Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A CORTESIA

 

Cortesia é um sentimento nobre que nasce do respeito ao próximo.


O termo Cortesia é derivado de “court” (corte, palácio) para designar o conjunto de qualidades do nobre e o modo de viver da aristocracia. Não era apenas o código de etiqueta, mas uma verdadeira moral própria da vivência refinada da elite palaciana.

Atualmente, Cortesia supõe a perfeição moral e social da pessoa: boa educação, amabilidade, generosidade, respeito, gentileza, trato elegante...

O ser humano cortês é polido, atencioso, educado, respeitoso... Enfim, é aquele que é caridoso.

E sabe por que é caridoso?

 Porque ser caridoso é ter Amor no Coração. É considerar o nosso próximo como irmão, filho do mesmo PAI (Deus). Portanto, ser caridoso é muito mais do que dar a esmola que humilha, mas, respeitar a pessoa na sua essência: no seu jeito de viver, nos seus ideais, na sua luta, nas suas deficiências, nos seus princípios, valores e virtudes.

Quem é caridoso não usa “fazer cortesia com o chapéu alheio!”.

A pessoa cortês é instruída, aperfeiçoada, lapidada, desbastada pelas experiências vividas... É a pessoa que deixou de ser pedra bruta para se tornar pedra polida!... E é gentil, porque é uma pessoa consciente do mundo em que está vivendo...

Cortesia é um estilo de vida antítese da grosseria, da ofensa, do ultraje, da rusticidade, da vilania. Por essa razão, ser cortês é tão importante na vida!  E, pela mesma razão, é que se deve altercar para que a Cortesia seja ensinada e também praticada tanto no Lar quanto na Escola.

Geralmente, há quem diga que a Cortesia é um atributo de quem é discreto; comedido; recatado. Ou seja, de quem não é uma “carroça vazia”!...

Pois, “carroça vazia” diz-se da pessoa tagarela, barulhenta, leviana, inoportuna, que intempestivamente se intromete na conversa dos outros.

Há até uma história sobre isso!

Conta-se que certa manhã, bem cedo, um Pai convidou seu único filho para um passeio pelo bosque a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio, perguntou ao filho:

— Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?

— Sim – respondeu o menino –, estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.

— Isso mesmo! – disse ele. E é uma carroça vazia!...

De onde estavam não era possível ver a estrada e, então, o filho perguntou, admirado:

— Pai, como pode o senhor saber que a carroça está vazia?!...

— Ora, é bem fácil saber que é uma carroça vazia! Você ainda não sabe?!

— Não! – respondeu o menino.

O Pai então pôs a mão no ombro do filho, olhou bem fundo nos seus olhos e explicou pausadamente:

— Por causa do barulho! Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz!!!

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Pense nisso! Reflita bem sobre essa história e sobre o referido assunto! Pois são deveras importantes para todos que buscam viver de conformidade com os ensinamentos de JESUS.

E lembre-se sempre dos conselhos do nosso sábio Mestre, especialmente, das Bem-aventuranças relacionadas no Sermão da Montanha (Mateus cap. 5).

Bem-aventurados:

I — Os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus!

II — Os que choram, pois serão consolados!

III — Os mansos, pois possuirão a Terra!

IV — Os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!

V — Os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!

VI — Os puros de coração, pois verão a Deus!

VII — Os pacíficos, pois serão chamados filhos de Deus!

VIII — Os que são perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus.

Você é a luz do mundo! Assim brilhe a sua luz diante dos homens para que vejam as boas obras, e glorifiquem Nosso Pai que está nos céus.

Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois do mesmo modo que julgarem, vocês serão julgados; e a mesma medida que usarem, também será usado para medir vocês.

 Diga somente: “Sim” se é sim; “Não”, se é não.  Pois tudo o que passa, além disto, vem do Maligno.

Aproveitamos o ensejo para desejar Boas Festas a todos e um...

Feliz Ano Novo!

sábado, 20 de dezembro de 2025

PARÁBOLA DO CÃO MORTO

“Que belos dentes os deste cão!”.


JESUS chegou um dia a uma cidade e, ao atravessá-la, viu um grupo de pessoas que contemplava um cão morto, que trazia ainda ao pescoço a corda com que fora enforcado.

