“Conhecimento
sem Prática é como um livro que nunca foi lido” (Dito popular).
Durante
toda a sua vida um sábio estudou os Vedas.
Estava prestes a morrer quando Brahma,
o Criador, disse-lhe:
— Diante
de todo o esforço que fez na vida vou conceder-lhe um pedido. Diga-me o que
você quer:
— Eu
quero mais 100 anos de vida!
—
Mais 100 anos? Mas para quê?
—
Preciso estudar os Vedas.
O pedido
foi concedido. Cem anos depois eles novamente se encontraram. E Brahma disse-lhe:
— Agora
chegou a tua hora. O prazo acabou!...
O sábio, porém, implorou:
—
Preciso de mais tempo para entender os Vedas. Por favor, dê-me, outros 100 anos.
Outra
vez Brahma atendeu-lhe o pedido. Um
século depois eles se reencontraram. Brahma
quer levar o sábio desta vida, mas
ele não desiste:
—
Dê-me, por favor, mais 100 anos; há
coisas que ainda não entendo!
Pedido
concedido. E assim se passou um milênio:
o sábio pedindo mais tempo para
estudar e Brahma aquiescendo com
paciência infinita.
Vendo
afinal que não conseguia acabar de entender as escrituras, o sábio, desalentado, perguntou-lhe:
—
Por que nunca termino?
Brahma, então, lhe respondeu:
—
Porque de nada lhe serve estudar os Vedas se você não os coloca em
prática, pois, “o estudo não produz nenhum resultado sem a prática”.
Este
conto, que nos leva a muita reflexões, foi adaptado de um texto do livro
PARÁBOLAS de todos os tempos, Vol. III, de Alexandre Rangel.
No
hinduísmo Brahma é o deus da
criação. E os Vedas são os quatro livros sagrados mais antigos, como são para
nós às escrituras do Antigo e Novo Testamento.
Veda significa “conhecimento”
ou “sabedoria”.
No
Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito da Verdade nos determina o “conhecimento”
ao ditar seus mandamentos:
“AMAI-VOS,
eis o primeiro mandamento; INSTRUÍ-VOS, eis o segundo...”.
Contudo,
para se adquirir o “conhecimento / sabedoria”, é preciso, a priori, entender a relação entre o Estudo (Teoria) e a Prática.
Pois essa relação é basilar para
a aprendizagem real e para a transformação pessoal.
Quando estudamos e aplicamos o “conhecimento”,
geramos a chamada PRÁXIS – união
perfeita que modifica a realidade.
A Práxis
é, então, uma atividade criadora do ser humano, composta por dois momentos, que se comportam
de forma polar: a Teoria (reflexão ou
consciência) e a Prática (ação); ligadas de forma inseparável.
Podemos
então representar a Práxis como uma elipse, cujos dois polos são formados pelo Estudo (Teoria) e a Prática, que funcionam de forma
dinâmica; onde a Teoria modifica a Prática e a Prática leva a uma nova Teoria...
E, nesse vaivém constante, dá-se o progresso
da humanidade.
●→Teoria
﴾↓↑﴿↓↑↓↑↓↑
▬► Progresso
●→ Prática
É, pois, dessa
forma, que ocorre a construção do “conhecimento” e da “sabedoria”
imprescindíveis à nossa evolução espiritual.
Talvez, por
esse motivo, Jesus tenha dito a
Nicodemos, que “não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que nascer de novo” (João
3,3).
Se o
Reino de Deus é o reino da Perfeição, é lógico que nele não pode entrar quem
ainda está imperfeito!
O
Espírito humano tem, portanto, que evoluir, buscando continuamente se
aprimorar. E, certamente, para isso não
basta uma só vida neste planeta!
Há, pois,
necessidade de sucessivas existências!... Renascendo aqui ou acolá, conforme disse
Jesus:
“Na casa
de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, eu vos teria dito, pois vou
preparar-vos um lugar” (João 14,2).
A Práxis
é, então, um processo de conscientização (de Ação e Reação), permanente para
a libertação da pessoa de sua ignorância.
Pois as
pessoas, por meio de suas tribulações (prática / ação), vão desvelando a
realidade do mundo (teoria / reflexão) e vão ao mesmo tempo comprometendo-se com a
sua transformação interior, num processo de nascer e renascer a todo
instante; de evolução constante...
Uma
verdadeira Escalada da Perfeição (Escada de Jacó).
Que Jesus nos garante quando se refere à lei e aos profetas. “Não vim para aboli-los, mas sim
para levá-los à perfeição” (Mateus 5,17).
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