Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sábado, 28 de março de 2026

O EFEITO

 “É pra acertar as dívidas do passado que estão aqui, ‘fiarada’!”. (Preto Velho).


Os “Pretos Velhos”, ao contrário do que se imagina, são trabalhadores do Bem e dignos conselheiros!...

São boníssimos! E Grandes Mestres da Humanidade, que vêm para dar exemplos de humildade...

Os “Pretos Velhos”, a convite de Jesus, nasceram no Brasil no tempo da escravidão, para pacificar os oprimidos, apagando o fogo da revolta, através de condutas fraternas, reduzindo a dor e o sofrimento, por misericórdia divina.

Nosso PAI a ninguém desampara!

Seus recursos na linha do Amor e do Bem são ilimitados para a libertação das criaturas das amarras da ignorância, mediante uma educação ampla e eficaz, que não fique só no aprender a conhecer, mas que ensine também a aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Todavia, ao se aproximar o tempo de regeneração, que estamos prestes a herdar, o grande lema desta Terra, tem sido, segundo Miramez, “educar os homens com os próprios homens”.

Serão alunos e professores ao mesmo tempo!...

A educação será fundamental para Despertar a Consciência de uns, que servirão de instrumentos para acordar outros; para que todos juntos caminhem em cooperação, no mesmo propósito de elevação espiritual.

E o Efeito desse árduo trabalho terá colheita certa!

No livro “Senzala Azul”, pag. 73, psicofonia de José Euclides Renzo, São Paulo, SP, um “Preto Velho” nos fala sobre esse Efeito – ou seja, a colheita.

Fizemos alguns cortes e correções sem qualquer interferência nas ideias do autor, que segue assim:

Tudo que passam hoje nada mais é do que consequência, a causa está lá para trás.

Nós, seus mentores, oramos todos os dias para que sejam produtores hoje, de efeitos felizes para o amanhã.

Às vezes nós nos decepcionamos com as suas escorregadas, “fiarada”. É muito difícil no dia a dia, escalarem um pouco mais. Nós sabemos que é muito difícil terem um pouco de paciência com os companheiros que ombreiam lado a lado na luta, companheiros preciosos que fazem humildemente o trabalho silencioso que nem valorizam e, no entanto, cobram ferozmente se algo fica em desacordo.

Oh, injustiça! Clamarão a Deus, à natureza: como pôde acontecer isto comigo? Eu nada fiz e esses irmãos, vêm me cobrar coisas...

Ora, a cobrança nada mais é do que Efeito. A causa está no relacionamento do dia a dia.

Tenham um pouco mais de paciência. Observem a conduta. Acreditem mais em si mesmos. Vençam os medos.

Parem de construir jaulas mentais, que impossibilitam vitórias fáceis até; e que se tornam inatingíveis devido à própria impotência, devido ao medo, ao apego, à fraqueza, ao desânimo.

Por favor, “fiarada”, busquem refletir no agora!

Esqueçam o ontem. É agora, é amanhã, nos próximos dias, nas próximas horas que vocês têm de mudar verdadeiramente suas atitudes, abrandar a voz, colocar ternura e compreensão em todos os que os rodeiam. São eles seus semelhantes. Também são medrosos e, às vezes, carecem da sabedoria, carecem da liderança que vocês têm, carecem de uma palavra mais pacienciosa.

Vocês semearam muitas vezes a discórdia, o desânimo e a tristeza, por estarem apegados ao egoísmo, não permitindo, revoltando-se quando as coisas não iam muito bem.

O riacho que corre da montanha contorna as pedras, por maiores que sejam, e vai firme em direção ao oceano ou rio maior.

Vocês são almas que descem buscando uma maior compreensão, um amor maior. Contornem, pois, com suavidade essas pedras como fazem as águas. Mudem suas vidas de hoje no relacionamento, como essa límpida água que desce da montanha. Contornem a incompreensão e a dificuldade do irmão menos feliz que está ao lado, ou mais triste, ou mais ingrato, ou mais tolo.

Nós queremos “fiarada”, deixá-los muito alerta no hoje, no agora, no próximo abraço, no próximo olhar, na próxima palavra que dirigirão um ao outro.