O cão estava podre e cheirava mal.

Todos que se achavam em torno do animal em decomposição, examinavam-no, fazendo comentários:

— Como empesta o ar – dizia um, tampando o nariz.

— Por quanto tempo continuará este cão a envenenar o ar que se respira nesta rua? – acrescentava outro.

E, assim, muitos exclamavam:

— Olhem sua pele!... Parece um coalho de leite estragado.

— E as suas orelhas? Escorre uma aguadilha verde de pútridas espumas...

— Teria sido estrangulado porque se tornou hidrófobo ou ladrão?

JESUS, que se acercou daquele grupo e ouviu todos esses comentários, lançou então um olhar de compaixão sobre o animal e disse:

— Oh!... Que belos dentes os deste cão! – Seus dentes são cândidos e belos como a neve.

O povo maravilhou-se de ouvir essas palavras ungidas de tanta doçura sobre esse animal e, em coro exclamou:

— Quem será este homem? Não deve ser outro senão Jesus de Nazaré. Só Ele é capaz de tamanha piedade ante a carcaça de um cão morto.

E todos se retiraram, inclinando respeitosamente a cabeça diante do Filho de Maria.

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Essa frase sobre os belos dentes do cão, não pertence a Leon Tolstói, como muitos atribuem. Na verdade, ela faz parte de uma história sobre a vida de JESUS, relatada por diversos autores, inclusive Tolstói, mas que não consta do Novo Testamento.

Enquanto todos criticavam a carcaça do animal morto, Jesus narrava esse cenário com a sua voz espiritual que fala a todos os que “tenham ouvidos para ouvir e olhos para ver”, isto é, a todos que percebem a presença de Deus sintetizada no sentimento imaculável da Beleza e do Amor.

Sentimento este que nos transporta do concreto ao abstrato, demonstrando que toda forma, por mais grosseira na aparência, está envolta numa vida comum a tudo e a todos. E que através da nossa imaginação nos leva a ver e sentir a beleza oculta na forma feia.

Guiada pela nossa concentração e meditação, a imaginação nos liberta do FEIO e nos identifica com o BELO, irradiando a alegria colorida que nos faz sentir o lado melhor da vida que almejamos no mundo.

E ainda nos proporciona belos voos para o azul celeste, através dos excelsos ensinamentos do Mestre, os quais nos livram das agruras das expiações caducas do passado; e nos revela a grande descoberta da Obra Divina, a qual promove o Bem Supremo para toda a humanidade.

Pois o Criador conhece todas as possibilidades do nosso livre-arbítrio e, assim, nos conduz e nos direciona sempre a um Porto Seguro e Feliz.

Enxergar o lado Bom e Belo das coisas é uma forma de Auto Caridade Sublimada que eleva a Alma, aprimora a consciência e nos ensina a discernir entre o falso e o verdadeiro, entre o que é positivo e negativo, entre o poder psíquico e o espiritual...

Pois quem aprecia o belo, ama a vida e desperta o conhecimento que traz dentro de si, para separar o joio do trigo e se transformar “da água para o vinho”... Tornando-se cada vez mais impessoal, alcançando o mundo da abstração e da beleza eterna, onde a Vida Una – da consciência unificada – palpita para todos os seres.

Essa consciência da unidade só é possível pela observação de todos os ensinamentos do Cristo, imprescindíveis como meios de libertação.

Recorde-se sempre das palavras do Mestre “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Porém, não se esqueça de que no Caminho há flores e espinhos, que impulsionam o viajante para frente.

As flores, com a sua beleza e seu perfume o impulsionam para o alto, mas os espinhos trazem dores, que servem de introspecção para também libertá-lo.

O Belo e o Feio, assim como o Amor e a Dor são forças catalisadoras do BEM, que se direcionam ao mesmo fim – a unificação com o Criador.

Pois, como diz o ditado: “Quem não vem pelo Amor vem pela Dor!”.

