“Senhor, vós me destes, vós
me tirastes; que seja feita a vossa vontade” (Jó).
Um rico pai de família levou seu pequeno filho para
viajar pelo interior, com o firme propósito de mostrar-lhe o quanto algumas
pessoas podem ser pobres. O objetivo era convencer o filho da necessidade de
valorizar os bens materiais que possuía; o status; o prestígio social...
Queria desde cedo passar esses valores para seu herdeiro.
Eles passaram um dia e uma noite numa pequena casa de
taipa, de um morador da fazenda de seu primo. Quando retornaram da viagem, o
pai perguntou ao filho:
− O que achou da viagem?
− Achei muito boa!
− Viu a diferença entre viver com riqueza e viver na
pobreza?
− Sim – respondeu o filho.
− E o que você aprendeu?
− Papai, eu vi que nós temos um cachorro em casa e
eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles têm
um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada com
lâmpadas; eles têm as estrelas e a lua. Nosso quintal vai até o portão; e eles
têm uma floresta inteira.
Quando o garoto acabou de responder, seu pai estava
perplexo.
O filho, então, acrescentou:
– Obrigado, papai, por me mostrar “quanto pobres nós somos!”.
Esta história faz a gente perceber que nada temos se
compararmos com a riqueza que Deus colocou à nossa disposição. Nada nos
pertence na Terra Nem o corpo! Morrermos e deixamos todos os bens materiais
adquiridos. Não somos proprietários de nada! Na realidade somos apenas
depositários de alguns bens da Natureza, que Deus nos emprestou e que temos que
devolver.
E Deus nos emprestou sob uma condição: que tudo o que
é supérfluo pra nós seja revertido em favor daqueles que não têm o necessário. Já
pensou que chegará um dia em que deverá prestar contas ao Senhor do que Ele lhe
emprestou? E que no contrato de empréstimo tem o divino mandamento que determina
praticar a Caridade?
Caridade é toda a boa ação que se possa praticar em
benefício do próximo. Fora da Caridade
não há salvação!
Então, qual é meu compromisso com a comunidade?
Proporciono mais emprego? Trato bem as pessoas? Não estou sendo omisso na
solução dos problemas coletivos? Tenho doado um pouco do meu tempo em benefício
do meu semelhante? A doação do nosso tempo também é Caridade!
Lembre-se que o descumprimento do dever o faz um depositário infiel.
Depositário Fiel significa o indivíduo a quem se
entrega ou a quem se confia alguma coisa em depósito. É o indivíduo que ficou
responsável pela guarda de um bem que não lhe pertence.
Mas, se esse mesmo indivíduo é irresponsável ou descuidado
e deixa que esse bem desapareça ou que seja roubado, ele é declarado
DEPOSITÁRIO INFIEL.
Cuidado: não se deixe iludir; não seja um depositário infiel dos bens que Deus
lhe confiou! Pois o que muitas vezes a
gente chama de economia e previdência não passa de ambição e avareza.
Lembre-se, também, que o egoísta fica carregado de
orgulho. Pois é comum vê-lo atormentar quem lhe implora ajuda. E puxa sempre a
história de seu trabalho e de sua capacidade, para lhe jogar na cara: “faça
como eu fiz!”; “trabalhe!”; “tá pensando que dinheiro cai do céu?”. Humilha
e depois sorri de satisfação.
Na opinião do homem de posses a bondade do Criador não
influiu em nada em sua riqueza. O mérito cabe somente a ele. Coitado! Tem uma
venda nos olhos e um tampão nos ouvidos! Não sabe que ser depositário dos bens
de Deus é a prova mais difícil da humanidade! Como nos alertou o Mestre: “É
mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no
reino dos Céus”. Pois, o amor
possessivo aos bens terrenos é um obstáculo à salvação.
Nem sempre o rico compreende isso, nem acredita que
Deus pode derrubá-lo com uma só palavra.
“Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de
sua própria família, é um renegado, pior que um infiel” (Paulo a I Timóteo 5,8).
“Sê fiel [depositário] até a morte e te darei a coroa
da vida” (Ap 2,10).
“Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no
pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor” (Mateus 25,23).
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