Que ela sempre leve estímulo, fé, confiança em Deus nosso Pai. Isso também é caridade e é a maior delas.

Abram as portas dos seus corações e fiquem em paz!


sexta-feira, 20 de março de 2026

OS LÍRIOS DO CAMPO

 Se nada mudasse, os lírios do campo não existiriam.


JESUS era um artista nato. Suas falas tinham o charme da poesia, como se nota no seu Evangelho ao mencionar os Lírios do Campo, numa época onde havia uma preocupação com o que comer o que beber ou vestir...

“E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?”. (Mt 6,28-30)

O ambiente social nos dias atuais, contudo, leva o indivíduo a sofrer mais do que outrora. Ainda mais neste tempo apocalíptico que estamos passando!... De inquietações e tantas incertezas!... De iniquidades, corrupção, tirania, censuras, de falsas narrativas, etc.

Assim, diante de tantas mudanças que nos atemorizam, é de se perguntar:

Como serão os nossos dias de amanhã?

Daí a importância de recorrermos à mensagem do Cristo. E refletirmos, nesta hora, sobre a imagem iconográfica dos Lírios do Campo, poeticamente utilizada por Ele, para nos dar paz, tranquilidade e a Fé que nos fortalece. Pois, nosso Pai Celestial bem sabe de todas as coisas que necessitamos. 

 Os Lírios do Campo compõe uma grande lição contra a ansiedade da humanidade provocada pelo sofrimento, especialmente nestes tempos de muitas dificuldades.  

Esta mensagem, pela verve poética do Mensageiro da Paz e da Harmonia, veio para por fim nestas preocupações, quando Ele, magistralmente, demonstra a necessidade de crescermos como os Lírios do Campo, de inigualável brancura, recebendo o orvalho da manhã sem perder a beleza; presos a terra, estendendo suas raízes para romper novamente o solo e embelezar os prados com novas flores.

Pois, crescendo livres, sem tantas imposições, nossos corações se abrem como os Lírios do Campo para amar todas as criaturas, independente de religião; de raça; ou de cor.

É uma lição na qual a Providência Divina nos alerta:

a)   Para buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas;

b)   Para não nos preocuparmos com o dia de amanhã, pois a cada dia basta o seu cuidado.

Todavia, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no capítulo XXV-7, alerta para não tomarmos esta mensagem ao pé da letra, ao esclarecer que:

“Não se pode ver nestas palavras, portanto, mais do que uma alegoria poética da Providência, que jamais abandona os que nela confiam, mas com a condição de que também se esforcem. É assim que, se nem sempre os socorre com ajuda material, inspira-lhes os meios de saírem por si mesmos de suas dificuldades”.

E no cap. XXVII-8, o supracitado Evangelho dá o seguinte exemplo:

Um homem está perdido no deserto sentindo-se desfalecer de sede. Pede ajuda a Deus, e espera; mas nenhum anjo vem lhe dar de beber.

No entanto, um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de seguir determinada direção. Ele se levanta e avança ao acaso. Chegando a uma elevação do terreno, descobre ao longe um regato, e com isso a coragem. E por ser um homem de fé exclama:

— Graças, meu Deus, pelo pensamento que me inspirou e pela força que me deu.

Mas, se não tivesse fé, diria:

— Que boa ideia eu tive de seguir pelo caminho da direita e não pelo da esquerda! O acaso, às vezes, nos ajuda! Que alegria por eu não me abater!

— Mas – perguntarão –, por que o Bom Espírito não lhe disse, claramente, para seguir o caminho do regato para ele já se convencer da intervenção da Divina Providência?

E o Bom Espírito dirá:

— Para lhe ensinar que é necessário ajudar-se a si mesmo usando as próprias forças. E também pela sua incerteza, porque Deus põe à prova a confiança e a submissão de cada um à sua vontade.

Em resumo: que a lembrança desta bela figura dos Lírios do Campo, seja sempre um tônico para o nosso corpo e um bálsamo para nossa alma, não permitindo nunca que o desânimo e a dúvida se instalem em nossos corações!


sábado, 14 de março de 2026

O CAMINHO DO MEIO

 

 “O caminho do meio é o tom da vida” (Buda).


