“Nunca se viu egoísmo que não se queixe de ingratidão” (Emmanuel).
O egoísmo é uma dedicação excessiva que uma pessoa tem por si própria, esquecendo-se de considerar as necessidades e o bem dos outros.
Muitos confundem egoísmo com o egocentrismo. São coisas diferentes, porque o egocentrismo é exclusivo da pessoa que toma a si própria como referência para tudo.
O egocêntrico se considera o centro do universo, enquanto que o egoísta leva em conta exclusivamente os seus próprios interesses em detrimento do cumprimento dos deveres morais para com os outros.
Então, esta é a diferença básica: enquanto o egocêntrico se acha o mais importante, a figura principal e se preocupa com o que todo mundo pensa dele; o egoísta, ao contrário, não está nem aí com os interesses alheios, nem com o que pensam dele, pois vive obcecado pelos bens próprios.
O Egoísta está muito mais pra pão-duro, sovina, avarento... Pois pensando somente em si próprio, acaba se apegando demasiadamente aos bens materiais, principalmente, ao dinheiro.
É um verdadeiro muquirana! Termo este que vem do tupi “moki’rana”, e muito usado na nossa região como sinônimo de avareza.
Por falar nisso, conheci um cidadão que era o protótipo do muquirana, tal o apego sórdido que tinha pelo dinheiro. Um apego tão excessivo, que se poderia dizer que era um apego mórbido pelo dinheiro, ou seja, realmente doentio.
Tal era o seu egoísmo que nunca se casou pra não dividir nada com ninguém.
Todavia, em conseqüência de tanta avareza, ele ficou rico, mas também se tornou uma pessoa infeliz, pois não era bem-quisto na sociedade. Todos o viam com muita indiferença!
Contou-me um seu amigo, que no início de sua vida na roça, na hora do almoço, ele aparecia e tirava uma colher de comida do prato de cada um dos seus camaradas pra não precisar cozinhar. Explorava os camaradas e, dessa forma, ficava cada vez mais endinheirado.
De outra vez, me relataram que ele era tão muquirana, que mesmo depois de dono de muitas fazendas de gado, sempre que vendia uma novilha mandava o açougueiro guardar os ossos, dizendo:
− Essa ossada, cheia de gordura e cozida com macarrão vai muito bem! Dá pra comer a semana inteira!
E assim ele viveu, por mais de meio século, rico e miserável, até que descobriu um dia que estava com câncer.
Eu o encontrei algumas vezes reclamando do mal que o atormentava. Nessas ocasiões ele me dizia:
− Essas dores me fazem pensar muito sobre a vida. Acho que o dinheiro em nada me adiantou. Se pudesse voltar atrás eu faria tudo diferente!
Pouco tempo depois, o miserável morreu atormentado: pela doença, pela preocupação com o dinheiro, pela falta de afeto dos familiares, pela falta de amigos... Dele ficou apenas uma lição de vida que serve para nossa reflexão!
Disse Emmanuel, pela mediunidade do Chico Xavier, que “O dinheiro pode proporcionar-te reconforto, mas o descanso da alma vem de Deus”.
Para Emmanuel (Paris, 1861), o Egoísmo, é a chaga da Humanidade, que tem que desaparecer da Terra, pois retarda seu progresso moral e a impede de elevar-se nas ordens dos mundos.
Pascal (Sens, 1862) considera o egoísmo como um sentimento oposto da caridade. Pois, sem a caridade não haverá paz alguma na sociedade; e diz mais: não haverá segurança. Com o egoísmo e o orgulho, que andam de mãos dadas, haverá sempre uma corrida favorável ao espertalhão, uma luta de interesses em que são pisoteadas as mais santas afeições, em que nem sequer os laços sagrados da família são respeitados.
Diante das lições de Emmanuel e Pascal, só nos resta trabalhar para que o egoísmo desapareça da face da Terra. E isso só é possível se cada um trabalhar pra transformar a si mesmo, desalojando de seu coração todo o resquício desse mal que assola a humanidade.
Quando isso acontecer, o ser humano não se esquecerá mais que somos almas eternas, vivendo uma curta existência terrena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário