“A omissão é um
pecado que se faz não fazendo”. (P. Antônio Vieira).
A CRÔNICA,
que inserimos com algumas adaptações, a seguir –, do Livro “Cartas e Crônicas” de
Chico Xavier / Irmão X, retrata bem a questão do mal por omissão.
Conta-se
que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria “O Livro dos Espíritos”, recolheu-se ao leito, certa noite,
impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O Grande Reformador,
em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo
informes em torno da felicidade celestial.
Kardec,
comovido, viu-se durante o repouso fora do corpo, em singular desdobramento...
Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de
chofre, a nevoenta região, onde remiam milhares de entidades em sofrimento
estarrecedor. Soluços de aflição casavam-se aos gritos de cólera; blasfêmias
seguiam-se a gargalhadas de loucura...
Atônito,
Kardec lembrou os tiranos da História, e inquiriu espantado:
—
Jazem aqui os crucificadores de Jesus?... Os imperadores romanos?... Os algozes
dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho?... Os grandes conquistadores
da Antiguidade, Átila, Aníbal, Alarico I, Gengis Khan?...
—
Então, diga-me – rogou Kardec, que sofredores são estes, cujos gemidos e
imprecações me cortam a alma?
E
o guia impassível, esclareceu:
—
Temos, junto de nós, os que estavam no mundo plenamente educado quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que deliberadamente fugiram
da Verdade e do Bem, especialmente os cristãos infiéis de todas as
épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se
entregaram ao mal, por livre vontade... Para eles, um novo berço na Terra é
sempre mais difícil...
Chocado
com aquela inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato,
levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame
dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, a seguir, de “O
Livro dos Espíritos”:
“642.
Basta não praticar o Mal para agradar a Deus e garantir sua posição no
futuro?”.
“—
Não; é preciso fazer o Bem no limite de suas forças; pois cada um responderá
por todo o Mal que haja resultado de não haver praticado o Bem.”.
_____
O
ser humano pode prejudicar seus semelhantes tanto por AÇÃO como por OMISSÃO.
OMISSO é quem foge da Verdade e do Bem,
de forma deliberada. E que responderá por todo o Mal que haja resultado de não
ter praticado o Bem.
Assim,
pois, o Mal não precisa de força para vencer, basta a omissão daqueles que poderiam detê-lo!
Omissão é uma
imperfeição da alma, que, aparentemente, acha que não está fazendo mal algum!...
Que não percebe ao cruzar os braços, que sua neutralidade não deixa de ser
uma forma de inação, de covardia...
Atualmente,
a omissão é o pecado que se comete com mais facilidade! Pecado que se agrava pelo
famoso “jeitinho brasileiro” – quando faz de conta que não está
acontecendo nada –, ou pela “lei do Gerson” – de quem só quer
levar vantagem...
Todavia,
a omissão sempre causa perdas e
danos seja intencional ou por conveniência. E vai se tornar um pesado
fardo na consciência de quem se omite.
Se
você se omite você é parte do
problema!... Talvez, por isso, Chico Xavier tenha dito, que “A omissão de quem pode e não
auxilia o povo, é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade
inteira”.
Esse
alheamento popular é tudo o que mais querem os malfeitores da vida pública!... Daí
o cuidado na hora de votar... Pois conta-se que “a formiga, com ódio da cigarra,
votou no inseticida. Morreram todos, inclusive o grilo que votou nulo!”.
Não
se omita. “Seja o fundador de uma nova ordem na Terra!”.