Aquecendo a Vida

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

O FUTURO DE RUDES AFLIÇÕES

 

“Cada um de nós revela o que foi” (Cairbar Schutel).


JESUS, ciente do padecimento e da agonia que envolve a célula mater da sociedade (a família), proferiu certa vez:

“Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação. Pois de ora em diante haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra três; estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”. (Lucas 12,51-53).

Diante de tão rígidas afirmações, há de se perguntar: mas, por que toda esta celeuma de desentendimentos?... Há razões para isso?

Sim! Porque a Família é a oficina, a fornalha para apurar os sentimentos!

Às vezes, são inimigos de outrora colocados juntos para aprenderem a praticar as lições do amor fraterno.

Se olharmos as nossas vidas pela lupa das vidas anteriores, veremos com clareza a relatividade de todos os nossos posicionamentos. Pois já fomos crentes; católicos; mulçumanos; protestantes; judeus; ateus; budistas... Já pertencemos aos mais diversos grupos políticos; às mais diferentes raças e nacionalidades...  

E ainda vamos descobrir que nos nossos grupos familiares sempre há uma “velha alma” – ali colocada pela misericórdia divina! – que consegue um mínimo de harmonização.

Qual doutrina você invocaria para explicar com lógica os motivos desses conflitos familiares, que Jesus previu? A doutrina da reencarnação!?...

Sim!... Pois cabe a ela, de forma racional, explicar o futuro de rudes aflições nos grupos familiares, e dar a justificativa plausível de como enfrentá-las, com resiliência, buscando um modo de ser melhor, através da evolução espiritual.

Como é “um caso exemplar”, que nos conta Divaldo Pereira Franco, o qual por si só já elucida esses conflitos.  

Não temos – diz ele – a família que gostaríamos. Mas temos a família que necessitamos para evoluir. Eu tive um uma irmã que odiava meu pai e meu pai odiava sua filha; e ela me dizia assim:

— Di, seu pai está chegando aí.

Ele estava, às vezes, a 01 km de distância. Daí a pouco ele chegava e eu perguntava a ela:

— Mas, como é que você sabia?

— Eu sinto a irradiação de seu pai.

— Mas ele não é o seu pai?

— Não!

— Então me explique. Ele não é seu pai! Nossa mãe não adulterou! Como é que você nasceu?

— Ah, ele me fabricou, mas ele não é meu pai!

Um dia, eu estava no ônibus com meu pai... Ele, então, virou com os olhos em lágrimas, e me perguntou:

— Filho, sua irmã me odeia, não é?

— É, pai.

— Por que meu filho?

Eu, aí, vi a cena na vida anterior. A prostituição, a união deles. E ele assassinando-a no bordel onde estavam! Mas, eu não lhe disse nada!

— Pai, eu não sei... É coisa da reencarnação. O senhor é que tem que aproximar dela.

— Não posso meu filho, odeio-a!

— Então, pense nela como uma doente. Tenha compaixão!...

Ele foi chorando e eu também.

E quando ele estava morrendo nos meus braços, eu parei e fui chamá-la:

— É o seu momento minha irmã! Vai transferir para outra encarnação? Você me quer bem?

— Ainda não me matei por sua causa – ela me disse.

— Não se matou porque é crime! Então vamos lá. Vá pedir perdão ao pai.

— Você fica ao meu lado?

— Fico... Mas vou deixar vocês juntos porque têm muito que falar...

Aí meu pai me olhou e disse:

— Não saia.

Então, ela olhou bem pra ele... E ele falou nos últimos minutos:

— Minha filha, me perdoe. Você é minha filha! Você me perdoa?...

Aí ela começou a gritar. Dobrou-se sobre ele morrendo e disse:

— Pai, me perdoa pai. Eu não sei por que eu fiz assim!?...

Então, eu vi o Espírito Mentor dele abençoar; porque a mágoa, a dor, foi diluída.

E ele olhou para mim, pegou na minha mão e disse:

— Meu filho, me perdoe pelas surras que eu lhe dei.

— Pai – eu disse – a gente só perdoa quando tem mágoa. E o senhor foi o mais belo pai que eu conheci.

E as últimas palavras dele foram:

— Filho, eu vou continuar a viver?

— Vai. Seus filhos que foram antes estão esperando para lhe agradecer.

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