“Se vosso olho for motivo de escândalo,
arrancai-o” (Jesus).
Dia
do Evangelho no Lar.
Lição
aberta ao acaso. Tratava-se de uma comunicação dada em 1863, em Paris, a
respeito de uma cega, para a qual foi evocado o Espírito Vianney, o Cura d’Ars, conforme nota de rodapé, no Evangelho
Segundo o Espiritismo.
Cura significa Vigário; Pároco...
João Maria Batista de Vianney, (1786 / 1859),
foi sacerdote católico da Aldeia de Ars, na França, por mais de 40 anos. Canonizado
em 1925 pelo Papa Pio X, a sua memória litúrgica é celebrada em 04 de agosto,
data que, no Brasil, é também comemorada como sendo o “Dia do Padre”.
Sua
fama de abnegado e com o dom de curar as pessoas, correu entre os fiéis de
todas as partes da Europa.
A
pequena Aldeia tornou-se então, em 1827, um Centro de Peregrinações, alcançando
80 mil peregrinos nesse ano. Em 2019, estimava-se que cerca de 500 mil pessoas
passavam anualmente pelo santuário.
A
comunicação de Vianney deu-se,
portanto, 04 anos após o seu desenlace corporal. E, diante de sua santidade,
cotejamos a grandeza espiritual desta lição com as outras Bem-aventuranças do Sermão
da Montanha.
Mas,
os Bem-aventurados
do Padre de Ars, literalmente, não estão entre os felizes Bem-aventurados
de Jesus dos Evangelhos do Novo Testamento!...
Esta
lição, porém, se ajusta como uma luva na interpretação do Sermão da Montanha, quando
se olha “os felizes de Vianney” pelas entrelinhas das Bem-aventuranças
de Jesus.
Por
esse viés, não somente são compatíveis;
como se locupletam entre si, como se vê, a seguir:
“Bem-aventurados os que choram (os aflitos),
porque serão consolados!” (Mateus 5,4).
Há,
pois, compatibilidade entre elas quando, se afirma que a VIDA é UNA – que significa
dizer que existe uma única energia ou uma
única essência compartilhada por todos os seres.
Ou,
dizer de um jeito simples, que somos partículas
divinas, unidas como irmãos, pela mesma energia do Nosso PAI,
num TODO único.
As
pessoas nascem para evoluir e não para sofrer!... Aflição não passa de
consequências de nossas escolhas mal feitas no presente ou no passado!...
Ficamos
cientes, assim, de que cada uma de nossas escolhas e ações impacta no TODO e gera transformações que visam o
nosso aperfeiçoamento.
E
nessa reciprocidade, toda Bem-aventurança vale para os dois lados
– tanto do réu quanto da vítima – para irmanados se elevarem...
Pois,
(segundo Mat. 18,2): “se vos transformardes entrareis no Reino
dos céus”. Cada um no seu devido tempo!
Porque
toda a Criação Divina está de acordo com a promoção do Bem Supremo para todos
os seres vivos... Como bem disse o Grande Pastor sobre suas Ovelhas: “Eu
lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer”.
Ou,
como disse o Cura d’Ars:
“Oh,
sim, bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Mais feliz do que vós que
estais aqui, ele sente a felicidade, pode tocá-la, vê as almas e pode lançar-se
com elas nas esferas espirituais, que nem mesmo os predestinados [...]
conseguem ver”...
E
o santo de Ars ainda afirma:
“O olho aberto está sempre pronto a fazer a
alma cair; o olho fechado, pelo contrário, está sempre pronto a fazê-la subir
até Deus. Crede-me, meus bons e queridos amigos, a cegueira dos olhos é quase
sempre a verdadeira luz do coração, enquanto a vista é quase sempre o anjo
tenebroso que conduz à morte”.
Acabamos
entendendo, enfim, que:
Se
a aflição da cegueira não tem causa na vida presente é preciso procurar a causa
numa vida anterior.
Porque
“Somos
sempre punidos naquilo em que pecamos”.
A
cega, ora reencarnada, sofreu a pena da Lei – o caminho de reparação de seus
erros do passado.
Qual
deve ser então a causa de sua queda para ser afligida com a cegueira? Pode, por
exemplo, ter ficado cega em consequência de maus tratos que ela mesma praticou
contra alguém.
O
que chamamos de capricho da sorte, nada mais é às vezes do que o efeito da
justiça de Deus!...
Mas,
não é castigo de Deus!... Pois cada um responde pelos seus próprios atos e pela
influência que exerce sobre os outros.