Aquecendo a Vida

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sábado, 25 de julho de 2026

O CERVO ORGULHOSO

 

“Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade” (Paul Valéry)


Um Cervo estava à procura de uma fonte para matar a sede. Logo encontrou um regato de águas frescas e cristalinas. Sem pressa, tranquilamente se abaixou para sorver o líquido procurado.

Após matar a sede, despertou-lhe a atenção alguma coisa que antes nunca tinha observado. Ele viu, espelhado nas águas límpidas do regato, as suas pernas compridas, tortas, com pés horrorosos, que formavam um triste contraste com os seus formosos chifres em galhos. E desgostoso exclamou:

— É bastante verdade o que dizem as pessoas a meu respeito. Eu supero a todos da minha espécie em graça e nobreza! Quanta elegância majestosa se verifica, quando levanto graciosamente a minha galhada! Entretanto, há uma incontestável verdade ao lado disso: em contraste com essa exuberância tenho os meus pés tão horrorosos!...

Ao mesmo tempo, que escarnecia e ironizava a feiura dos seus pés nas pernas tortas e desengonçadas, ele vê sair da floresta, vindo em sua direção, um esfomeado leão.

Em dois saltos firmes e velozes, colocou-se fora do alcance do inimigo.

Mas, na sua precipitada fuga, o Cervo resolveu passar por uma trilha apertada da floresta. Não havia avançado muito, quando teve a sua galhada presa num espinhal, cujos ramos mais finos se emaranharam, formando um verdadeiro alçapão.

Desesperado, o Cervo lutou para sair dali. No entanto, todo o seu esforço foi em vão. Enquanto isso, o leão o alcançou, devorando-o sem compaixão.

Assim, os pés e as pernas que o Cervo tanto depreciava o teriam salvado se a galhada de que tanto se orgulhava não o fizesse perecer.

MORAL DA HISTÓRIA:

O orgulho precede a queda. Pois, quem se sente grande demais ignora o infinito ao seu redor.

O Cervo orgulhoso demonstrava um exagero doentio de amor- próprio e ignorava tudo o mais que o envolvia.   

Por isso, o orgulho, que é a raiz de todos os vícios é considerado a maior “Chaga da Humanidade”.

Uma boa parcela da humanidade é assim! Há pessoas que se julgam tão superiores a ponto de negar que somos todos iguais; com os mesmos direitos e deveres. Pois rejeitam os desígnios do Criador.

E todas as suas atitudes refletem a imperfeição moral que possuem. E isso se torna o principal obstáculo à sua evolução espiritual, à caridade, assim como ao autoconhecimento.

Conforme o Evangelho Segundo o Espiritismo, o orgulho é a origem da maioria das dores e conflitos individuais quanto coletivos. Pois gera a soberba, a vaidade e a dificuldade de perdoar.

O orgulho é a negação da Caridade, pois impede o amor ao próximo, como Jesus recomenda nos Evangelhos. O orgulhoso não vê o outro como irmão em igualdade de condições.

O orgulho é uma das principais manifestações do Ego.

Enquanto o Ego é a nossa identidade mental (que busca validação, superioridade e proteção), o orgulho é a couraça que ele utiliza para esconder inseguranças, impedir o perdão e evitar admitir erros.

O orgulho tem duas vertentes:

a)  Orgulho Autêntico: nasce de conquistas genuínas. Embora venha do Ego ele pode promover a autoestima e a motivação.

b)  Orgulho Hubrístico (excessivo): Ego negativo, baseado na arrogância, na teimosia, autoconfiança desmedida e na ilusão de superioridade, que afasta as pessoas e impede a empatia. 

Enquanto o egoísta é indiferente, o orgulhoso atribui seu sucesso apenas aos seus próprios méritos. Não admite os próprios erros e se revolta nos momentos de dificuldade, pois acredita ser merecedor na vida de um tratamento especial. E tem então dificuldade de crescer, pois bloqueia todo o seu processo de reforma interior.

Disse Vianney, cura d’Ars que:

“O orgulho é um vento tão fino, tão sutil, que ele penetra em quase todas as nossas ações”.

E, qual é o antídoto para isso?

— É a HUMILDADE.

A Humildade é:

I – Um sentimento íntimo que fortalece tanto a nossa Fé quanto a Caridade.

