Aquecendo a Vida

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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

MAL POR OMISSÃO

 

“A omissão é um pecado que se faz não fazendo”. (P. Antônio Vieira).


A CRÔNICA, que inserimos com algumas adaptações, a seguir –, do Livro “Cartas e Crônicas” de Chico Xavier / Irmão X, retrata bem a questão do mal por omissão.

Conta-se que Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria “O Livro dos Espíritos”, recolheu-se ao leito, certa noite, impressionado com um sonho de Lutero, de que tomara notícias. O Grande Reformador, em seu tempo, acalentava a convicção de haver estado no paraíso, colhendo informes em torno da felicidade celestial.

Kardec, comovido, viu-se durante o repouso fora do corpo, em singular desdobramento... Junto dele, identificou um enviado de Planos Sublimes que o transportou, de chofre, a nevoenta região, onde remiam milhares de entidades em sofrimento estarrecedor. Soluços de aflição casavam-se aos gritos de cólera; blasfêmias seguiam-se a gargalhadas de loucura...

Atônito, Kardec lembrou os tiranos da História, e inquiriu espantado:

— Jazem aqui os crucificadores de Jesus?... Os imperadores romanos?... Os algozes dos cristãos, nos séculos primitivos do Evangelho?... Os grandes conquistadores da Antiguidade, Átila, Aníbal, Alarico I, Gengis Khan?...

 — Nenhum deles – informou o guia solícito. – Todos eles desconheciam, na essência, o mal que praticavam e não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Todos foram amparados e encaminhados à reencarnação, entrando nas lides expiatórias, conforme os débitos contraídos, para adquirirem instrução e entendimento...

— Então, diga-me – rogou Kardec, que sofredores são estes, cujos gemidos e imprecações me cortam a alma?

E o guia impassível, esclareceu:

— Temos, junto de nós, os que estavam no mundo plenamente educado quanto aos imperativos do Bem e da Verdade, e que deliberadamente fugiram da Verdade e do Bem, especialmente os cristãos infiéis de todas as épocas, perfeitos conhecedores da lição e do exemplo do Cristo e que se entregaram ao mal, por livre vontade... Para eles, um novo berço na Terra é sempre mais difícil...

Chocado com aquela inesperada observação, Kardec regressou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como sendo a Questão número 642, a seguir, de “O Livro dos Espíritos”:

“642. Basta não praticar o Mal para agradar a Deus e garantir sua posição no futuro?”.

“— Não; é preciso fazer o Bem no limite de suas forças; pois cada um responderá por todo o Mal que haja resultado de não haver praticado o Bem.”.

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O ser humano pode prejudicar seus semelhantes tanto por AÇÃO como por OMISSÃO.

OMISSO é quem foge da Verdade e do Bem, de forma deliberada. E que responderá por todo o Mal que haja resultado de não ter praticado o Bem.

Assim, pois, o Mal não precisa de força para vencer, basta a omissão daqueles que poderiam detê-lo!

Omissão é uma imperfeição da alma, que, aparentemente, acha que não está fazendo mal algum!... Que não percebe ao cruzar os braços, que sua neutralidade não deixa de ser uma forma de inação, de covardia...

Atualmente, a omissão é o pecado que se comete com mais facilidade! Pecado que se agrava pelo famoso “jeitinho brasileiro” – quando faz de conta que não está acontecendo nada –, ou pela “lei do Gerson” – de quem só quer levar vantagem...  

Todavia, a omissão sempre causa perdas e danos seja intencional ou por conveniência. E vai se tornar um pesado fardo na consciência de quem se omite.

Se você se omite você é parte do problema!... Talvez, por isso, Chico Xavier tenha dito, que “A omissão de quem pode e não auxilia o povo, é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira”.

Esse alheamento popular é tudo o que mais querem os malfeitores da vida pública!... Daí o cuidado na hora de votar... Pois conta-se que “a formiga, com ódio da cigarra, votou no inseticida. Morreram todos, inclusive o grilo que votou nulo!”.

Não se omita. “Seja o fundador de uma nova ordem na Terra!”.

sábado, 20 de setembro de 2025

VOCÊ ESTÁ PREPARADO?

 Diante do vendaval não perca a esperança. Deus está no comando!


O assassinato do ativista político conservador Charlie Kirk, baleado no dia 10 de setembro (quarta-feira) deste ano (2025), na Universidade de Utah Valley, – repetido a exaustão pela mídia mundial – repercutiu entre os políticos dos EUA e comoveu muita gente...

O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ele era “amado e admirado por todos...”; e ordenou que as bandeiras ficassem a meio mastro até domingo.

Será que em algum momento a esposa Erika Kird e seus familiares imaginaram uma tempestade como essa em suas vidas?

Parece que a mídia atualmente não muda muito de um dia para o outro. São assaltos, acidentes, homicídios, e muita corrupção política...

E você que acompanha esse triste noticiário já parou para pensar na importância de uma preparação pra tudo isso que está acontecendo. Preparação não só física, mas, principalmente, mental, emocional, espiritual.