Que a magia do NATAL aqueça nossos corações! 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

LIÇÕES DE CAMINHONEIROS

 

“A carga mais pesada tu levas no coração...”. (Darci Lopes)


Distante de casa, dirigindo por mais de três horas, entro num restaurante às margens da rodovia. E para minha surpresa, alguém disse que me conhecia de “priscas eras”. Apresentou-se como Ângelo. Mas era estranho pra mim!

 Convidou-me para um lanche...  E, no entremear da conversa, contou-me um caso de dois irmãos caminhoneiros, inimigos de berço: Damião e Chico.

Entre eles, há décadas, havia um ódio enigmático! Desentendiam-se à toa! Certa feita, porém, após uma tempestade, Damião alcançou Chico numa estrada de terra, com a carreta num atoleiro de lama, difícil de sair... Ele reconheceu o inimigo e ficou à espreita, esperando... E a carreta cada vez mais se atolando!

Diante da necessidade urgente de seguir viagem, Damião, no pulsar forte do coração, ouviu o sábio conselho de sua mãe: “amar o inimigo é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com ele!”...

E partiu em socorro do inimigo! Mas seus olhos nem se cruzavam! Chico, contudo, o aceitou “numa boa”!... E, depois do desencalhe, ainda cauteloso, deu-lhe a preferência para seguir viagem.

Damião foi o mais beneficiado, pois conseguiu a tempo entregar sua carga, sem nenhum prejuízo.

Diz o ditado, que “o mundo não gira, ele capota!”. No retorno eles se reencontraram noutro atoleiro. Todavia, desta vez foi o caminhão de Damião que encalhou... E Chico foi o seu “anjo da guarda”! Juntos, num instante liberaram a pista.

Aí o sorriso estampado no rosto do Chico deixou Damião embaraçado... E meio sem querer, porém emocionados, foram ao encontro um do outro para um forte abraço fraternal!  

Damião, pela segunda vez foi beneficiado; porque Chico, talvez por “mãos” invisíveis do Amor, surgiu ali para retribuir-lhe a ajuda.

Neste ponto, num corte rápido, de volta ao restaurante, Ângelo fez então os seguintes comentários:

I — Se amar ao próximo é um mandamento, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, pois é uma vitória conquistada sobre o egoísmo e o orgulho que nos domina;

II — Deus é Amor, segundo I João 4,8. E quem não ama desconhece Deus. Somos Partículas do Amor; e se o Amor é a manifestação suprema da bondade, somos então irmãos legítimos, criados para amar-nos uns aos outros;

 III — Na Partícula Divina a energia do Amor está manifestada. E essa energia é Una (unida). Faz parte do TODO, e o TODO não se completa sem as suas partes. Portanto, não existe ressentimento que as separe;

IV — Você pode até dizer que ama menos; que não têm a mesma sintonia; que tem outra concepção de vida... Mas daí a considerar um irmão o seu inimigo, isso só é aceitável do ponto de vista “Cármico”, como retorno de vidas do passado, por culpa de uma ação indevida, que precisa ser reparada;

 V — Lembre-se d’Aquele que disse: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem" (Mt. 5,44).

Feitas estas considerações, ele arrematou: eis agora o que eu aprendi:

a)    Que amar o inimigo é amar a si mesmo, pois é uma caridade de amor ao próximo que muito nos beneficia. Benefício este que nós recebemos quase sempre em DOBRO;

 b)   Que amar os inimigos é uma boa lição para nossa libertação. Digna dos artistas de “Cargas Pesadas!”... Pois, se as más lições nos prendem, são as boas lições que nos libertam.

E foi só neste momento, que pude me manifestar sobre o causo:

— Amor e caridade, realmente “dão frutos centuplicadamente”!...

E repeti ao Ângelo uma frase que ressoava por toda a Minh’ alma: “Amar os inimigos é sentir pulsar o coração alheio!”.

Nisso, vi uma placa de sanitário, pedi licença e saí ligeiro... Mas, ao voltar cadê o Ângelo? Fui à mesa pegar a comanda e ao lado vi um bilhete dizendo: “Escreva essa história”.

Fui ao caixa. Tudo pago! Mas o meu estranho amigo, como por encanto, tinha desaparecido!...