II – Uma virtude que nos tira do pântano do orgulho no qual ainda estamos mergulhados, sem nos rebaixar ou anular a nossa identidade.

sábado, 18 de julho de 2026

CONVERSAS DO COTIDIANO

 

O principal combustível do médico é o doente.


Na clínica, a conversa é sobre o novo tempo de Regeneração que se aproxima, das mudanças que ocorrerão; quando um Paciente pergunta:

— Doutor, qual é o propósito da medicina?

— Ora! Tratar dos doentes... E curar as doenças!...

Mas o Paciente faz outra pergunta:

— Se a medicina acabar com as doenças não vai acabar também com os doentes?

— Claro que sim!...

— Já pensou Doutor, se nesse novo tempo que está chegando para o planeta ninguém mais ficar doente como estão falando!... O que acontecerá com os médicos? Acabam-se as doenças, e os médicos, como ficam?!

— Acabam-se os médicos também!

— Então, porque não se eliminar de vez as doenças do mundo?

Diante do silêncio do Médico, o Paciente então argumenta:

— Nesse caso Doutor, temos uma situação enigmática: ou a medicina quer e não pode acabar com as doenças, para ter mais doentes, ou então, a medicina pode e não quer acabar com as doenças para ter pessoas cada vez mais doentes e ela, por conseguinte, sobreviver...

— Ah, isso é trocadilho malicioso, de duplo sentido!...

— Não Doutor! Sem doenças não há doentes. É equação pura e simples!... O Médico está para o doente e para a doença, assim como a doença e o doente está para a medicina.

— E isso evidencia o quê? – brinca o Médico, piscando os olhos.

— O fator comum dessa equação, Doutor, é a medicina, que está para todos! E a evidência na resolução desse enigma é a seguinte: acabando-se as doenças desaparecem os doentes...

— E como fica o Médico nisso?

— O Médico fica só com o fator preventivo da questão para evitar que se instale a doença e haja doentes.

O Paciente, já meio se despedindo, arrematou assim a conversa:

— A medicina preventiva é muito melhor que a medicina curativa, que é simplesmente sintomática.  

Finda aquela conversa pública, o consulente ao lado me perguntou:

— O que será que esse Paciente quis dizer com medicina sintomática?

Medicina sintomática deve ser a que não procura as causas das doenças, que trata apenas dos sintomas.

— Ah, já sei, é a medicina que trata só os efeitos da enfermidade, que não vai à sua raiz, que não busca saber a causa, o porquê de ela aparecer.

Pensei em Emmanuel dizendo que a maioria das doenças possui sua raiz no corpo espiritual, e falei:

— As doenças surgem quando há um desequilíbrio entre o Espírito, o Perispírito (corpo espiritual) e o corpo físico...

Após uma pausa, eu continuei.

— Bem, trata essa questão da Lei de Causa e Efeito, ou Carma – Lei Universal da Justiça Divina –, cujo princípio nos diz que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”. E, às vezes, até abordada como Lei da Compensação.

— Ah, essa eu já ouvi. Tá numa canção do Jackson do Pandeiro, que tem o seguinte refrão: “Existe no mundo, meu irmão, a Lei da Compensação!”...

E cantarolando e tamborilando esse lindo refrão, ele se levantou e adentrou a sala do Facultativo, para consultá-lo.

E eu fui pra casa pesquisar sobre a Lei da Compensação Divina.

Descobri tratar-se da Lei Moral que governa o Universo, que consiste em:

Dar a cada indivíduo o que é seu por merecimento, por esforço ou necessidade, garantindo a equidade.  

Pois, o Universo é um sistema de equilíbrio. Aquilo que lançamos no mundo volta para nós, muitas vezes...

Com fundamento nessa Lei da Compensação a Bíblia registra que:

“A caridade cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4;8 / Pr 10:12).

Ensinamento este que assegura que o Amor sincero e a Caridade têm o poder de reparação e amortização de muitas de nossas dívidas passadas, acelerando a nossa evolução espiritual. 

A reparação ocorre quando o Bem anula o Mal. Pois toda a dedicação em fazer o Bem neutraliza as vibrações inferiores e transforma o nosso “mapa” de vida.

A amortização de débitos se dá no Amor ao próximo, pois a Caridade é a complementação da Justiça Divina.

