“Amai muito,
para serdes amados!” (Sansão).
O
subtítulo desta crônica é uma frase comentada por Sansão no Cap. XI do Evangelho Segundo o Espiritismo.
Sansão, em 1863, era
membro da Sociedade Espírita de Paris.
Seu
pensamento justo e inovador é consolador, pois acalma as dificuldades do dia a dia.
Mas, para entendê-lo bem algumas considerações preliminares são necessárias.
Sem
delongas, lembre-se de que a vida é eterna e não se limita a uma única
existência. E que somos atraídos a viver na Terra em consequência de nossos laços
Cármicos, pelas forças do Amor ou da
Dor.
Existem
duas teorias relativas ao Amor: a
primeira diz que “Quem ama sofre”, e a outra revela que “Quem ama se liberta da Dor”.
Estão
certas as duas concepções.
O Amor Pessoal – de quem AMA outra pessoa
– traz naturalmente a DOR, pois as pessoas são falíveis e produzem a DOR.
Porém, quando a pessoa Ama Espiritualmente,
este AMOR traz alegria e a liberta da DOR.
O Amor Pessoal pede recompensa. Pois,
sempre que amamos alguém como filho (a), pai, mãe, irmã (o) ou amigo, existe em
nós o Sentimento da Posse, que se
relaciona com a ideia de Gratidão ou
de Ingratidão.
E,
nessas relações mútuas de Simpatia e
Antipatia, nos enredamos em Carmas
ora Bons, ora Maus.
Mas,
se o nosso Amor é Espiritual conseguimos
compreender que somos todos irmãos, porque viemos todos de uma fonte comum. E
se temos hoje um pai ou mãe, teremos outros em novas encarnações e, é natural
que o nosso amor seja universalizado, pois os laços espirituais
são eternos, enquanto os laços da carne são temporários...
Este
Amor Espiritual nos atrai para a Terra.
Pois, não seremos felizes enquanto nela existir Dor. E estamos prontos para renunciar nosso gozo pessoal para ver
outras pessoas felizes.
Feito
este preâmbulo, voltemos ao texto de Sansão, quando ele diz:
“Amai
muito!”.
Fazendo isso, você se elevará acima da matéria e se espiritualizará antes mesmo
de se despir do seu corpo terreno.
E quando
você se elevar bem alto, vai julgar sem as restrições da matéria e não condenará
o seu próximo sem antes dirigir seu pensamento a Deus.
Amar muito, do íntimo de
seu coração, é uma atitude
revolucionária, pois segue um princípio básico dos ensinamentos de Jesus, que consiste em: “fazer
aos outros aquilo que se deseja para si mesmo”.
Esta
atitude revolucionária não expressa, porém, um sentimento de belicosidade, de
revolta armada. Ao contrário, ela se manifesta no sentido de causar uma notável
mudança na maneira de pensar das pessoas, para levá-las a encarar a Grande
Família Humana como a sua própria, pois somos todos irmãos, filhos de Deus,
marcados para evoluir...
“Amai
muito!” é
a comprovação de que você progride sempre... Pois você é atualmente
infinitamente melhor do que há Cem Anos; de tal forma você se modificou para
melhor, que aceita hoje, sem repulsa, uma infinidade de ideias, que antes
rejeitava. E daqui a Cem Anos você aceitará com a mesma facilidade as outras
ideias que ainda não puderam entrar na sua cabeça.
Sansão nos esclarece ainda, que isso
acontece porque essas ideias correspondem ao que há de Divino em nós. E com
razão, pois somos uma pequena partícula da Energia Divina!
Deus está dentro de nós. Da mesma
forma que nós estamos mergulhados Nele
como os peixes estão no mar. Está nos Salmos 81,6: “Sois deuses, sois todos filhos
do Altíssimo”.
Sentimo-nos,
pois, preparados para a semeadura fecunda das ideias de progresso, sob as
ordens do Altíssimo, que resultarão na mudança universal de Amor ao próximo.
E
sob esse novo entendimento do AMOR, dar-nos-emos as mãos até os confins da
Terra, hasteando a Bandeira da Verdade no ponto mais alto da nossa casa
planetária, para que resplandeça a Luz do Cristo por todas as dimensões da Via
Láctea.
Veremos,
então, a destruição de todas as injustiças e de todas as causas de
desentendimento entre os povos.
Eis
a máxima revolucionária, que produzirá o Grande
Milagre dos tempos vindouros: “Amai muito, para serdes amados!”.