— Você está preparado? Você pode dormir diante de tantas catástrofes?

— Ah, não vai acontecer nada!

— Mas é melhor assim, do que acontecer e você estar despreparado! Saiba que “você mesmo cria os seus amanhãs!”...

Há uma história, de desconhecida autoria, intitulada “ENQUANTO OS VENTOS SOPRAM”, que aborda bem essa questão.

Conta-se que há alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele anunciava constantemente estar precisando de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações.

Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.

— Você é um bom lavrador? − Perguntou o fazendeiro.

— Bem! − respondeu o pequeno homem − eu posso dormir enquanto os ventos sopram.

Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até o anoitecer. E o fazendeiro estava satisfeito com o seu trabalho.

Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou o lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou:

— Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas!

O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente:

— Não senhor! Eu lhe falei que posso dormir enquanto os ventos sopram.

Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois.

Mas, para seu assombro, ele descobriu que os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado.

O fazendeiro entendeu o que seu empregado quis dizer. Então retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.

Narra o Evangelho, que certa vez JESUS subiu com seus discípulos a uma barca e disse: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram. Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.

“Mestre, Mestre! Nós estamos perecendo!”. Jesus se levantou e ordenou aos ventos e à fúria das águas que se acalmassem e logo veio a bonança. Perguntou-lhes, então: “Onde está a vossa fé?”. Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns para os outros: “Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem?”.

Reflita sobre esta passagem de Lucas (8:22-25) e descubra se você realmente está preparado!...

“Se essas horas de crise te surgiram na existência, não te desanimes e nem te desesperes. Ergue a fronte para o alto e conta com Deus” (Emmanuel).

sábado, 13 de setembro de 2025

O ZELADOR DA FONTE

 

“Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”. (Confúcio).


Uma lenda austríaca relata que o Conselho Comunitário de um povoado havia contratado um humilde habitante da floresta para zelar das piscinas que guarneciam de água a fonte local.

Este Zelador com regularidade inspecionava as colinas, retirando folhas e galhos secos e limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Mas ninguém observava as longas horas de caminhada que ele fazia pelos morros, nem o seu esforço para a retirada de entulhos.

O povoado logo começou a atrair turistas. Cisnes graciosos nadando na água cristalina. Rodas d’água das empresas da região girando dia e noite. Plantações irrigadas naturalmente e uma paisagem vista de beleza extraordinária.

Passarem-se os anos. Certo dia, numa reunião ordinária do Conselho da Comunidade, ao inspecionarem o orçamento um conselheiro colocou os olhos no salário do Zelador da fonte.

De imediato, alertou os demais a respeito daquele servidor, que há anos pagavam para quê?! O que fazia? Pois era um simples guarda da reserva florestal, sem nenhuma utilidade.

Seu argumento a todos convenceu e o Zelador da fonte foi dispensado. 

Nas semanas seguintes, nada de novo. No outono, todavia, começou a cair galhos e folhas das árvores nas piscinas formadas pelas nascentes.

Um dia alguém viu uma coloração meio amarelada na fonte. Dias depois, uma película escura de lodo, exalando mau cheiro, cobria toda a superfície ao longo das margens. Os Cisnes emigraram. As rodas d’água pararam. Os turistas desapareceram. E a enfermidade chegou ao povoado!

O Conselho reuniu-se, então, em sessão extraordinária, e reconheceu o erro grosseiro cometido. E às pressas, o Zelador da fonte foi recontratado!...

Reparado o erro, clareou a água do rio. Moveram-se as rodas d’água e os Cisnes retornaram... Tornou-se bela a paisagem!... E a vida retomou seu curso.

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Ao se fazer uma reflexão sobre esta lenda, se nota que ela contém preciosa lição: não há desmerecimento algum em se reconhecer um erro cometido!...

Depois do erro revelado, o demérito seria a falta de humildade em aceitá-lo e nada fazer para repará-lo de imediato!...

Em casos assim, a omissão na reparação do erro agrava ainda mais a falta cometida, pois contraria não somente as leis humanas, mas também as Leis da Justiça Divina.

Pela Lei de Causa e Efeito, tudo o que se planta de Bem ou de Mal a gente colhe, obrigatoriamente, nesta vida ou em vidas futuras. Porque o Espírito é imortal e tem uma multiplicidade de vidas sucessivas.  

Deus concedeu o livre-arbítrio a todos para a realização de experiências na vida caminhando com as próprias pernas, ou seja, com liberdade de escolhas, que poderão ser corretas ou erradas, de acordo com o estágio de evolução de cada um. Mas isso implica em responsabilidade.

Quando Jesus, em Lucas 17,21, diz que “o Reino de Deus está dentro de vós”, de certa forma estava se referindo às consequências dos atos que cada um pratica e que resultam, de acordo com a sua maturidade evolucional, num estado de consciência feliz ou infeliz.

