Aquecendo a Vida

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sábado, 27 de junho de 2026

MEIAS–VERDADES

“Viver pela metade é ilusão. Tire suas meias e ponha os pés no chão”.


Um sábio, para mostrar ao Rei o sentido das meias–verdades, pediu que colocassem um elefante diante de seis (06) cegos e disse-lhes:

— Há um objeto diante de vocês. Toquem nele e depois digam o que é.

Os cegos não sabiam o que era um elefante!... O primeiro se aproximou, tocou no objeto e disse:

— Parece um muro.

— É uma lança – disse o segundo cego após tocar em outra parte.

— Que disparate! – disse o terceiro. Está mais parecido com uma cobra.

— Bem – disse o quarto homem, ao apalpar o animal –, parece uma árvore.

Todos riram! O quinto cego pegou então em outra parte do objeto e deu sua opinião, dizendo:

— Com certeza é um leque.

Finalmente, o sexto cego, por sua vez, tocou no elefante e disse:

— Parece-me que é uma corda.

Com tantas opiniões diferentes, o Rei, exasperado, exclamou:

— Que grande confusão!...

— Mas, não é bem assim! – falou o sábio. – Pois, na verdade, o elefante tem flancos como muros, dois grandes dentes como lanças, uma tromba como cobra, pernas como pequenas árvores, as suas orelhas são como dois leques e o rabo parece uma corda. Juntando tudo isso, temos uma descrição, quase perfeita, de um elefante!

— Afinal – continuou o sábio –, os cegos VIRAM o elefante, não pelos olhos, mas sim pelo tato. E nenhum deles mentiu!... O que fizeram foi só contar um pedaço da verdade...

A meia–verdade, apesar de conter parte da realidade, sempre nos engana, e nos leva a uma conclusão falsa.

Por isso, Jesus sempre alertava: “Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis," (Mateus 13,14).

Há muito tempo, como professor primário, vendo as dificuldades dos alunos para aprender continhas de aritmética, eu fui buscar o saber de Jerome Bruner dos EUA – o Pai da Psicologia Cognitiva.

Ele falava sobre o ensino Em Espiral, onde um conceito deveria ser repetidamente ensinado, em diferentes níveis. Isso permitia ao aluno aprender ideias complexas de modo simples, num processo baseado em como os seres humanos chegaram ao estágio atual; e em como poderiam se aprimorar.

Daí nasceu, em 1965, a minha apostila “Aritmética Passo a Passo”, um rol de continhas de 1ª a 4º séries, partindo sempre das mais simples para as de maior complexidade.

Nasceu, do mesmo modo que se dá a aprendizagem espiritual do ser humano, em forma de uma escada em espiral, partindo-se dos níveis de frequência mais baixos para, passo a passo, avançar gradativamente aos demais degraus da escala evolutiva.

Em cada passo ou degrau o aprendiz forma uma concepção (sua meia–verdade). E no passo seguinte, no degrau mais elevado – com nova visão, ele amplia sua verdade.

Assim, em cada etapa ou série escolar ele se sente mais experiente; e na escala espiritual acontece o mesmo.

De meias e meias–verdades – tal como na referida história –, é que o ser humano conhece a “VERDADE PLENA”, absoluta, além das aparências materiais e se livra da ignorância.

Como diz João 8, 32: “Conhecereis a verdade e a verdade vos livrará”.

Pois, “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade ensinar-vos-á toda a verdade, [...] e anunciar-vos-á as coisas que virão". (João 16,13)

As experiências do Espírito é a sua maior riqueza, a qual promove o seu Bem mais elevado, no decorrer de suas sucessivas existências, através de meditações e reflexões mentais, até atingir a Meta de sua programação.

Quando Jesus manda “amar vossos inimigos” (Mateus 5,44), de certa forma está pedindo pra gente olhar e ver, ouvir e escutar para compreender que o nosso “inimigo” é nosso irmão! Filho do mesmo Pai Eterno! apenas num estágio diferente de maturidade, que constitui a sua Meia–Verdade – o conceito do nível da sua frequência.

Pois, “Todos os Espíritos passam pelo caminho da ignorância”. (Livro dos Espíritos / Q. 120).

       Assim como o bom Professor não se ofende com os erros do aprendiz, se você já detém algum saber, aprenda a viver e não se ofenda na vida com os erros dos outros. 

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