Aquecendo a Vida

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sábado, 11 de julho de 2026

VILMA CINTILANTE

 

“A oração é o suor da alma”. (Martinho Lutero).


O suor da alma, citado por Martinho Lutero, me fez pensar sobre a energia da alma, que se manifesta em uma oração sincera ao Criador.

Lembrei-me, então, de um ato de oração que aprendi numa pescaria. Eu era adolescente e acompanhava meu pai e dois amigos dele nessa aventura.

Na hora de voltar pra casa muita chuva. O carro encalha numa subida. Diante da dificuldade de sair do atoleiro, o motorista, que tinha até fama de benzedor, disse:

— Vamos orar!... Deus vai nos ajudar a sair daqui!... As energias do rio, dos pássaros, das flores e das matas vão fortalecer a nossa prece...

Oração feita, O motorista funciona o carro, acelera, desliza de um lado para o outro, mas sai da valeta.

Curioso, eu perguntei:

— Mas, como é que deu certo?!...

— Foi o “suor da nossa alma nesta oração” – disse o Benzedor –, que nos impulsionou pra achar a saída...

Refleti bastante... E, depois, entendi que esse “suor” nada mais é do que a energia da Fé! Que eleva o pensamento humano até a sua comunhão com o Criador! Atraindo, assim, do mundo invisível, a presença de entidades que se incumbem de auxiliar o suplicante.

Anos após, leio o livro “Pequenos Milagres II” de Yitta Halberstam & Judith Leventhal – Rio de Janeiro: Sextante, 1999. E encontrei mais um exemplo de oração que dá sustentação a nossa alma.

Brad Fregger é o personagem que narra este conto, aqui adaptado:

Estávamos morando em Long Beach, Califórnia, no começo dos anos setenta, e eu acabara de arrumar um emprego em São Francisco. Estava dirigindo meu pequeno Fusca (nós o chamávamos de Vilma Cintilante) na autoestrada 05, completamente sozinho, quando subitamente ele parou.

 Até onde eu sabia a cidade e o posto de gasolina mais próximo ficavam a mais de setenta quilômetros de distância. Minhas chances de conseguir ajuda pareciam mínimas. Mexi no carro quanto pude, mas nada adiantou...

Eu estava sentado na beira da estrada há mais ou menos uma hora, e desamparado, quando olhei para o relógio e vi que eram seis e quinze. Nervoso, imaginei se seria capaz de chegar a São José em tempo para o meu primeiro dia de trabalho, às oito horas da manhã seguinte.

De repente, sem refletir, peguei automaticamente as chaves e tentei ligar o motor mais uma vez. Não sei o que me levou a fazer isso; uma pressão interna sem explicação me impeliu a tentar de novo. Para minha surpresa, o motor pegou como se nada tivesse acontecido. Que choque! Juntei as minhas coisas e dirigi o resto do caminho sem maiores incidentes.

À noite, liguei para minha esposa, Katie, e lhe disse que havia chegado a salvo em São José, que não se preocupasse que tudo estava bem.

— Ah – ela disse –, eu não fiquei preocupada. Durante o jantar as crianças e eu fizemos uma oração especial para você e a Vilma Cintilante.

— Sabe que horas eram?

— Exatamente seis e quinze. Eu olhava no relógio do forno para não queimar o jantar.

Lembrei-me então de uma frase que lera em algum lugar:

“Quando oramos, estamos falando com Deus. Quando acontece um milagre, é Deus quem está falando conosco”.

Ao ler esta história fiquei me perguntando: Afinal o que é a oração?

E voltei a pensar que a oração é o sopro (ou suor!), que sustenta a nossa alma para mantê-la numa Fé viva todos os dias. Que nos inspira a confiar no invisível, acreditar no impossível e encontrar a luz que nos guia e renova o nosso coração.

No fundo, a função da oração não é influenciar Deus, mas mudar a natureza de quem que ora. Pois é um processo de transformação interior, de alinhamento espiritual do indivíduo.  

A oração deve nos colocar em uma posição de humildade, sem tentar impor nossas vontades, diante do maior campo de forças da Consciência Absoluta do Universo, que pode criar os caminhos para a realização de nossas súplicas.

A oração é um poderoso incentivo para o nosso desenvolvimento e, por isso, deve ser praticada e aperfeiçoada.

“E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21,22).

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