“Cada um de nós
revela o que foi”
(Cairbar Schutel).
JESUS, ciente do padecimento e da
agonia que envolve a célula mater da sociedade (a família), proferiu certa vez:
“Julgais
que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação. Pois de ora em diante
haverá numa mesma casa cinco pessoas divididas, três contra duas, e duas contra
três; estarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe
contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra
a sogra”. (Lucas
12,51-53).
Diante
de tão rígidas afirmações, há de se perguntar: mas, por que toda esta celeuma
de desentendimentos?... Há razões para isso?
Sim!
Porque a Família é a oficina, a fornalha para apurar os sentimentos!
Às
vezes, são inimigos de outrora colocados juntos para aprenderem a praticar as
lições do amor fraterno.
Se
olharmos as nossas vidas pela lupa das vidas anteriores, veremos com clareza a
relatividade de todos os nossos posicionamentos. Pois já fomos crentes;
católicos; mulçumanos; protestantes; judeus; ateus; budistas... Já pertencemos
aos mais diversos grupos políticos; às mais diferentes raças e nacionalidades...
E ainda
vamos descobrir que nos nossos grupos familiares sempre há uma “velha
alma” – ali colocada pela misericórdia divina! – que consegue um mínimo
de harmonização.
Qual
doutrina você invocaria para explicar com lógica os motivos desses conflitos
familiares, que Jesus previu? A doutrina da reencarnação!?...
Sim!...
Pois cabe a ela, de forma racional, explicar o futuro de rudes aflições nos grupos familiares, e dar a justificativa
plausível de como enfrentá-las, com resiliência, buscando um modo de ser
melhor, através da evolução espiritual.
Como
é “um
caso exemplar”, que nos conta Divaldo Pereira Franco, o qual por si só
já elucida esses conflitos.
Não temos – diz ele – a família que
gostaríamos. Mas temos a família que necessitamos para evoluir. Eu tive um uma irmã que odiava meu pai e meu pai odiava
sua filha; e ela me dizia assim:
—
Di, seu pai está chegando aí.
Ele estava, às vezes, a 01 km de
distância. Daí a pouco ele chegava e eu perguntava a ela:
— Mas, como é que você sabia?
— Eu sinto a irradiação de seu pai.
— Mas ele não é o seu pai?
— Não!
— Então me explique. Ele não é seu pai!
Nossa mãe não adulterou! Como é que você nasceu?
—
Ah, ele me fabricou, mas ele não é meu pai!
Um dia, eu estava no ônibus com meu
pai... Ele, então, virou com os olhos em lágrimas, e me perguntou:
— Filho, sua irmã me odeia, não é?
— É, pai.
—
Por que meu filho?
Eu,
aí, vi a cena na vida anterior. A prostituição, a união deles. E ele
assassinando-a no bordel onde estavam! Mas, eu não lhe disse nada!
— Pai, eu não sei... É coisa da
reencarnação. O senhor é que tem que aproximar dela.
— Não posso meu filho, odeio-a!
—
Então, pense nela como uma doente. Tenha compaixão!...
Ele
foi chorando e eu também.
E quando ele estava morrendo nos meus
braços, eu parei e fui chamá-la:
— É o seu momento minha irmã! Vai
transferir para outra encarnação? Você me quer bem?
— Ainda não me matei por sua causa – ela
me disse.
— Não se matou porque é crime! Então
vamos lá. Vá pedir perdão ao pai.
— Você fica ao meu lado?
—
Fico... Mas vou deixar vocês juntos porque têm muito que falar...
Aí meu pai me olhou e disse:
—
Não saia.
Então, ela olhou bem pra ele... E ele
falou nos últimos minutos:
—
Minha filha, me perdoe. Você é minha filha! Você me perdoa?...
Aí ela começou a gritar. Dobrou-se sobre
ele morrendo e disse:
—
Pai, me perdoa pai. Eu não sei por que eu fiz assim!?...
Então,
eu vi o Espírito Mentor dele abençoar; porque a mágoa, a dor, foi diluída.
E ele olhou para mim, pegou na minha mão
e disse:
— Meu filho, me perdoe pelas surras que
eu lhe dei.
—
Pai – eu disse – a gente só perdoa quando tem mágoa. E o senhor foi o mais belo
pai que eu conheci.
E as últimas palavras dele foram:
— Filho, eu vou continuar a viver?
—
Vai. Seus filhos que foram antes estão esperando para lhe agradecer.
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