O Caminho do Meio é o coração do ensinamento budista, que propõe o equilíbrio entre a falta e o excesso.

Significa viver com moderação.

“Nem tanto ao mar, nem tanto a terra”. Viver buscando o meio-termo, como um ponto de equilíbrio em situações, opiniões ou ações extremas. 

Pois, enquanto uns passam frio, outros se cobrem em demasia; enquanto uns passam fome, outros se envenenam de alimentos inventados, só para gastar o excesso de dinheiro que possuem.

Na prática, para se evitar estes extremos – sem se apegar ao prazer pelo excesso de luxo nem à privação absoluta –, o melhor é o “Caminho do Meio”, com uma mente equilibrada para se alcançar a paz, a sabedoria e o despertar espiritual.

Para Aristóteles esta é uma filosofia de vida conhecida como a “Doutrina do Meio-Termo”.

É essencial para a vida espiritual achar esse “Caminho do Equilíbrio”. Pois sem ele a vida é como uma espada de dois gumes, que nos pode ferir ou defender por qualquer um deles.

Infelizmente, a humanidade passa por um momento difícil para viver dentro das regras que mantenham as pessoas em equilíbrio. Mas, por quê?

Porque a organização social, criada pelo próprio ser humano, nos arrasta a excessos; e fica muito difícil trilhar um único método justo pra nossa libertação.

Em tudo na vida, há demais ou há de menos, e compete ao ser humano – que cria essa situação! –, lutar para que as gerações vindouras encontrem um destino menos áspero a percorrer e uma situação menos perigosa.

A melhor via a ser encontrada, deve ser o “Caminho do Meio”, para que esta geração possa, com equilíbrio, se libertar do emaranhado de Carmas do passado; e se capacitar para cooperar na construção de uma Nova Era.

A vida material depende da vida espiritual, mas esta também está em grande dependência da vida material.

Se o ser humano é o construtor do seu destino; não lhe cabe, entretanto lutar pela formação de uma sociedade mais equilibrada e Feliz?

Sim! Começando pelo cuidado do corpo, para que sirva de instrumento ao seu Espírito.

É sobre isso que alude o Apóstolo Paulo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?”. (1Cor 6,19)

Assim como cuidamos da cultura do Espírito, básico também é cuidarmos da cultura do Corpo Físico! Pois tanto o progresso como a felicidade decorre do emprego harmonioso e equilibrado dessas duas forças: corporal e espiritual.

Uma educação que descuida do Corpo ou da Alma produz, fatalmente, perturbações corporais quanto mentais.  Por isso, a Sobriedade (moderação no comer ou beber) é um dos maiores segredos da saúde e da longevidade.

A expressão latina “mens sana in corpore sano”, (mente sã num corpo são) significa o maior bem da vida. Pois, com boa cultura corporal, fácil nos será equilibrar as emoções e a mente!

 É preciso ser forte fisicamente, para ser forte em espírito!... Para legar aos filhos um Corpo sadio possuidor de uma Mente sã, que servirá de TEMPLO para a ALMA que nele vier habitar.

Para o aperfeiçoamento do Corpo a Alma é tão útil, quanto o Corpo é útil à manifestação da Alma.

Para um êxito completo é preciso, porém, a aquisição de bons hábitos, como o serviço desinteressado, o equilíbrio em tudo, alimentação pura, instrução, oração, meditação...

Emmanuel / Chico Xavier, no livro “Caminho, Verdade e Vida”, pág. 28, dá-nos a entender a importância dessa interação entre corpo e alma, quando se refere ao trabalho e à oração.

Ao Trabalho que foi convocado a fazer para evoluir; e à Oração para receber de Deus o auxílio indispensável à santificação de sua tarefa.

Aqueles que vivem nos extremos do “tudo ou nada”; do “vai ou racha”; de orgulhos exacerbados aniquilar-se-ão como o sapo da fábula que, desejoso de imitar o boi, se encheu tanto de vento que se arrebentou e morreu!...

Portanto, modele com amor a vossa dócil argamassa, para ser você mesmo o artífice da sua imortalidade!

