“Que belos
dentes os deste cão!”.
JESUS chegou um dia a uma cidade e, ao
atravessá-la, viu um grupo de pessoas que contemplava um cão morto, que trazia ainda ao pescoço a corda com que fora
enforcado.
O
cão estava podre e cheirava mal.
Todos
que se achavam em torno do animal em decomposição, examinavam-no, fazendo
comentários:
—
Como empesta o ar – dizia um, tampando o nariz.
—
Por quanto tempo continuará este cão a envenenar o ar que se respira nesta rua?
– acrescentava outro.
E,
assim, muitos exclamavam:
—
Olhem sua pele!... Parece um coalho de leite estragado.
—
E as suas orelhas? Escorre uma aguadilha verde de pútridas espumas...
—
Teria sido estrangulado porque se tornou hidrófobo ou ladrão?
JESUS, que se acercou
daquele grupo e ouviu todos esses comentários, lançou então um olhar de
compaixão sobre o animal e disse:
—
Oh!... Que belos dentes os deste cão!
– Seus dentes são cândidos e belos como a neve.
O
povo maravilhou-se de ouvir essas palavras ungidas de tanta doçura sobre esse animal
e, em coro exclamou:
—
Quem será este homem? Não deve ser outro senão Jesus de Nazaré. Só Ele
é capaz de tamanha piedade ante a carcaça de um cão morto.
E
todos se retiraram, inclinando respeitosamente a cabeça diante do Filho de Maria.
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Essa
frase sobre os belos dentes do cão, não pertence a Leon Tolstói, como muitos atribuem.
Na verdade, ela faz parte de uma história sobre a vida de JESUS, relatada por diversos autores, inclusive Tolstói, mas que
não consta do Novo Testamento.
Enquanto
todos criticavam a carcaça do animal morto, Jesus narrava esse cenário com a
sua voz espiritual que fala a todos os que “tenham ouvidos para ouvir e olhos
para ver”, isto é, a todos que percebem a presença de Deus sintetizada no
sentimento imaculável da Beleza e do Amor.
Sentimento
este que nos transporta do concreto ao abstrato, demonstrando que toda forma,
por mais grosseira na aparência, está envolta numa vida comum a tudo e a todos.
E que através da nossa imaginação nos leva a ver e sentir a beleza oculta na forma feia.
Guiada
pela nossa concentração e meditação, a imaginação nos liberta do FEIO e nos identifica com o BELO, irradiando a
alegria colorida que nos faz sentir o lado melhor da vida que almejamos no
mundo.
E ainda
nos proporciona belos voos para o azul
celeste, através dos excelsos ensinamentos do Mestre, os quais nos livram das agruras das expiações caducas do
passado; e nos revela a grande descoberta da Obra Divina, a qual promove o Bem Supremo para toda a humanidade.
Pois
o Criador conhece todas as possibilidades do nosso livre-arbítrio e, assim, nos
conduz e nos direciona sempre a um Porto Seguro e Feliz.
Enxergar
o lado Bom e Belo das coisas é uma forma de Auto Caridade Sublimada
que eleva a Alma, aprimora a consciência e nos ensina a discernir entre o falso
e o verdadeiro, entre o que é positivo e negativo, entre o poder psíquico e o
espiritual...
Pois
quem aprecia o belo, ama a vida e desperta o conhecimento que traz dentro de si,
para separar o joio do trigo e se
transformar “da água para o vinho”... Tornando-se cada vez mais impessoal,
alcançando o mundo da abstração e da beleza eterna, onde a Vida Una – da consciência unificada – palpita para todos os seres.
Essa
consciência
da unidade só é possível pela observação de todos os ensinamentos do
Cristo, imprescindíveis como meios de libertação.
Recorde-se
sempre das palavras do Mestre “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Porém, não se esqueça de que no Caminho há flores e espinhos, que impulsionam o
viajante para frente.
As
flores, com a sua beleza e seu perfume o impulsionam para o alto, mas os
espinhos trazem dores, que servem de introspecção para também libertá-lo.
O Belo e o Feio, assim como o Amor e a Dor são forças catalisadoras do
BEM, que se direcionam ao mesmo fim
– a unificação com o Criador.
Pois, como diz o ditado: “Quem não vem pelo Amor vem pela Dor!”.
Que a magia do NATAL aqueça nossos corações!
Passando para desejar um Santo e Feliz Natal a todos!!!
ResponderExcluirGratidão! Deus os abençoe neste final de mais um ano!...
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