Aquecendo a Vida

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sábado, 15 de agosto de 2026

OS DESÍGNIOS DA DIVINDADE

 

“Deus sabe o momento exato de agir”.


Omar, um homem muito santo e muito justo da antiga Arábia, certa noite foi deitar-se cedo, cansado do trabalho cotidiano. Nem bem se deitara e ouviu uma voz forte e bem timbrada que lhe ordenava:

Omar, meu filho, levante caminhe sete dias e sete noites pelo deserto. No fim do sétimo dia, encontrará o seu destino.

Temente a Alá, Omar levantou-se rápido. A voz repetiu a mesma ordem novamente. Não tendo mais dúvidas e colocando uma manta de lã sobre os ombros, ele pôs-se a caminhar em busca do destino prometido, pois julgava ter ouvido a voz de um anjo do Senhor.

No fim do sétimo dia, cansado, Omar chegou a um grande oásis e, atirando-se à sombra de uma palmeira, começou a meditar sobre os desígnios da Divindade, até que avistou, a sua frente, um pequeno poço natural de águas límpidas. Então, lavou-se e imediatamente sentiu-se revigorado.

Completamente refeito, Omar ajoelhou-se e, contrito, agradeceu a Alá as graças recebidas. Encontrava-se ainda prostrado, rosto contra o solo, quando ouviu novamente aquela voz:

— Aqui é seu destino! Faça uso dele, segundo a vontade de Alá.

No oásis, Omar armou uma tenda. Peregrinos de todas as regiões vinham procurar o homem santo, com as mais diferentes doenças. Omar os mergulhava no poço e imediatamente todos ficavam livres de seus males.

A fama do poço de Alá e de Omar – o homem santo – crescia por toda a Arábia. Era cada vez maior o número de peregrinos doentes que o procuravam, e o santo do deserto a todos atendia com humildade e absoluta confiança nos poderes de Alá e do poço sagrado.

Um dia, chegou ao oásis uma rica caravana. E um Grande Senhor, cercado de luxo, dirigiu-se ao santo do deserto com grande autoridade:

— Ao poço, homem! Quero ser curado! – comandou ele – olhando com desprezo os milhares de peregrinos que se acumulavam ao redor do poço.

— Perdão, grande senhor – disse Omar, humildemente. — É a vontade de Alá que todo homem, para entrar neste poço sagrado, deva despir-se completamente.

— Tirar minhas ricas vestes para entrar neste poço? – gritou o potentado. — Nunca! Jamais! Sou um Grande Senhor, uma grande autoridade, e não ficarei nu diante dessa plebe ignorante!

— É a vontade de Alá! – explicou Omar com brandura, mas inflexível.

— Já disse e repito! É inadmissível, um homem como eu, despir-se perante essa gentalha!

— Mas é a vontade de Alá, Senhor!

 O potentado relutou, esbravejou e gritou em altos brados, que não tirava a roupa. Porém, vendo depois que Omar não abdicava de sua posição, começou lentamente a tirar, com maus modos, aquela roupagem deslumbrante.

Foi, então, que os pobres peregrinos, uma verdadeira multidão de párias e doentes, com evidente assombro, verificaram que o poderoso Senhor – o grande potentado –, pelado era igualzinho a eles!

Omar mergulhou no poço o Grande Senhor. Mas, ele saiu de lá tal qual entrara.

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O referido conto, adaptado do livro de Roger Feraudy “O Contador de Histórias” proporciona a quem o lê uma reflexão sobre o Orgulho e o Egoísmo – duas chagas da humanidade, que têm como consequências a escravidão e a miséria.

Tanto o Orgulhoso como o Egoísta de paixão incendida (que “arde” como fogo!) pelo seu apego exacerbado ao poder e às riquezas do mundo material sente a alma ferida após o desencarne.

Para ambos haverá, pois, “choro” e “ranger dos dentes” vendo seus corpos espirituais inflamados pelo mesmo fogo “ardente” de suas paixões.

E, tendo uma vaga lembrança das lições do nosso Modelo Divino – que fez da Caridade a virtude por excelência –. perdidos nas trevas, em prantos, eles suplicarão agora por socorro...

Entretanto, para a humanidade e para a vida de cada indivíduo há sempre um plano misericordioso e provedor nos “Desígnios da Divindade”.

Pois o próprio Nazareno disse que o Bom Pastor deixa o rebanho obediente e parte em busca da ovelha desgarrada, até encontrá-la. E completou:

“Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá...”.

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