A Lei da Compensação trabalha ainda pela nossa transformação interior através do perdão, da paciência, da compaixão... E nos livra de expiações e sofrimentos.

sábado, 11 de julho de 2026

VILMA CINTILANTE

 

“A oração é o suor da alma”. (Martinho Lutero).


O suor da alma, citado por Martinho Lutero, me fez pensar sobre a energia da alma, que se manifesta em uma oração sincera ao Criador.

Lembrei-me, então, de um ato de oração que aprendi numa pescaria. Eu era adolescente e acompanhava meu pai e dois amigos dele nessa aventura.

Na hora de voltar pra casa muita chuva. O carro encalha numa subida. Diante da dificuldade de sair do atoleiro, o motorista, que tinha até fama de benzedor, disse:

— Vamos orar!... Deus vai nos ajudar a sair daqui!... As energias do rio, dos pássaros, das flores e das matas vão fortalecer a nossa prece...

Oração feita, O motorista funciona o carro, acelera, desliza de um lado para o outro, mas sai da valeta.

Curioso, eu perguntei:

— Mas, como é que deu certo?!...

— Foi o “suor da nossa alma nesta oração” – disse o Benzedor –, que nos impulsionou pra achar a saída...

Refleti bastante... E, depois, entendi que esse “suor” nada mais é do que a energia da Fé! Que eleva o pensamento humano até a sua comunhão com o Criador! Atraindo, assim, do mundo invisível, a presença de entidades que se incumbem de auxiliar o suplicante.

Anos após, leio o livro “Pequenos Milagres II” de Yitta Halberstam & Judith Leventhal – Rio de Janeiro: Sextante, 1999. E encontrei mais um exemplo de oração que dá sustentação a nossa alma.

Brad Fregger é o personagem que narra este conto, aqui adaptado:

Estávamos morando em Long Beach, Califórnia, no começo dos anos setenta, e eu acabara de arrumar um emprego em São Francisco. Estava dirigindo meu pequeno Fusca (nós o chamávamos de Vilma Cintilante) na autoestrada 05, completamente sozinho, quando subitamente ele parou.

 Até onde eu sabia a cidade e o posto de gasolina mais próximo ficavam a mais de setenta quilômetros de distância. Minhas chances de conseguir ajuda pareciam mínimas. Mexi no carro quanto pude, mas nada adiantou...

Eu estava sentado na beira da estrada há mais ou menos uma hora, e desamparado, quando olhei para o relógio e vi que eram seis e quinze. Nervoso, imaginei se seria capaz de chegar a São José em tempo para o meu primeiro dia de trabalho, às oito horas da manhã seguinte.

De repente, sem refletir, peguei automaticamente as chaves e tentei ligar o motor mais uma vez. Não sei o que me levou a fazer isso; uma pressão interna sem explicação me impeliu a tentar de novo. Para minha surpresa, o motor pegou como se nada tivesse acontecido. Que choque! Juntei as minhas coisas e dirigi o resto do caminho sem maiores incidentes.

À noite, liguei para minha esposa, Katie, e lhe disse que havia chegado a salvo em São José, que não se preocupasse que tudo estava bem.

— Ah – ela disse –, eu não fiquei preocupada. Durante o jantar as crianças e eu fizemos uma oração especial para você e a Vilma Cintilante.

— Sabe que horas eram?

— Exatamente seis e quinze. Eu olhava no relógio do forno para não queimar o jantar.

Lembrei-me então de uma frase que lera em algum lugar:

“Quando oramos, estamos falando com Deus. Quando acontece um milagre, é Deus quem está falando conosco”.

Ao ler esta história fiquei me perguntando: Afinal o que é a oração?

E voltei a pensar que a oração é o sopro (ou suor!), que sustenta a nossa alma para mantê-la numa Fé viva todos os dias. Que nos inspira a confiar no invisível, acreditar no impossível e encontrar a luz que nos guia e renova o nosso coração.

No fundo, a função da oração não é influenciar Deus, mas mudar a natureza de quem que ora. Pois é um processo de transformação interior, de alinhamento espiritual do indivíduo.  

A oração deve nos colocar em uma posição de humildade, sem tentar impor nossas vontades, diante do maior campo de forças da Consciência Absoluta do Universo, que pode criar os caminhos para a realização de nossas súplicas.

