25).

Jesus proferiu estas palavras como uma Parábola, para rebater a acusação dos fariseus. E ainda acrescentou:

“Se Satanás expele Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, pois, subsistirá o seu reino?” (Mt 12,26).

O Mestre indicava, assim, que qualquer reino ou casa dividida cairá.

E Abraham Lincoln, que acreditava nos ensinamentos do Cristo, sabendo disso fez desta Parábola não somente um símbolo da necessidade de união nacional, mas também uma profecia dos conflitos que viriam ocorrer devido à escravidão nos Estados Unidos.

Diz um ditado que “Ninguém pode dar aquilo que não tem”.

Se Jesus curava era porque tinha poder para isso! Sendo assim, ninguém poderia jamais duvidar que as suas curas viessem de Deus. E nem sequer duvidar da influência direta que o Pai Celestial exercia e exerce sobre Ele.

Dá-se, atualmente, o mesmo que se deu outrora com Jesus. Pois muitos escribas e fariseus modernos negam tudo o que não compreendem e chamam de loucos ou, então, de desiquilibrados a todos os que praticam as obras de caridade, sejam eles: espiritualistas, médiuns espíritas ou paranormais...

E a resposta destes trabalhadores deve ser a mesma de Jesus: “Nenhum reino que se divide contra si mesmo pode subsistir”. Tal como pensava Abraham Lincoln!

Lincoln foi o 16º Presidente dos EUA, que liderou o país em seu maior conflito interno: a Guerra de Secessão, de 1861 a 1865. Abolindo, assim, a escravidão e impedindo a nação de ser dividida mantendo-a sob um único governo federal.

 O dia 04 de julho é o Dia da Independência dos Estados Unidos.

Embora Abraham Lincoln não tenha participado da Independência, ele é considerado o segundo fundador dos Estados Unidos, devido seu papel vital na consolidação do governo nacional.

Segundo Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz” (psicografado por Chico Xavier), pg. 173:

“Os operários de Jesus [...] sob a determinação superior, organizam as linhas evolutivas das nacionalidades que aí teriam que florescer no porvir”.

“Definiram o papel de cada região no continente, localizando o cérebro da nova civilização no ponto onde hoje se alinham os Estados Unidos da América do Norte, e o seu coração nas extensões da terra farta e acolhedora onde floresce o Brasil, na América do Sul”.

Enquanto os Estados Unidos guardam os poderes materiais, o Brasil detém os poderes espirituais destinados à futura civilização do planeta.

Pois o Brasil, conforme alguns sensitivos será a maior potência espiritual da Terra. E já está bem na frente das demais nações, devido o alto Espírito de Solidariedade, que prepara a humanidade para a Era de Regeneração que se aproxima rapidamente.

sábado, 27 de junho de 2026

MEIAS–VERDADES

“Viver pela metade é ilusão. Tire suas meias e ponha os pés no chão”.


Um sábio, para mostrar ao Rei o sentido das meias–verdades, pediu que colocassem um elefante diante de seis (06) cegos e disse-lhes:

— Há um objeto diante de vocês. Toquem nele e depois digam o que é.

Os cegos não sabiam o que era um elefante!... O primeiro se aproximou, tocou no objeto e disse:

— Parece um muro.

— É uma lança – disse o segundo cego após tocar em outra parte.

— Que disparate! – disse o terceiro. Está mais parecido com uma cobra.

— Bem – disse o quarto homem, ao apalpar o animal –, parece uma árvore.

Todos riram! O quinto cego pegou então em outra parte do objeto e deu sua opinião, dizendo:

— Com certeza é um leque.

Finalmente, o sexto cego, por sua vez, tocou no elefante e disse:

— Parece-me que é uma corda.

Com tantas opiniões diferentes, o Rei, exasperado, exclamou:

— Que grande confusão!...

— Mas, não é bem assim! – falou o sábio. – Pois, na verdade, o elefante tem flancos como muros, dois grandes dentes como lanças, uma tromba como cobra, pernas como pequenas árvores, as suas orelhas são como dois leques e o rabo parece uma corda. Juntando tudo isso, temos uma descrição, quase perfeita, de um elefante!

— Afinal – continuou o sábio –, os cegos VIRAM o elefante, não pelos olhos, mas sim pelo tato. E nenhum deles mentiu!... O que fizeram foi só contar um pedaço da verdade...

A meia–verdade, apesar de conter parte da realidade, sempre nos engana, e nos leva a uma conclusão falsa.

Por isso, Jesus sempre alertava: “Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis," (Mateus 13,14).

Há muito tempo, como professor primário, vendo as dificuldades dos alunos para aprender continhas de aritmética, eu fui buscar o saber de Jerome Bruner dos EUA – o Pai da Psicologia Cognitiva.

Ele falava sobre o ensino Em Espiral, onde um conceito deveria ser repetidamente ensinado, em diferentes níveis. Isso permitia ao aluno aprender ideias complexas de modo simples, num processo baseado em como os seres humanos chegaram ao estágio atual; e em como poderiam se aprimorar.

Daí nasceu, em 1965, a minha apostila “Aritmética Passo a Passo”, um rol de continhas de 1ª a 4º séries, partindo sempre das mais simples para as de maior complexidade.

Nasceu, do mesmo modo que se dá a aprendizagem espiritual do ser humano, em forma de uma escada em espiral, partindo-se dos níveis de frequência mais baixos para, passo a passo, avançar gradativamente aos demais degraus da escala evolutiva.

Em cada passo ou degrau o aprendiz forma uma concepção (sua meia–verdade). E no passo seguinte, no degrau mais elevado – com nova visão, ele amplia sua verdade.

Assim, em cada etapa ou série escolar ele se sente mais experiente; e na escala espiritual acontece o mesmo.

De meias e meias–verdades – tal como na referida história –, é que o ser humano conhece a “VERDADE PLENA”, absoluta, além das aparências materiais e se livra da ignorância.

Como diz João 8, 32: “Conhecereis a verdade e a verdade vos livrará”.

Pois, “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade ensinar-vos-á toda a verdade, [...] e anunciar-vos-á as coisas que virão". (João 16,13)

As experiências do Espírito é a sua maior riqueza, a qual promove o seu Bem mais elevado, no decorrer de suas sucessivas existências, através de meditações e reflexões mentais, até atingir a Meta de sua programação.

Quando Jesus manda “amar vossos inimigos” (Mateus 5,44), de certa forma está pedindo pra gente olhar e ver, ouvir e escutar para compreender que o nosso “inimigo” é nosso irmão! Filho do mesmo Pai Eterno! apenas num estágio diferente de maturidade, que constitui a sua Meia–Verdade – o conceito do nível da sua frequência.

Pois, “Todos os Espíritos passam pelo caminho da ignorância”. (Livro dos Espíritos / Q. 120).

       Assim como o bom Professor não se ofende com os erros do aprendiz, se você já detém algum saber, aprenda a viver e não se ofenda na vida com os erros dos outros.