E segui a viagem sem a despedida. Mãos no volante, saudade no coração, uma história emocionante e na mente uma oração... A guiar-me pela estrada reta da vida.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

PARÁBOLA DO BOM-SENSO

 

“O bom-senso é tão raro quanto o gênio” (Ralph Emerson).


Conta-se, que devido a um incêndio no bosque, alguns porcos foram assados pelo fogo. Os habitantes acostumados a comer carne crua, experimentaram a carne assada e gostaram. E, a partir daí, toda vez que queriam comer porco assado incendiavam um bosque.

Anos depois, descobriram um novo método, mais sofisticado, que facilitava a comilança de porcos. 

Já habituados com isso, tentaram depois melhorar o sistema. Pois, às vezes os assados ficavam meio crus ou queimados demais. Isso os preocupava, porque milhões eram os que se alimentavam de carne assada. Portanto, o sistema não podia falhar.

Mas, em razão das deficiências, começaram as queixas. E a necessidade de uma reforma profunda no sistema já era um clamor geral. Em busca de solução, anualmente se reuniam em congressos e seminários.

As causas do fracasso eram, então, atribuídas à indisciplina dos porcos; à natureza do fogo, às lenhas ainda verdes; à umidade da terra ou ao serviço de meteorologia que falhava.

O sistema de assar porcos era deveras complexo. Montado em grandes instalações, além de uma boa estrutura administrativa, tinha maquinários e mão de obra especializada em tudo, como os anemotécnicos – peritos em ventos.

Eram milhões de trabalhadores na implantação dos bosques e selvas, que logo seriam incendiados.

Até que um dia, João Bom-Senso, um simples incendiador de Bosques, resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido. Que bastava matar o porco escolhido, limpando e cortando-o adequadamente, e depois colocá-lo numa armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor – e não as chamas – assasse a carne.

Sabendo da ideia do funcionário, o Diretor-Geral mandou chamá-lo ao seu gabinete e, depois de pacientemente ouvi-lo, disse-lhe:

— Tudo bem! Mas o que o senhor diz não funciona na prática. O que seria, por exemplo, dos anemotécnicos se viessem a aplicar a sua teoria? Onde seria empregada a perícia dos demais especializados? O que faríamos com os engenheiros, que indicam que nosso sistema é muito bom?

— Não sei – disse João.

— Viu? O senhor tem que dar soluções para problemas específicos do sistema, e não querer transformá-lo radicalmente..., entendido? Ao senhor falta muita sensatez!...

E o Diretor continuou:

— Agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia por aí dizendo que pode resolver tudo!... E não insista nessa sua ideia, que isso poderá lhe trazer sérios problemas no seu cargo. Falo isso para o seu próprio bem!

João Bom-Senso, assustado, não falou mais um A. Cabisbaixo, e sem se despedir, saiu de “fininho” e ninguém mais o viu. Por isso que nas reuniões de Reforma e Melhoramentos, se diz que falta o Bom-Senso.

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Bom-Senso é ter: a) discernimento – a maior qualidade capaz de nos livrar de enormes erros; b) equilíbrio nas decisões – para julgar de acordo com os padrões e a moral; c) uma consciência elevada sobre qualquer questão – para agir pelo raciocínio lógico, tornando a vida cada vez mais fácil.

 É um caminho aberto para todos, sem protecionismos. Basta a de um coração limpo e tranquilo, assim como uma mente aberta e arejada, “com olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, para atuar com sabedoria.

Ter Bom-Senso é preciso!... Para se libertar das “gaiolas doiradas”, de falsas ideologias, que escravizam e prendem os menos avisados.

Educada pelo Bom-Senso, jamais a nova geração se escravizará às ideias separatistas e desagregadoras que têm infelicitado a vida de tantos povos!

A sensatez definirá uma completa mudança no sistema educacional atual para moldar cidadãos democráticos, sem preconceitos, sem censuras e sem medo. Será uma nova educação de gente responsável por todos os seus atos, que saiba caminhar com as próprias pernas, livre das “muletas!” que só atrapalham.

Sem limitações, a nova geração vai aprender a separar o “joio do trigo” dentro de si; pensar no outro com amor; caminhar com Bom-Senso, e realizar a PRÓPRIA VIDA.