A oração é um poderoso incentivo para o nosso desenvolvimento e, por isso, deve ser praticada e aperfeiçoada.

“E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21,22).

sábado, 4 de julho de 2026

UMA CASA DIVIDIDA

 

“Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir”.


A frase deste subtítulo faz parte do famoso “Discurso da Casa Dividida”, proferido por Abraham Lincoln em 16 de junho de 1858, ao aceitar a nomeação republicana para o Senado dos EUA. Ele alertava que a nação não sobreviveria dividida entre estados escravocratas e livres.

É uma frase que se fundamenta nos ensinamentos de Jesus, quando lhe apresentaram um homem cego e mudo, possesso do demônio.

Jesus curou-o, de sorte que ele começou a ver e a falar. Mas, a multidão estupefata perguntava:

— Porventura é este (Jesus) o filho de David?

Os fariseus, porém, ouvindo isto, diziam entre si:

Jesus expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios.

Belzebu, Satanás, Príncipe dos demônios eram expressões de sentido figurado de que Jesus se valia para ser ouvido e compreendido. E porque naquela época assim eram designados os Espíritos maus que, tendo falido, continuavam ainda na senda do Mal.

Eram Espíritos malfazejos, que se manifestavam pela obsessão e pela subjugação. E, por esse motivo, Jesus era acusado pelos seus contemporâneos de curar por influência demoníaca.

Conhecendo os pensamentos de seus injuriadores, Jesus respondeu-lhes:

— “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir” (Mateus 12,25).

Jesus proferiu estas palavras como uma Parábola, para rebater a acusação dos fariseus. E ainda acrescentou:

“Se Satanás expele Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, pois, subsistirá o seu reino?” (Mt 12,26).

O Mestre indicava, assim, que qualquer reino ou casa dividida cairá.

E Abraham Lincoln, que acreditava nos ensinamentos do Cristo, sabendo disso fez desta Parábola não somente um símbolo da necessidade de união nacional, mas também uma profecia dos conflitos que viriam ocorrer devido à escravidão nos Estados Unidos.

Diz um ditado que “Ninguém pode dar aquilo que não tem”.

Se Jesus curava era porque tinha poder para isso! Sendo assim, ninguém poderia jamais duvidar que as suas curas viessem de Deus. E nem sequer duvidar da influência direta que o Pai Celestial exercia e exerce sobre Ele.

Dá-se, atualmente, o mesmo que se deu outrora com Jesus. Pois muitos escribas e fariseus modernos negam tudo o que não compreendem e chamam de loucos ou, então, de desiquilibrados a todos os que praticam as obras de caridade, sejam eles: espiritualistas, médiuns espíritas ou paranormais...

E a resposta destes trabalhadores deve ser a mesma de Jesus: “Nenhum reino que se divide contra si mesmo pode subsistir”. Tal como pensava Abraham Lincoln!

Lincoln foi o 16º Presidente dos EUA, que liderou o país em seu maior conflito interno: a Guerra de Secessão, de 1861 a 1865. Abolindo, assim, a escravidão e impedindo a nação de ser dividida mantendo-a sob um único governo federal.

 O dia 04 de julho é o Dia da Independência dos Estados Unidos.

Embora Abraham Lincoln não tenha participado da Independência, ele é considerado o segundo fundador dos Estados Unidos, devido seu papel vital na consolidação do governo nacional.

Segundo Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz” (psicografado por Chico Xavier), pg. 173:

“Os operários de Jesus [...] sob a determinação superior, organizam as linhas evolutivas das nacionalidades que aí teriam que florescer no porvir”.

“Definiram o papel de cada região no continente, localizando o cérebro da nova civilização no ponto onde hoje se alinham os Estados Unidos da América do Norte, e o seu coração nas extensões da terra farta e acolhedora onde floresce o Brasil, na América do Sul”.

Enquanto os Estados Unidos guardam os poderes materiais, o Brasil detém os poderes espirituais destinados à futura civilização do planeta.

Pois o Brasil, conforme alguns sensitivos será a maior potência espiritual da Terra. E já está bem na frente das demais nações, devido o alto Espírito de Solidariedade, que prepara a humanidade para a Era de Regeneração que se aproxima rapidamente.