Aquecendo a Vida

Aquecendo  a Vida

Radio

sábado, 26 de setembro de 2026

ESTUDO SEM A PRÁTICA

 

“Conhecimento sem Prática é como um livro que nunca foi lido” (Dito popular).


Durante toda a sua vida um sábio estudou os Vedas. Estava prestes a morrer quando Brahma, o Criador, disse-lhe:

— Diante de todo o esforço que fez na vida vou conceder-lhe um pedido. Diga-me o que você quer:

— Eu quero mais 100 anos de vida!

— Mais 100 anos? Mas para quê?

— Preciso estudar os Vedas.

O pedido foi concedido. Cem anos depois eles novamente se encontraram. E Brahma disse-lhe:

— Agora chegou a tua hora. O prazo acabou!...

O sábio, porém, implorou:

— Preciso de mais tempo para entender os Vedas. Por favor, dê-me, outros 100 anos.

Outra vez Brahma atendeu-lhe o pedido. Um século depois eles se reencontraram. Brahma quer levar o sábio desta vida, mas ele não desiste:

— Dê-me, por favor, mais 100 anos; há coisas que ainda não entendo!

Pedido concedido. E assim se passou um milênio: o sábio pedindo mais tempo para estudar e Brahma aquiescendo com paciência infinita.

Vendo afinal que não conseguia acabar de entender as escrituras, o sábio, desalentado, perguntou-lhe:

— Por que nunca termino?

Brahma, então, lhe respondeu:

— Porque de nada lhe serve estudar os Vedas se você não os coloca em prática, pois, “o estudo não produz nenhum resultado sem a prática”.

Este conto, que nos leva a muita reflexões, foi adaptado de um texto do livro PARÁBOLAS de todos os tempos, Vol. III, de Alexandre Rangel.

No hinduísmo Brahma é o deus da criação. E os Vedas são os quatro livros sagrados mais antigos, como são para nós às escrituras do Antigo e Novo Testamento.

Veda significa “conhecimento” ou “sabedoria”.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito da Verdade nos determina o “conhecimento” ao ditar seus mandamentos:

“AMAI-VOS, eis o primeiro mandamento; INSTRUÍ-VOS, eis o segundo...”.

Contudo, para se adquirir o “conhecimento / sabedoria”, é preciso, a priori, entender a relação entre o Estudo (Teoria) e a Prática. Pois essa relação é basilar para a aprendizagem real e para a transformação pessoal.

 Quando estudamos e aplicamos o “conhecimento”, geramos a chamada PRÁXIS – união perfeita que modifica a realidade.

A Práxis é, então, uma atividade criadora do ser humano, composta por dois momentos, que se comportam de forma polar: a Teoria (reflexão ou consciência) e a Prática (ação); ligadas de forma inseparável.

Podemos então representar a Práxis como uma elipse, cujos dois polos são formados pelo Estudo (Teoria) e a Prática, que funcionam de forma dinâmica; onde a Teoria modifica a Prática e a Prática leva a uma nova Teoria... E, nesse vaivém constante, dá-se o progresso da humanidade.

  ●→Teoria

﴾↓↑﴿↓↑↓↑↓↑   ▬► Progresso

  ●→ Prática

É, pois, dessa forma, que ocorre a construção do “conhecimento” e da “sabedoria” imprescindíveis à nossa evolução espiritual. 

Talvez, por esse motivo, Jesus tenha dito a Nicodemos, que “não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que nascer de novo” (João 3,3).

Se o Reino de Deus é o reino da Perfeição, é lógico que nele não pode entrar quem ainda está imperfeito!

O Espírito humano tem, portanto, que evoluir, buscando continuamente se aprimorar. E, certamente, para isso não basta uma só vida neste planeta!

Há, pois, necessidade de sucessivas existências!... Renascendo aqui ou acolá, conforme disse Jesus:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar” (João 14,2).

A Práxis é, então, um processo de conscientização (de Ação e Reação), permanente para a libertação da pessoa de sua ignorância.

Pois as pessoas, por meio de suas tribulações (prática / ação), vão desvelando a realidade do mundo (teoria / reflexão) e vão ao mesmo tempo comprometendo-se com a sua transformação interior, num processo de nascer e renascer a todo instante; de evolução constante...

Uma verdadeira Escalada da Perfeição (Escada de Jacó).

Que Jesus nos garante quando se refere à lei e aos profetas. “Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição” (Mateus 5,17).

Nenhum comentário:

Postar um comentário