Dentro de nós o Reino de Deus se manifesta pela nossa transformação interior e gradual, operando de forma a nos livrar de ações equivocadas.

Assim, cada um é o responsável por seu estado d’alma. Pois o Espírito exala a fragrância das próprias conquistas!...

Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo (VIII, 7):

“Deus que é justo, leva em conta todas as gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem”.

Para anular o mal causado por um erro cometido, o Espírito deve se arrepender... Mas só isso não basta. É preciso, com urgência, reparar o dano e tirar o “peso” da consciência.

Não espere ganhar um “prêmio de loteria”, nem a desdita da morte que lhe ronda a alma para, depois, corrigir seus erros.

“Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele...” (Mateus 5,25).

Seja já O ZELADOR DA FONTE de seu Reino de Paz!...

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

PARÁBOLA DO VÉU CINZA

 

Sua alma foi extraída da Consciência da Vida Divina.


Uma menina de grande beleza estava oculta sob um espesso véu cinza no qual estava pintado um rosto feio. Assim, a verdade de seu ser estava guardada em segredo e poucos se aventuraram a aproximar-se dela pela sua aparência pouco atraente.

Ela cresceu e se deu conta de que a causa de sua solidão e tristeza, a perda de sua liberdade de movimento e saúde, se devia aos véus. Porém, ela estava tão acostumada àquela situação que acreditava não ser possível sobreviver sem eles. Entretanto, ela teve a sorte de encontrar um “mentor iluminado” de outro país, e finalmente foi convencida a descartar ao menos um véu.

Depois de muito procurar pela força interior para fazer isso, implorou ao seu “mentor” que a ajudasse. Ele levantou as mãos dela e juntos tiraram o véu no qual estava pintado o rosto feio.

Ela sentiu-se melhor por ter feito aquilo. E começou a sentir certa alegria.

Depois de um tempo, ela estava ansiosa para descartar outro véu e de novo seu “mentor” veio e a ajudou a tirá-lo. E assim continuou. Quanto mais véus ela retirava, mais leve se tornava e gradualmente vislumbrou a realidade da natureza que a rodeava, podendo ver as árvores com clareza, os pássaros nos galhos e escutava encantada os seus maravilhosos cantos.

Ela viu a beleza nos rostos dos outros e começou a sentir o fluxo do amor em seu coração. A vida estava se transformando agora em um presente verdadeiramente Divino a ser apreciado. Diariamente agradecia ao seu “mentor” por ajudá-la a se transformar em uma pessoa tão feliz.

Chegou um tempo em que já não suportava mais o último véu que a envolvia. Sabia que aquele véu a estava separando da luz, beleza, harmonia e contato amoroso com outras pessoas belas. Embora não soubesse como poderia se arrumar sem ele, se retirou em silêncio junto ao seu “mentor” e pediu que o último véu fosse removido.

Foi um tempo de agonia, já que o véu parecia ser parte do seu ser. Mas ela suplicou e em um momento de brilhante Luz, o véu queimou e se desprendeu dela. A forma que restou era a sua Realidade – ela entrou em uma perfeita liberdade interior!

Sua Realidade individualizada, entretanto tinha agora que encontrar um modo de funcionar no ambiente. Isso foi inesperadamente difícil, pois a sua percepção de Realidade ao redor e em seu interior era transparente, e tão clara que mudou radicalmente sua comunicação com os outros. Já não estava em paz em seu meio social e profissional, nem poderia permanecer como membro de sua comunidade.

As pessoas a olhavam e diziam:

— Oh, é assim que você é – sem nenhum véu, que horror! Achamos você muito estranha – inclusive meio louca!

E deram-lhe as costas. O que você pensa que ela fez? Voltou ao tempo em que usava véus tão pesados quanto os outros?

Não!... Ela havia encontrado tamanha paz, alegria e satisfação de suas necessidades que deixou sua comunidade e se retirou, unindo-se a outras almas que reconheceram sua verdadeira identidade e responderam a ela com amor e alegria.

***

O “mentor iluminado, de outro país”, eu creio ser JESUS.  

E a lenda revela uma verdade: que a pessoa vai retirando seus próprios véus quando se convence pela Consciência Divina de que fazer isso é o mais correto para se aproximar cada vez mais do conhecimento íntimo da Realidade / Alma que esconde sua “personalidade” atrás de tantos véus (mental e emocional) – às vezes manchados por suas próprias interações...

Os mais evoluídos podem ver esses “véus manchados” recobrindo a pele dos outros de pensamentos negativos.

Pois, à medida que você se eleva espiritualmente, sua pele começa a clarear e uma luz brilha em seus olhos! Sua “personalidade terrena” começa a desaparecer, sem se perceber, enquanto você se torna mais “espiritualizado”. E fica visível para quem tem o dom da percepção espiritual.

Por isso, “Não tenha medo de uma futura renúncia da mentalidade terrena”.

 

Fonte: CARTAS DE CRISTO, 1ª Edição     Curitiba 2015, Almenara Editorial.