No Caminho do Meio o Coração palpita melhor, a Alma se acalma, e o Corpo se fortalece!...

sexta-feira, 6 de março de 2026

METÁFORA DA BOLA

“O Universo devolve exatamente tudo o que você emana”


A Verdade, tão nua quanto o seu nome, foi ao estádio, assistir o jogo de futebol feminino.  Totalmente despida de roupas ela se apresentou ao público sem quaisquer tipos de adornos no corpo. Porém, ninguém lhe deu as boas vindas, e todos ainda lhe viraram as costas, talvez de vergonha ou por medo.

A Verdade nua sem ao menos ser entrevistada e ouvida, sentiu-se muito incompreendida e rejeitada.

Desolada e triste ela ia se retirando quando encontrou a Metáfora, uma das jogadoras que alegremente adentrava o estádio num uniforme bonito, muito colorido, enfeitado, repleto de nomes dos patrocinadores... E que ao petecar uma bola lhe perguntou:

Verdade, por que você está tão triste e deprimida?

— Porque me sinto envergonhada, feia, já que todos aqui me evitam!

— Que despautério! Isso é um absurdo! – sorriu a Metáfora. – Mas não é por causa disso que as pessoas a evitam! Tome, vista este uniforme do meu time e veja o que acontece.

E a Verdade agora uniformizada e com o charme de Metáfora apresentou-se em campo. Mas de repente, que espetáculo!... Refletores se acendem!...  Tudo se ilumina!... E por toda parte a Verdade era bem-vinda, homenageada e muito aplaudida.

A Metáfora então lhe disse:

— Oh querida!... Saiba, agora, que ninguém gosta de encarar a Verdade nua!... A preferencia é sempre por uma Verdade meio disfarçada!...

Para que essa história fique bem esclarecida vamos exemplificá-la, a seguir, com outra Metáfora real que também joga uma “bola redondinha”, fazendo “embaixadinhas”, e que é por muita gente conhecida.

Ou melhor, conhecida mais como uma Expressão Metafórica atribuída a Albert Einstein, embora sem registros históricos que confirmem essa autoria.

Ressalva a parte, trata-se afinal de uma Metáfora motivacional, difundida em textos sobre a reciprocidade de nossas ações.

Fiquei conhecendo essa Metáfora em Itararé SP, – salvo engano, no ano de 2009 – quando participei na condição de patrono da turma, na solenidade dos formandos do Curso de Pedagogia da Universidade Luterana do Brasil — ULBRA. Universidade Cristã, que tem por missão formar cidadãos solidários e fraternos, movidos pelo amor.

Nessa ocasião, essa Metáfora foi apresentada da seguinte forma:

Bola da Vida...

A vida é como jogar uma bola na parede:

Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; Se a bola for jogada com força, ela voltará com a mesma intensidade.

Por isso, nunca “jogue uma bola na vida” de forma que você não esteja pronto a recebê-la.

 A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.

Atualmente, com olhos que veem melhor e ouvidos que melhor entendem, posso sentir a beleza dessa mensagem, na Verdade que ela encerra, pois a Vida realmente retribui e transfere tudo aquilo que nós lhe damos.

Atitudes positivas geram atitudes positivas, e vice-versa.

Ou, de outra forma, o Universo devolve exatamente a energia, o esforço ou as atitudes que você dissemina.

Sabe por quê? Porque é assim que funciona a Lei do Retorno ou Lei de Causa e Efeito, ou ainda, Lei da Justiça Divina, conforme Paulo, o Apóstolo enviado por Jesus Cristo e por Deus Pai escreveu às igrejas da Galácia:

“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. (Gl 6,7)

Ou, como diz um provérbio:

“Quem semeia ventos colhe tempestades!”.

Lembre-se que na Lei do Amor também há Retorno, pois quem faz o Bem recebe o Bem; Quem ajuda os outros também será ajudado.

E quanto à previsibilidade das consequências do Retorno de nossas ações é que isso pode ocorrer até no longo prazo!... Ou seja, através das nossas sucessivas existências.

Portanto, não espere resultados diferentes se você continua jogando “bola” do mesmo jeito! Ainda mais se você não estiver pronto para receber a mesma “bola” de volta!...