Uma pessoa do
bem e de caráter firme conserva a paz dentro de si.
Pelo
subtítulo já se percebe que há uma diferença entre ser uma “pessoa do bem” e ser uma
“pessoa
de caráter”.
Ser
uma “pessoa
do bem” é ser generosa e gentil – inclinada à bondade e à promoção do
bem-estar alheio.
Ser
uma “pessoa
de caráter” é ser honesta e responsável (mesmo sem que ninguém veja!). Que
tem integridade moral, que tem firmeza de princípios, compromissada com valores
éticos; como, por exemplo, devolver um troco recebido a mais...
A “pessoa
do bem” pode ter um caráter fraco. E a “pessoa de caráter” pode
ser carente de bondade. Mas é a união de
ambos, que constitui uma conduta ética e
virtuosa!
Muitos
cristãos buscam moldar a sua própria natureza nos exemplos de bondade do Mestre.
Mas, às vezes, se esquecem das convicções e princípios que revelam o Caráter de Cristo.
JESUS ensinou que o caráter não é definido por rituais
externos, mas pelo estado interno da pessoa.
Tanto,
assim, que comparava os escribas e fariseus a “sepulcros caiados”... Ou,
como diz um provérbio popular: “Por fora bela viola, por dentro pão
bolorento!”.
Em
Mateus (23, 25/28) Ele dizia:
“Ai
de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais por fora o copo e o prato e por
dentro estais cheios de roubo e de intemperança”.
“Por fora pareceis justos aos olhos dos
homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade”.
Esses
ensinamentos são focados na transformação interior. Pois o Coração
é a fonte do caráter da pessoa.
Em
(Mateus 15,18-19), Jesus ainda
explica que o que sai da boca vem do Coração.
E isso é que revela a verdadeira natureza da pessoa.
O caráter não é, pois, sobre seguir as
regras sociais, mas sobre uma moral profunda que se manifesta mesmo quando ninguém está olhando.
Como
relata a seguinte história:
Um
Mestre vivia há muito tempo junto com seus discípulos em um templo arruinado. Sobreviviam
de doações e esmolas, conseguidas numa cidade próxima. Mas, como todos
reclamavam mesmo era das péssimas condições em que viviam, um dia disse o velho
Mestre:
—
Nós devemos reformar o templo. Mas, como somente ocupamos o nosso tempo
estudando, não há tempo para trabalhar e arrecadar esse dinheiro. Eu pensei então
numa solução simples: “ir à cidade e roubar bens que poderão ser
vendidos para a arrecadação do dinheiro” Só, assim, seremos capazes de
fazer uma boa reforma...
Os
estudantes ficaram espantados por esse tipo de sugestão vir do sábio Mestre!
Mas, não protestaram, porque todos tinham por ele o maior respeito.
E,
a seguir, o Mestre completou:
—
No sentido de não manchar a nossa reputação por cometermos atos ilegais e
imorais, solicito que roubem quando ninguém estiver olhando. Eu quero que ninguém
seja pego!...
Longe
do Mestre os estudantes discutiam o plano. Disse um deles:
—
É errado roubar! Por que será que nosso Mestre nos solicitou para cometermos
esse ato?
—
Porque isso permitirá reformar o nosso templo – respondeu outro logo em seguida
–, e essa é uma boa causa.
Assim,
todos concordaram que o Mestre era sábio e justo e deveria ter uma razão para
fazer tal tipo de requisição. E logo partiram em direção à cidade, prometendo
serem cuidadosos para não serem vistos nem pegos e não causarem a desgraça para
o templo.
Todos
os estudantes foram para a cidade, exceto
um. O Mestre então se aproximou dele e lhe perguntou:
—
Por que você ficou para trás?
O
garoto respondeu:
—
Eu não posso seguir as suas instruções para roubar onde ninguém esteja vendo. Pois,
não importa aonde que eu vá; sempre estarei olhando para mim mesmo!... E meus próprios olhos verão que estou
roubando!...
O
sábio Mestre abraçou o garoto com um sorriso de alegria e disse:
—
Eu somente estava testando o caráter dos
meus estudantes e você é o único que passou no teste!
Após
muitos anos, esse garoto se tornou um grande e sábio Mestre.
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Conto
adaptado do Livro “As Mais Belas Parábolas de todos os tempos”, vol. I, Editora
Leitura – Belo Horizonte MG.