"Grandes
coisas nunca vêm da zona de conforto.”
Ao
avistar ali afixada aquela desgastada tabuleta, com o subtítulo acima, eu sabia naquela bela manhã ensolarada, que estava
diante do humilde domicílio do “Nhô Quim” – o decano do povoado – respeitado por todos como um grande Pensador.
Meditei
sobre essa frase da Zona de Conforto
lembrando Emmanuel (Livro Caminho, Verdade e Vida) ao nos alertar: “que
não será justo querer alguém confortar-se, sem se dar ao trabalho necessário...”.
O Velho Pensador, de pele clara e rosto
moldado pela dignidade de suas cãs, tinha uma aparência laboriosa, nobre, de
retidão e sabedoria... Talvez um Delegado de Deus sobre a Terra!
—
Bom dia! – Cumprimentei-o ao abrir o portão do casebre, onde morava.
— Vamos
entrar! – disse-me ele ao abrir a porta. E puxou duas cadeiras para
conversarmos.
Sua
expressão revelava uma Alma de Mente excepcional, de sensibilidade profunda, de
enorme empatia, intuição aguçada com uma forte busca pelos propósitos e
significados da vida.
Eu
sabia, de antemão, tratar-se de uma pessoa dotada de uma capacidade intelectual
fora do comum. Era realmente a encarnação do Bom Senso! E, daí a sua facilidade
na solução das questões mais complexas da vida contemporânea. Pois, jamais
indicava caminhos sem saída.
Assim
ele impactava todos, tanto pela sua sabedoria quanto pela sua generosidade.
—
Você veio me entrevistar?
—
Sim! Mas, depende do tempo que o senhor tiver disponível.
O Velho Pensador sorriu e disse:
— Somos
Espíritos Imortais! Temos, portanto, um longo tempo disponível, o suficiente
para fazermos qualquer coisa. Pode perguntar?
— “Nhô
Quim”, o que mais o surpreende nos
seres humanos?
São
deveras muitas coisas! Mas vou relacionar algumas... Por exemplo:
—
Que se aborreçam por ser ainda criança, que se apressem em querer crescer e
que, então, se lamentem por não serem mais crianças!...
—
Que percam sua saúde para conseguir dinheiro e, depois, percam dinheiro para
restaurar sua saúde!...
—
Que, pensem de forma ansiosa sobre o futuro, mas que se esqueçam do presente de
tal forma, que não vivam nem para o presente nem para o futuro!...
—
Que vivam como se jamais fossem morrer e morram como se jamais tivessem
vivido!...
Após
felicitá-lo pelas respostas e fazer as minhas anotações, voltei a lhe perguntar:
—
Quais são as lições, que as CRIANÇAS desta
nova geração devem aprender agora, para quando tiverem seus filhos?
Ah,
as Crianças! – refletia Ele com um
radiante sorriso na face... – As Crianças
de hoje devem aprender, para quando tiverem seus filhos:
— Primeiro, que Deus existe!...
— Segundo, que a Providência Divina não
faz nada sem boas razões!...
E
que elas tenham, ainda, como boas regras de conduta:
1. “Fazer aos outros, somente o que desejam que o nosso Pai Celeste faça por elas”;
2. “Não fazer senão aquilo que podemos oferecer a Deus!”;
3. "Ouvir a instrução de seu pai e nunca desprezar o amor de sua mãe".
Enfim,
que as Crianças entendam:
—
Que elas não podem fazer alguém passar a amá-las!... O que podem fazer é
deixar-se que sejam amadas.
—
Que a pessoa rica não é aquela que tem o máximo possível, mas é aquela que
necessita do mínimo!...
—
Que se levam apenas alguns segundos para abrir feridas profundas nas pessoas
que amamos, e que se levam muitos anos para curá-las!...
—
Que há pessoas com o poder de amar intensamente, mas que não sabem simplesmente
como expressar ou mostrar seus sentimentos!
—
Que duas pessoas podem olhar para uma mesma coisa e vê-las de modo totalmente
diferentes.
—
Que sempre falta alguma coisa aos que vivem sempre se queixando; mas que nada
falta àqueles que não têm nada!...
—
Que nem sempre basta aos filhos que eles sejam perdoados pelos outros, e sim
que eles saibam que perdoar aos outros é como perdoar a si mesmos!
Saboreando
ainda aquele magistral momento, expressei a minha sincera gratidão ao memorável
decano.
—
Não tem por que! – respondeu-me. Estarei sempre a sua disposição. – Vá em paz.
Que Deus o abençoe!...
Nenhum comentário:
Postar um comentário