“Deus sabe o
momento exato de agir”.
Omar, um homem muito santo e muito
justo da antiga Arábia, certa noite foi deitar-se cedo, cansado do trabalho
cotidiano. Nem bem se deitara e ouviu uma voz forte e bem timbrada que lhe
ordenava:
— Omar, meu filho, levante caminhe sete
dias e sete noites pelo deserto. No fim do sétimo dia, encontrará o seu
destino.
Temente
a Alá, Omar levantou-se rápido. A
voz repetiu a mesma ordem novamente. Não tendo mais dúvidas e colocando uma
manta de lã sobre os ombros, ele pôs-se a caminhar em busca do destino
prometido, pois julgava ter ouvido a voz de um anjo do Senhor.
No
fim do sétimo dia, cansado, Omar
chegou a um grande oásis e, atirando-se à sombra de uma palmeira, começou a
meditar sobre os desígnios da Divindade, até que avistou, a sua frente, um
pequeno poço natural de águas límpidas. Então, lavou-se e imediatamente
sentiu-se revigorado.
Completamente
refeito, Omar ajoelhou-se e,
contrito, agradeceu a Alá as graças recebidas. Encontrava-se ainda prostrado,
rosto contra o solo, quando ouviu novamente aquela voz:
—
Aqui é seu destino! Faça uso dele, segundo a vontade de Alá.
No
oásis, Omar armou uma tenda.
Peregrinos de todas as regiões vinham procurar o homem santo, com as mais
diferentes doenças. Omar os
mergulhava no poço e imediatamente todos ficavam livres de seus males.
A
fama do poço de Alá e de Omar –
o homem santo – crescia por toda a Arábia. Era cada vez maior o número de
peregrinos doentes que o procuravam, e o santo do deserto a todos atendia com
humildade e absoluta confiança nos poderes de Alá e do poço sagrado.
Um
dia, chegou ao oásis uma rica caravana. E um Grande Senhor, cercado de
luxo, dirigiu-se ao santo do deserto com grande autoridade:
—
Ao poço, homem! Quero ser curado! – comandou ele – olhando com desprezo os
milhares de peregrinos que se acumulavam ao redor do poço.
—
Perdão, grande senhor – disse Omar,
humildemente. — É a vontade de Alá que todo homem, para entrar neste poço
sagrado, deva despir-se completamente.
—
Tirar minhas ricas vestes para entrar neste poço? – gritou o potentado. — Nunca!
Jamais! Sou um Grande Senhor, uma grande autoridade, e não ficarei nu diante
dessa plebe ignorante!
—
É a vontade de Alá! – explicou Omar
com brandura, mas inflexível.
—
Já disse e repito! É inadmissível, um homem como eu, despir-se perante essa
gentalha!
— Mas
é a vontade de Alá, Senhor!
O potentado relutou, esbravejou e gritou em
altos brados, que não tirava a roupa. Porém, vendo depois que Omar não abdicava de sua posição,
começou lentamente a tirar, com maus modos, aquela roupagem deslumbrante.
Foi,
então, que os pobres peregrinos, uma verdadeira multidão de párias e doentes,
com evidente assombro, verificaram que o poderoso Senhor – o grande potentado
–, pelado era igualzinho a eles!
Omar mergulhou no poço o Grande
Senhor. Mas, ele saiu de lá tal qual entrara.
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O
referido conto, adaptado do livro de Roger Feraudy “O Contador de Histórias”
proporciona a quem o lê uma reflexão sobre o Orgulho e o Egoísmo – duas chagas
da humanidade, que têm como consequências a escravidão e a miséria.
Tanto
o Orgulhoso como o Egoísta de paixão incendida (que “arde” como fogo!) pelo seu
apego exacerbado ao poder e às riquezas do mundo material sente a alma ferida
após o desencarne.
Para
ambos haverá, pois, “choro” e “ranger dos dentes” vendo seus corpos
espirituais inflamados pelo mesmo fogo “ardente” de suas paixões.
E,
tendo uma vaga lembrança das lições do nosso Modelo Divino – que fez da
Caridade a virtude por excelência –. perdidos nas trevas, em prantos, eles suplicarão
agora por socorro...
Entretanto,
para a humanidade e para a vida de cada indivíduo há sempre um plano
misericordioso e provedor nos “Desígnios da Divindade”.
Pois
o próprio Nazareno disse que o Bom Pastor deixa o rebanho obediente e parte em
busca da ovelha desgarrada, até encontrá-la. E completou:
“Das
ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá...”.
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